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Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira revela que 64% dos brasileiros aprovam o reajuste no valor do Bolsa Família anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento, realizado entre os dias 28 e 30 de setembro, mostra que 31% da população se declara contrária ao aumento, enquanto 5% não souberam ou preferiram não opinar. O anúncio do reajuste foi feito por Lula no início de setembro, em um evento em Brasília, e integra um pacote de medidas de proteção social a poucas semanas do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026.
**Contexto**
O Bolsa Família, principal programa de transferência de renda do governo federal, atende atualmente cerca de 21 milhões de famílias em situação de vulnerabilidade. O reajuste anunciado por Lula elevou o valor médio do benefício de R$ 600 para R$ 710 por família, um acréscimo de aproximadamente 18%. A medida também incluiu a ampliação do valor adicional para famílias com crianças e adolescentes, conhecido como Benefício Variável Familiar, que passou de R$ 150 para R$ 200 por dependente.
O anúncio ocorre em um momento politicamente sensível. A poucas semanas das eleições, a oposição criticou o reajuste como sendo de cunho eleitoral, argumentando que a medida busca alavancar a candidatura de Lula à reeleição. Em contrapartida, o governo defende que o aumento era necessário para recompor o poder de compra das famílias mais pobres, corroído pela inflação dos últimos anos. O Ministério do Desenvolvimento Social estima que o custo adicional anual do reajuste seja de aproximadamente R$ 28 bilhões, valor que seria coberto por receitas extras previstas no orçamento.
A pesquisa Datafolha ouviu 2.500 eleitores em 180 municípios brasileiros, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento também analisou a aprovação por segmentos: entre os eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos, o apoio ao reajuste chega a 78%. Já entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos, a aprovação cai para 42%. Esses dados indicam que o programa continua sendo um pilar central da base eleitoral de Lula, especialmente entre os mais pobres.
**Análise**
O resultado da pesquisa tem implicações diretas para a disputa eleitoral. A alta aprovação do reajuste do Bolsa Família reforça a estratégia da campanha de Lula de focar em medidas de proteção social como principal diferencial em relação aos adversários. Historicamente, o programa é um dos mais bem avaliados entre as políticas públicas brasileiras, e o aumento do valor tende a consolidar o apoio de eleitores de baixa renda, grupo decisivo para a vitória no primeiro turno.
Por outro lado, a rejeição de 31% indica um contingente significativo que vê a medida com desconfiança, seja por questões fiscais – o aumento do gasto público em ano eleitoral –, seja por considerá-la oportunista. Analistas políticos apontam que, embora a aprovação majoritária favoreça Lula, a polarização em torno do tema pode se intensificar nas próximas semanas, com a oposição tentando vincular o reajuste a um possível descontrole das contas públicas. O debate também deve envolver a sustentabilidade do programa a longo prazo, já que o reajuste não está atrelado a um mecanismo permanente de correção.
A tendência apontada pela pesquisa é que o Bolsa Família continue sendo um tema central da campanha. Se o reajuste se mantiver popular, Lula pode capitalizar o apoio para vencer já no primeiro turno. No entanto, se a oposição conseguir semear dúvidas sobre a responsabilidade fiscal da medida, o cenário pode se tornar mais competitivo. Os próximos levantamentos do Datafolha, previstos para a véspera da eleição, serão cruciais para confirmar ou refutar essa tendência.
**Fontes**
Pesquisa Datafolha sobre aprovação do reajuste do Bolsa Família, realizada entre 28 e 30 de setembro de 2026. Dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento Social sobre o valor médio do benefício e o número de famílias atendidas. Discurso do presidente Lula em evento de anúncio do reajuste, em 5 de setembro de 2026, em Brasília. Notas técnicas do Ministério da Fazenda sobre o impacto fiscal do reajuste.
Por Renan Filho · 2026-10-02