**Lead**
Uma nova pesquisa do instituto Datafolha, divulgada nesta quarta-feira (2), revela que 73% dos brasileiros afirmam preferir a democracia a qualquer outra forma de governo, contra 69% registrados em 2024. O aumento de quatro pontos percentuais ocorre em um contexto de intenso debate sobre o uso de tecnologias digitais na política, com especialistas apontando que a disseminação de informações via redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas de fact-checking pode estar contribuindo para o fortalecimento do apoio ao regime democrático no país.
**Contexto**
A pesquisa foi realizada entre os dias 25 e 29 de setembro de 2026, ouvindo 2.016 eleitores em 130 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento também mostrou que a rejeição a regimes autoritários se manteve estável, com 17% dos entrevistados declarando indiferença entre democracia e ditadura, número ligeiramente inferior aos 19% de 2024.
O aumento da preferência democrática coincide com a expansão do acesso à internet no Brasil. Segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o país encerrou 2025 com 84% dos domicílios conectados à banda larga, contra 78% em 2023. Além disso, o uso de aplicativos de mensagens como WhatsApp e Telegram para discussão política cresceu 12% no mesmo período, de acordo com levantamento do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).
Plataformas de verificação de fatos, como Aos Fatos e Lupa, também registraram aumento de 35% no número de consultas mensais entre 2024 e 2026. Especialistas em comunicação digital apontam que a maior disponibilidade de ferramentas de checagem e a disseminação de conteúdos educativos sobre cidadania podem estar influenciando a percepção pública sobre a importância da democracia.
**Análise**
O avanço da preferência democrática no Brasil não pode ser atribuído exclusivamente à tecnologia, mas há evidências de que o ambiente digital tem papel relevante. Estudos do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS Rio) mostram que usuários de redes sociais que consomem conteúdos de fontes jornalísticas e de fact-checking tendem a apresentar maior confiança em instituições democráticas. Por outro lado, a mesma pesquisa alerta para o risco de bolhas informacionais e desinformação, que podem corroer a confiança no sistema político.
O aumento de quatro pontos percentuais em dois anos é significativo, especialmente em um período marcado por eleições municipais e estaduais intensas, com forte presença de campanhas digitais. A tecnologia, ao mesmo tempo que amplia o acesso à informação, também expõe os cidadãos a discursos autoritários e teorias conspiratórias. No entanto, os dados do Datafolha sugerem que, no balanço geral, o efeito positivo do engajamento digital pode estar superando os riscos.
Outro fator relevante é a inclusão digital de populações historicamente marginalizadas. Programas como o Wi-Fi Brasil e a distribuição de tablets em escolas públicas ampliaram o acesso à internet em regiões rurais e periferias urbanas. Esse contingente de novos usuários, ao entrar em contato com conteúdos sobre direitos civis e processos eleitorais, tende a valorizar a democracia como sistema que permite a participação e a reivindicação de melhorias.
**Fontes**
- Datafolha – Pesquisa de opinião pública, setembro de 2026. - Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) – Relatório de banda larga no Brasil, 2025. - Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) – Pesquisa sobre uso de aplicativos de mensagens, 2026. - Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS Rio) – Estudo sobre confiança democrática e consumo digital, 2025. - Aos Fatos e Lupa – Dados de consultas a ferramentas de fact-checking, 2024-2026.
Por Renan Filho · 2026-10-02