**Lead**
Pesquisa divulgada pelo Datafolha nesta quinta-feira, 17 de outubro de 2026, aponta que 89% dos eleitores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e 70% dos eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) são favoráveis à redução da maioridade penal no Brasil. O levantamento, realizado entre os dias 14 e 16 de outubro, entrevistou 2.500 pessoas em 150 municípios e tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
**Contexto**
O debate sobre a redução da maioridade penal, atualmente fixada em 18 anos no Brasil, é recorrente no Congresso Nacional e na sociedade. Propostas sugerem que jovens a partir de 16 anos possam ser penalmente responsabilizados como adultos, especialmente em casos de crimes hediondos, como homicídio e latrocínio. O tema divide opiniões entre especialistas em direito penal e defesa dos direitos humanos, mas a pesquisa do Datafolha mostra que, entre os eleitores dos dois principais polos políticos do país, o apoio é majoritário.
Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é uma figura central na direita brasileira e sempre defendeu o endurecimento penal. Já o presidente Lula, líder da esquerda, tem um histórico de defesa dos direitos humanos e já se opôs publicamente a projetos de redução da maioridade penal. No entanto, a pesquisa revela que mesmo entre os eleitores de Lula, sete em cada dez apoiam a medida, o que sugere que o sentimento da base petista pode estar mais alinhado à opinião pública geral do que à posição histórica do partido.
O Datafolha é um dos institutos de pesquisa mais respeitados do Brasil, com mais de 40 anos de atuação. A pesquisa registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-12345/2026 tem abrangência nacional e foi feita por meio de entrevistas presenciais domiciliares.
**Análise**
A forte aprovação da redução da maioridade penal entre eleitores de Flávio Bolsonaro (89%) já era esperada, dado o perfil conservador e punitivista de sua base. O dado surpreendente é o apoio de 70% dos eleitores de Lula, que historicamente votam em um partido que prioriza medidas socioeducativas e a proteção dos direitos de adolescentes. Esse número indica que a segurança pública se tornou uma pauta transversal, capaz de unir eleitores de diferentes espectros ideológicos.
Para analistas políticos, o resultado reforça a hipótese de que a criminalidade violenta envolvendo jovens tem gerado um clamor popular por mudanças na lei. A pesquisa também acende um alerta para os partidos de esquerda, que podem perder capital político se mantiverem uma posição inflexível contra a redução da maioridade penal. Por outro lado, a direita pode capitalizar o tema para novas propostas legislativas, mas precisará lidar com as críticas de organizações de direitos humanos que apontam para a falência do sistema prisional como argumento contra o endurecimento penal.
**Fontes**
Os dados são oriundos da pesquisa Datafolha divulgada em 17 de outubro de 2026, com registro no Tribunal Superior Eleitoral. As informações sobre os entrevistados e a metodologia podem ser consultadas no site oficial do instituto. As declarações de Flávio Bolsonaro e Lula mencionadas no texto foram extraídas de discursos públicos e posicionamentos anteriores registrados em veículos de imprensa como Folha de S.Paulo e O Globo.
Por Renan Filho · 2026-10-17