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Datafolha: Flávio Bolsonaro consolida voto útil da direita e supera Zema, Renan, Caiado e Cury em simulação de 2º turno contra Lula

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-23

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (23) mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como o nome da direita com maior potencial de atrair eleitores de governadores como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite em um eventual segundo turno contra o presidente Lula (PT). O levantaento indica que, mesmo sem o capital político do pai, Flávio consegue unificar um eleitorado disperso entre pré-candidatos do centrão e da centro-direita.

Uma nova rodada da pesquisa Datafolha, realizada entre os dias 21 e 23 de setembro de 2026, com 5.600 eleitores em 280 municípios brasileiros, traz um dado que reconfigura o tabuleiro eleitoral para a sucessão presidencial. O instituto simulou cenários de segundo turno entre o presidente Lula (PT) e cinco potenciais candidatos de oposição: o senador Flávio Bolsonaro (PL), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), o senador Renan Calheiros (MDB-AL) e o deputado federal Tabata Amaral (PSB-SP).

O resultado mais expressivo é o desempenho de Flávio Bolsonaro. Na simulação de segundo turno contra Lula, o senador aparece numericamente à frente de todos os demais nomes testados. Mas o dado mais revelador da pesquisa não é a vantagem sobre o petista, e sim a capacidade de Flávio de atrair eleitores que hoje declaram voto em outros candidatos da direita e do centro. De acordo com o Datafolha, 68% dos eleitores de Romeu Zema migrariam para Flávio em um segundo turno contra Lula. Entre os eleitores de Ronaldo Caiado, o índice é de 64%. Já entre os eleitores de Renan Calheiros — nome do MDB com viés mais ao centro —, 59% afirmam que votariam em Flávio contra o petista. O dado mais surpreendente é entre os eleitores de Tabata Amaral: 47% iriam para Flávio, contra 41% que optariam por Lula.

O levantamento também mostra que Flávio é o único nome testado que consegue reter mais de 80% dos votos do eleitorado que hoje declara voto no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), indicando que a transferência de capital político do pai para o filho é sólida entre a base mais fiel. Isso contrasta com o desempenho de outros nomes. Zema, por exemplo, retém apenas 52% dos eleitores bolsonaristas puros, com 28% migrando para Lula. Caiado, por sua vez, mantém 60% do eleitorado de Bolsonaro, mas perde 22% para o petista.

Por que isso importa? O dado sugere que, na ausência de Jair Bolsonaro — que está inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) —, o eleitorado conservador e liberal está sinalizando uma forte preferência pela continuidade dinástica do nome Bolsonaro. Isso representa um problema direto para as pré-candidaturas de Zema e Caiado, que há meses tentam se posicionar como a “terceira via” da direita. Ambos apostam em discursos de gestão técnica e diálogo com o centrão para se diferenciar do estilo combativo dos Bolsonaro. A pesquisa indica que, no momento decisivo, o eleitor conservador prefere o nome de família ao de gestão.

Análise FORTIS: O dado do Datafolha precisa ser lido com a frieza de quem entende que a política brasileira é movida a identidade, não a programas de governo. O eleitor de direita não está escolhendo entre propostas de reforma tributária ou privatização — ele está escolhendo um símbolo de resistência ao projeto de poder do PT. Flávio Bolsonaro carrega o sobrenome que, para 68% dos eleitores de Zema, representa a negação do lulismo. Isso não é um atestado de qualidade política do senador, mas um retrato da radicalização do eleitorado.

Do ponto de vista do liberalismo econômico, o dado é preocupante. Flávio Bolsonaro tem um histórico parlamentar de defesa de pautas corporativistas e aumento de gastos públicos, especialmente na área de segurança e previdência dos militares. Ele votou a favor da PEC dos Precatórios, que estourou o teto de gastos em 2021, e foi contrário à reforma administrativa. Ou seja, o candidato que mais unifica a direita hoje é justamente aquele com o currículo menos liberal. Já Romeu Zema, governador de Minas com nota 10 em gestão fiscal e defensor do Estado mínimo, fica pelo caminho porque seu discurso técnico não gera o mesmo calor emocional que o antipetismo.

Contraponto: O desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, segundo a mesma pesquisa, é inferior ao de Zema e Caiado. No cenário espontâneo, o senador aparece com 12%, contra 15% de Zema e 14% de Caiado. Isso significa que a vantagem de Flávio no segundo turno é resultado da polarização, e não de uma preferência primária. Se a eleição fosse hoje, Flávio sequer estaria no segundo turno. O dado relevante para a campanha de Zema e Caiado é que eles têm mais potencial de crescimento no primeiro turno, mas precisam urgentemente construir uma narrativa que converta a simpatia por suas gestões em voto útil contra Lula. Caso contrário, a direita pode repetir o erro de 2022, quando fragmentou o voto e permitiu que Lula vencesse com menos de 51% dos votos válidos.

O Datafolha também testou o cenário com Renan Calheiros, nome do MDB que tenta surfar na onda do centrão. Renan, que tem um dos piores índices de rejeição do Senado (49% dos eleitores dizem que não votariam nele de jeito nenhum), perde para Lula por 54% a 35% no segundo turno. O dado mais curioso é que 59% dos eleitores de Renan migrariam para Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno contra Lula, o que indica que o eleitor do MDB é mais anti-PT do que pró-Renan.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.