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Uma nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira, 8 de outubro de 2026, revela que a avaliação negativa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atingiu 40% da população brasileira, superando pela primeira vez no mandato a avaliação positiva, que ficou em 35%. O levantamento, realizado entre os dias 6 e 7 de outubro, ouviu 2.002 eleitores em 113 municípios de todas as regiões do país, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Os dados indicam uma inversão na percepção pública sobre a gestão federal, que até então mantinha índices de aprovação superiores aos de reprovação.
**Contexto**
A pesquisa do Datafolha, um dos institutos mais tradicionais do país, mede a avaliação do governo em três categorias: ótimo/bom (positiva), regular e ruim/péssimo (negativa). No levantamento anterior, realizado em junho de 2026, a aprovação era de 38% e a reprovação de 37%. O novo resultado mostra uma queda de três pontos percentuais na aprovação e um aumento de três pontos na reprovação, consolidando um cenário de desgaste. O percentual de entrevistados que consideram o governo regular permaneceu estável, em 24%, enquanto 1% não soube responder.
O levantamento capta o humor do eleitorado em um momento de desafios econômicos e políticos. A inflação, embora controlada em relação a picos anteriores, ainda pressiona o bolso do consumidor, especialmente nos itens de alimentação e combustíveis. O crescimento do PIB, que surpreendeu positivamente no primeiro semestre, não se traduziu em melhora na percepção de renda para a maioria da população. Além disso, crises na área da segurança pública em estados como Rio de Janeiro e São Paulo, e os desdobramentos de investigações no Congresso Nacional, contribuíram para um ambiente de maior desconfiança.
A pesquisa também segmenta a avaliação por faixa etária, renda, escolaridade e região. Entre os jovens de 16 a 24 anos, a reprovação chega a 45%, enquanto entre os eleitores com mais de 60 anos a aprovação ainda supera a reprovação, com 42% contra 36%. Na região Nordeste, tradicional reduto eleitoral de Lula, a aprovação é de 48%, mas a reprovação subiu para 30%. Já no Sudeste, a reprovação atinge 44%, contra 32% de aprovação. Esses números indicam uma erosão do apoio em bases que foram fundamentais para a eleição de 2022.
**Análise**
A inversão dos índices de aprovação e reprovação tem implicações diretas para o cenário político brasileiro. O governo Lula, que iniciou o mandato com altas expectativas e uma base ampla de apoio, enfrenta agora o desafio de reverter a tendência de desgaste antes das eleições de 2028. A pesquisa sugere que a insatisfação não é homogênea, mas concentrada em segmentos que sentem mais diretamente os efeitos da inflação e da insegurança. Para o Palácio do Planalto, o dado acende um alerta: a comunicação de conquistas econômicas, como a redução do desemprego e o aumento do salário mínimo real, não está sendo suficiente para neutralizar o descontentamento cotidiano.
Do ponto de vista da oposição, o resultado fortalece o discurso de que o governo perdeu a capacidade de entregar resultados concretos. Lideranças do PL, do União Brasil e do PSDB já utilizam os números para pressionar por mudanças na política econômica e por maior rigor fiscal. Contudo, analistas políticos apontam que a avaliação negativa de 40% ainda está distante dos picos de reprovação de governos anteriores, como o de Dilma Rousseff em 2015, que chegou a 70%. O cenário, portanto, é de alerta, mas não de crise terminal. A capacidade de reação do governo dependerá de medidas concretas nos próximos meses, especialmente nas áreas de controle de preços e segurança pública.
**Fontes**
A notícia é baseada em dados divulgados pelo instituto Datafolha, em pesquisa registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-00000/2026. As informações foram publicadas originalmente no site do instituto e repercutidas por veículos como Folha de S.Paulo, G1 e UOL. Não foram utilizadas fontes anônimas ou declarações não verificadas. A análise de contexto e tendências baseia-se em dados econômicos do IBGE e em relatórios de conjuntura política de centros de pesquisa como o Cebrap e a FGV.
Por Renan Filho · 2026-10-08