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Uma pesquisa Datafolha divulgada nesta semana aponta que 64% dos brasileiros aprovam o reajuste no Bolsa Família anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes do pleito de 2026. Apenas 31% se declararam contrários ao aumento. O levantamento, realizado entre os dias 25 e 27 de setembro, ouviu 2.500 eleitores em 150 municípios. Mais do que um dado político, o resultado revela como o programa de transferência de renda se tornou um elemento central da cultura nacional, associado a valores de solidariedade e justiça social.
**Contexto**
O Bolsa Família foi criado em 2003, no primeiro mandato de Lula, unificando programas anteriores como Bolsa Escola e Auxílio Gás. Desde então, passou por diversas reformulações, mas manteve o objetivo de combater a pobreza e a desigualdade. Em 2023, o governo Lula retomou o programa com o nome de Bolsa Família, após o período em que foi substituído pelo Auxílio Brasil durante a gestão de Jair Bolsonaro. O reajuste anunciado antes das eleições de 2026 elevou o valor médio do benefício para cerca de R$ 700, com adicional de R$ 150 por criança de até seis anos.
A pesquisa Datafolha mostra que a aprovação do reajuste não se restringe a regiões ou classes sociais específicas. Entre os entrevistados com renda familiar de até dois salários mínimos, a aprovação chega a 78%. Já entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos, o índice é de 52%. A diferença reflete a capilaridade do programa, que atende cerca de 21 milhões de famílias, ou aproximadamente 55 milhões de pessoas. Para muitos brasileiros, o Bolsa Família não é apenas uma política pública, mas uma referência de cidadania e dignidade.
**Análise**
A ampla aceitação do reajuste pode ser interpretada como um sintoma da consolidação do Bolsa Família na cultura política e social do Brasil. Diferentemente de outros programas assistenciais, que muitas vezes são vistos como temporários ou estigmatizantes, o Bolsa Família ganhou status de direito adquirido. Pesquisas qualitativas indicam que os beneficiários frequentemente associam o programa à possibilidade de alimentar os filhos, comprar uniformes escolares e ter acesso a bens básicos. Essa dimensão simbólica transforma o Bolsa Família em um marcador cultural: ele representa a promessa de inclusão em uma sociedade historicamente marcada pela desigualdade.
Além disso, o momento do anúncio — às vésperas da eleição — gerou debates sobre o uso eleitoral do programa. No entanto, os números do Datafolha sugerem que a população não vê o reajuste como mera manobra política, mas como uma medida necessária. Apenas 31% de rejeição é um índice baixo para uma política pública em um país polarizado. Isso indica que, mesmo entre eleitores de oposição, há um reconhecimento do valor do Bolsa Família como instrumento de combate à fome. Culturalmente, o programa se tornou parte do imaginário nacional, ao lado de outros símbolos como o SUS e a aposentadoria rural.
**Fontes**
Os dados mencionados são da pesquisa Datafolha, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01234/2026. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Informações históricas sobre o Bolsa Família foram obtidas junto ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. Análises culturais baseiam-se em estudos acadêmicos publicados pelo Centro de Estudos da Metrópole (CEM) e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).
Por Renan Filho · 2026-10-01