Nova pesquisa Datafolha, realizada entre os dias 22 e 24 de setembro de 2026, revela um cenário de extrema disputa no Ceará para a corrida presidencial. Ciro Gomes (PDT) aparece com 44% das intenções de voto, enquanto Elmano de Freitas (PT), atual governador do estado, registra 43% — diferença de apenas um ponto percentual, dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. O levantamento ouviu 1.512 eleitores em 60 municípios cearenses.
O resultado surpreendeu analistas, que esperavam uma vantagem maior de Ciro em seu reduto eleitoral. Ex-governador do Ceará por duas vezes e candidato à Presidência em 2018 e 2022, Ciro construiu uma base sólida no estado, mas o avanço de Elmano — apoiado pelo ex-presidente Lula e pelo PT nacional — indica que a máquina governista e o programa Bolsa Família continuam pesando na decisão do eleitorado.
O que está em jogo? O Ceará é o quarto maior colégio eleitoral do Brasil, com cerca de 6,5 milhões de eleitores. Uma vitória de Ciro no estado poderia alavancar sua candidatura nacional, especialmente se conseguir repetir o desempenho em outras praças do Nordeste. Já Elmano, caso vença no Ceará, consolidaria a hegemonia petista na região, essencial para qualquer plano de reeleição de Lula ou de seu sucessor.
Para o FORTIS, o dado mais relevante não é apenas o empate técnico, mas o que ele revela sobre o cansaço do eleitor com o modelo estatista vigente. O governo Elmano, apesar de herdar uma gestão petista de longa data, enfrenta crescentes críticas por má gestão fiscal e aumento da carga tributária. O Ceará possui uma das maiores alíquotas efetivas de ICMS do país, enquanto indicadores de segurança pública e infraestrutura estagnaram nos últimos anos. O discurso de Ciro, que mescla nacionalismo econômico e defesa de um estado mais enxuto, parece ressoar entre aqueles que desejam menos intervenção e mais eficiência.
Por outro lado, a força de Elmano não pode ser subestimada. O governador conta com ampla estrutura partidária e acesso a recursos federais, além de uma base fiel de eleitores que associam o PT a programas sociais. Contudo, a pesquisa sugere que essa vantagem institucional não foi suficiente para abrir vantagem confortável. Em um país onde o PT controla o Palácio do Planalto há mais de uma década — com exceção do breve governo Bolsonaro —, o desgaste natural do poder e a inflação persistente minam a popularidade da sigla.
**Contraponto necessário:** alguns poderão argumentar que a pesquisa é apenas um retrato momentâneo e que as eleições de 2026 ainda estão distantes. De fato, a Datafolha captura apenas o cenário de setembro, sem considerar eventuais alianças ou mudanças na conjuntura econômica. No entanto, o levantamento do Ceará confirma uma tendência observada em outros estados nordestinos: a perda de força do PT mesmo em seus redutos tradicionais. A gestão Lula-Alckmin tem sido marcada por alta tributação e baixo crescimento, o que abre espaço para candidatos que prometem reformas liberais, como a redução do Estado e a desburocratização.
Vale lembrar que Ciro Gomes não é um liberal clássico. Sua agenda econômica mistura intervencionismo em setores estratégicos com propostas de austeridade fiscal. Ainda assim, sua postura crítica ao PT e ao PSDB, combinada com um discurso de soberania nacional, atrai eleitores de direita que rejeitam o lulismo. Já Elmano representa a continuidade do modelo petista: aumento de gastos públicos, subsídios e programas assistenciais. A eficácia desse modelo é questionável, como mostram os recentes aumentos de impostos e a precarização de serviços essenciais.
Por Renan Filho · 2026-09-25