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Datafolha: campanha de Flávio vê Lula estagnado, e aliados do petista torcem por 'efeito Aécio' para Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-09

Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira mostra um cenário de estabilidade para o ex-presidente Lula, enquanto a campanha de Flávio Dino aposta em um fenômeno eleitoral conhecido como 'efeito Aécio' para reverter a vantagem do petista no segundo turno.

**Lead**

Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (8) indica que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manteve estagnado nas intenções de voto para a Presidência da República, enquanto a campanha do adversário Flávio Dino (PSB) aposta na tese de um 'efeito Aécio' — a capacidade de um candidato que vinha atrás nas pesquisas crescer de forma acelerada na reta final, como ocorreu com Aécio Neves em 2014. O levantamento, encomendado pela própria campanha de Dino, reforça a leitura de que a disputa segue tecnicamente empatada dentro da margem de erro, mas expõe estratégias divergentes entre os dois lados.

**Contexto**

A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ouviu eleitores em todos os estados brasileiros entre os dias 6 e 8 de outubro. Embora os números exatos não tenham sido divulgados integralmente pela coordenação da campanha petista, interlocutores ligados ao comando de Dino afirmam que o levantamento mostra Lula variando dentro de um intervalo que não ultrapassa dois pontos percentuais — um sinal de que o ex-presidente não conseguiu ampliar a vantagem após os debates e a intensificação do guia eleitoral no rádio e na televisão.

O termo 'efeito Aécio' ganhou força no noticiário político depois que a campanha de Dino passou a comparar a trajetória do candidato com a do senador Aécio Neves (PSDB), que em 2014 chegou a aparecer mais de 20 pontos atrás da então presidenta Dilma Rousseff no primeiro turno, mas cresceu de forma consistente até levar a eleição para o segundo turno e quase vencer no voto popular, terminando com uma diferença de cerca de 3 pontos.

Aliados de Lula, por sua vez, preferem relativizar o levantamento. Para eles, a estagnação apontada pelo Datafolha é um reflexo natural de um eleitorado já consolidado e não indica perda de fôlego. A estratégia do petista, segundo pessoas próximas, será reforçar o chamado 'voto útil' e apresentar Lula como o único capaz de vencer no primeiro turno, tentando atrair eleitores de candidaturas menores que ainda não migraram para os dois principais nomes da corrida.

**Análise**

A leitura do 'efeito Aécio' pela campanha de Flávio Dino não é apenas uma aposta eleitoral; é uma tentativa de alterar o enquadramento da disputa. Ao comparar o próprio candidato com Aécio Neves, a campanha busca transmitir a ideia de que o crescimento é possível e que a diferença atual pode ser superada. No entanto, os cenários são distintos. Em 2014, Aécio herdou votos de pelo menos três candidatos que não passaram para o segundo turno, e a eleição ocorria em um ambiente de forte polarização entre PT e PSDB, com a economia já dando sinais de deterioração. Agora, a disputa se dá em um contexto de fragmentação política maior, com um terceiro campo ainda relevante e uma rejeição elevada tanto a Lula quanto a Dino.

Para Lula, a estagnação em um patamar que garante a liderança isolada pode ser confortável no curto prazo, mas também carrega riscos. Caso o desempenho de Dino continue crescendo na reta final, o cenário de segundo turno se tornará mais imprevisível, e a vantagem de Lula, que hoje parece sólida, poderá ser reduzida a uma margem estreita. A campanha petista, por isso, tenta bloquear o crescimento do adversário antecipando o discurso de que a eleição já está definida, uma estratégia clássica para desmobilizar o eleitorado de oposição.

A divulgação da pesquisa, ainda que parcial, também expõe a disputa pela narrativa pública. Enquanto Dino aposta no crescimento e na energia de uma campanha ascendente, Lula adota o tom de quem administra uma vantagem e busca evitar erros. A fala dos aliados petistas sobre o 'efeito Aécio' carrega uma ironia: usam o exemplo de uma derrota histórica do PSDB para minimizar o avanço de Dino, mas o próprio termo carrega um alerta — afinal, em 2014, o 'efeito Aécio' quase virou o jogo.

**Fontes**

As informações são baseadas em levantamento do Instituto Datafolha, divulgado pela imprensa nacional, e em reportagens veiculadas por veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e G1. Declarações de integrantes das campanhas de Lula e Flávio Dino foram reproduzidas a partir de entrevistas e notas publicadas por esses meios. Nenhuma informação foi obtida diretamente pelo FORTIS NEWS, que atuou apenas na análise de dados e informações já publicados.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.