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Uma nova pesquisa do instituto Datafolha, divulgada nesta quarta-feira (1º de outubro de 2026), aponta a ex-senadora e ex-governadora Benedita da Silva (PT) como líder na disputa por uma vaga no Senado Federal pelo estado do Rio de Janeiro. Com 19% das intenções de voto, a candidata aparece à frente de outros nomes conhecidos da política fluminense. O levantamento, encomendado por veículos de imprensa, ouviu eleitores em todo o estado entre os dias 28 e 30 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
**Contexto**
Benedita da Silva, de 84 anos, é uma figura histórica na política brasileira. Nascida na comunidade da Praia do Pinto, no Rio de Janeiro, ela foi a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira no Senado Federal, em 1995. Sua trajetória é marcada por uma forte ligação com as culturas periférica, afro-brasileira e das favelas cariocas. Antes de entrar na política, Benedita foi professora, ativista comunitária e líder religiosa do candomblé, o que a tornou um símbolo de resistência cultural e religiosa.
A pesquisa Datafolha surge em um momento em que o debate sobre representatividade e diversidade ganha força no cenário nacional. O Rio de Janeiro, estado com a maior população negra do país em números absolutos, tem historicamente elegido figuras que dialogam com a cultura popular. Benedita da Silva, com seu discurso enraizado nas lutas das comunidades tradicionais, conseguiu manter uma base fiel de apoiadores ao longo das décadas.
O levantamento também mostra outros candidatos com percentuais expressivos, mas Benedita se destaca por sua capacidade de mobilizar o eleitorado das periferias e dos movimentos sociais. A pesquisa foi realizada antes do início oficial da campanha eleitoral, que ocorre em outubro, e reflete o cenário inicial de intenções de voto.
**Análise**
A liderança de Benedita da Silva no Datafolha não é apenas um dado eleitoral, mas um indicador cultural importante. Ela representa a persistência de uma identidade política que valoriza as raízes comunitárias e a luta contra o racismo estrutural. Em um estado marcado por desigualdades históricas, a candidatura de Benedita resgata a memória das mobilizações populares dos anos 1980 e 1990, quando ela foi uma das vozes mais ativas na Assembleia Nacional Constituinte.
Do ponto de vista cultural, a figura de Benedita da Silva transcende a política partidária. Ela é frequentemente lembrada como a “mãe do povo” e sua imagem está associada a festas populares, rodas de samba e terreiros de candomblé. Sua candidatura ao Senado, portanto, não é apenas uma disputa por poder, mas a afirmação de um modo de vida e de uma visão de mundo que valoriza a cultura afro-brasileira e a resistência das favelas.
Especialistas em ciência política apontam que a vantagem de Benedita pode ser explicada pela fidelidade de seu eleitorado e pela ausência de grandes nomes da direita consolidados até o momento. No entanto, a campanha ainda está em estágio inicial, e outros candidatos devem crescer à medida que a propaganda eleitoral for veiculada. A pesquisa Datafolha serve como um termômetro do humor do eleitorado fluminense, que parece disposto a apostar em uma candidatura com forte apelo simbólico e cultural.
**Fontes**
- Pesquisa Datafolha divulgada em 1º de outubro de 2026, com registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). - Dados biográficos de Benedita da Silva disponíveis em arquivos históricos do Senado Federal e da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. - Análises de cientistas políticos publicadas em veículos como O Globo e Folha de S.Paulo sobre o cenário eleitoral fluminense.
Por Renan Filho · 2026-10-01