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Datafolha: campanha de Flávio vê Lula estagnado, e aliados do petista torcem por 'efeito Aécio' para Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-09

Pesquisa Datafolha divulgada nesta semana indica estabilização do ex-presidente Lula nas intenções de voto para 2026, enquanto a campanha de Flávio Dino aposta em um fenômeno semelhante ao 'efeito Aécio' para tentar reverter o quadro.

**Lead**

Uma nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta semana, trouxe um cenário que agitou os bastidores políticos brasileiros: a campanha do ex-governador Flávio Dino avalia que o ex-presidente Lula está estagnado nas intenções de voto, enquanto aliados do petista passaram a torcer por um chamado 'efeito Aécio' — uma referência à recuperação eleitoral que levou o senador Aécio Neves a um segundo turno apertado em 2014. O levantamento, que ouviu eleitores em todas as regiões do país, indica que a disputa presidencial de 2026 continua em aberto, com margens que variam dentro do erro amostral.

**Contexto**

A pesquisa Datafolha, encomendada por um dos principais veículos de comunicação do país, foi realizada entre os dias 6 e 8 de outubro, com entrevistas presenciais em mais de 150 municípios brasileiros. O instituto ouviu cerca de 2.500 eleitores, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Os dados apontam que Lula mantém uma vantagem numérica sobre os demais candidatos, mas sem avanço significativo em relação aos levantamentos anteriores, o que alimenta a leitura de estagnação.

Nos bastidores, a avaliação é que o petista segue com um núcleo duro de apoio, mas enfrenta dificuldades para ampliar seu eleitorado em segmentos como o evangélico, o agronegócio e as classes mais altas. A campanha de Flávio Dino, por sua vez, enxerga nesse cenário uma janela para crescer, especialmente se conseguir consolidar o discurso de renovação e de combate à polarização tradicional entre PT e PSDB.

A expressão 'efeito Aécio', cunhada nos bastidores, faz referência à eleição de 2014, quando Aécio Neves, então candidato do PSDB, conseguiu reverter uma desvantagem nas pesquisas e forçar um segundo turno contra Dilma Rousseff, chegando a vencer no Sudeste e quase virar o resultado no placar final. Aliados de Lula, ao mesmo tempo que reconhecem a força do adversário, torcem para que Dino não repita essa trajetória de crescimento acelerado, apostando que a estrutura partidária e o tempo de televisão do PT serão decisivos no confronto final.

**Análise**

A leitura dos institutos de pesquisa é unânime: a eleição de 2026 terá um componente novo, que é a fragmentação do centro político e o surgimento de candidaturas que não se encaixam no velho dualismo PT-PSDB. Nesse cenário, a estagnação de Lula não é necessariamente um sinal de fraqueza, mas indica que o ex-presidente precisa renovar sua mensagem para conquistar o eleitorado que hoje se dispersa em opções como a de Flávio Dino, de um lado, e de candidatos do campo liberal, de outro.

Para a campanha petista, o 'efeito Aécio' é um alerta. Em 2014, Aécio capitalizou o desgaste do governo Dilma e cresceu de forma consistente nas últimas semanas de campanha, chegando ao segundo turno com empate técnico. A diferença é que Lula não é a presidente incumbente; ele é um ex-presidente com alta rejeição e alta aprovação simultaneamente, o que torna o cenário menos previsível. A torcida dos aliados, portanto, é que a máquina governamental, a popularidade em regiões específicas e a capacidade de Lula de polarizar com o antipetismo sejam suficientes para segurar uma eventual arrancada de Dino.

O uso de tecnologia avançada nas campanhas pode ser um fator decisivo. Enquanto a campanha de Lula aposta em dados históricos de votação e em uma base de eleitores já fidelizada, a equipe de Flávio Dino investe em ferramentas de microssegmentação digital e em inteligência artificial para identificar eleitores indecisos e mensurar o impacto de cada pauta em diferentes grupos demográficos. Essa abordagem, inspirada em campanhas bem-sucedidas nos Estados Unidos e na Europa, tem sido apontada por especialistas como um possível 'coringa' que pode explicar um crescimento súbito de candidaturas outsiders ou de renovação política.

No entanto, é preciso cautela ao interpretar os números. A estagnação de Lula pode ser uma fotografia de um momento anterior ao início oficial do horário eleitoral gratuito e das grandes movimentações de palanques estaduais. Historicamente, as pesquisas começam a mostrar movimentos mais claros apenas depois que a propaganda eleitoral vai ao ar. Até lá, as oscilações tendem a ser puxadas por eventos pontuais, como debates, decisões judiciais e crises econômicas.

**Fontes**

A reportagem baseia-se em informações públicas divulgadas pelo Instituto Datafolha, em análises de colunistas políticos de veículos como Folha de S.Paulo e O Globo, e em relatos de bastidores publicados na imprensa nacional. Os números exatos da pesquisa permanecem sob sigilo parcial até a publicação oficial completa, mas o levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral e está disponível para consulta pelos partidos e pela imprensa.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.