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Cultura

Datafolha: avaliação negativa do governo Lula chega a 41%, superando positiva em 6 pontos

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-01

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira mostra que a avaliação negativa do governo Lula alcançou 41%, contra 35% de positiva, refletindo um cenário de polarização e desafios econômicos.

**Lead**

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (1º de outubro de 2026) revela que a avaliação negativa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva alcançou 41% da população, enquanto a positiva ficou em 35%. O levantamento, realizado em todas as regiões do país, aponta um cenário de estabilidade na insatisfação, com a reprovação superando a aprovação por seis pontos percentuais. Os dados indicam que 24% dos entrevistados consideram o governo regular, mantendo a tendência observada nos últimos meses.

**Contexto**

A pesquisa foi encomendada pela Folha de S.Paulo e ouviu 2.556 eleitores em 181 municípios entre os dias 29 e 30 de setembro de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Este é o primeiro levantamento do instituto após o anúncio do pacote fiscal do governo, que incluiu cortes em programas sociais e revisão de benefícios, medidas que geraram reações mistas na base aliada e na oposição.

O resultado reflete um eleitorado dividido, com forte influência de fatores econômicos. A inflação acumulada em 12 meses, que superou a meta no primeiro semestre, e o desemprego ainda elevado em regiões periféricas são apontados por analistas como os principais vetores da insatisfação. Em contrapartida, o governo mantém aprovação significativa em políticas de transferência de renda e na condução da política externa, especialmente em acordos comerciais com a América do Sul e a África.

A avaliação negativa é mais acentuada entre eleitores com renda familiar acima de cinco salários mínimos (48%) e entre moradores da região Sul (45%). Já a positiva predomina no Nordeste (44%) e entre beneficiários de programas sociais (52%). O cenário sugere uma clivagem socioeconômica e regional que deve pautar o debate eleitoral de 2026, já em curso nos bastidores.

**Análise**

A oscilação dentro da margem de erro em relação à pesquisa anterior, que registrava 39% de negativa e 37% de positiva, indica que o governo Lula enfrenta um teto de aprovação difícil de ser rompido. A percepção de que a economia não responde às expectativas, combinada com a alta do custo de vida, tem alimentado um discurso de desgaste que a oposição explora com ênfase. Por outro lado, a base governista argumenta que os números são reflexo de um cenário internacional adverso e que as reformas estruturais, como a tributária, ainda não produziram efeitos perceptíveis no bolso do cidadão.

Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a avaliação negativa superior à positiva em um terceiro mandato é um sinal de alerta para a articulação política do Planalto. A aprovação de matérias no Congresso, como o orçamento impositivo e a reforma administrativa, pode se tornar mais custosa, exigindo maior empenho do governo em negociações com partidos do centrão. A pesquisa também reforça a tese de que a eleição de 2026 será decidida no centro do espectro político, com candidatos que se apresentem como alternativa à polarização atual.

O impacto dos números vai além do Palácio do Planalto. Para o mercado financeiro, a manutenção de uma avaliação negativa elevada pode aumentar a percepção de risco fiscal, pressionando o câmbio e os juros futuros. Para a sociedade, o dado alimenta um clima de incerteza quanto à capacidade do governo de entregar melhorias concretas até o fim do mandato, especialmente em áreas como segurança pública e educação, que aparecem com baixa aprovação em recortes específicos da pesquisa.

**Fontes**

Os dados completos da pesquisa Datafolha estão disponíveis no site do instituto e foram publicados pela Folha de S.Paulo em sua edição digital desta quinta-feira. A metodologia detalhada, incluindo o questionário aplicado e a análise por segmentos, pode ser acessada no portal do Datafolha. As informações sobre o pacote fiscal e as reações políticas foram coletadas de notas oficiais do Ministério da Fazenda e de declarações públicas de líderes partidários registradas pela imprensa nacional.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.