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O instituto Datafolha divulgou, nesta semana, uma análise aprofundada dos fatores que vêm alterando as intenções de voto no último mês da campanha eleitoral brasileira. Segundo o estudo, três elementos se destacam como os mais influentes: o uso da máquina do governo federal, a intensificação do que analistas chamam de “guerra santa” — a mobilização de segmentos religiosos — e a memória ainda viva dos acontecimentos das eleições de 2022. Embora os números específicos da pesquisa não tenham sido revelados integralmente, a tendência apontada pelo instituto sugere um realinhamento significativo no eleitorado.
**Contexto**
O Datafolha é um dos mais tradicionais institutos de pesquisa de opinião pública do Brasil, com décadas de atuação e metodologia reconhecida internacionalmente. Suas sondagens são frequentemente usadas como referência por partidos, candidatos e veículos de imprensa para avaliar o cenário eleitoral. A análise agora divulgada insere-se no período conhecido como “reta final”, quando a campanha entra na fase de maior exposição midiática e de decisão para eleitores indecisos.
A chamada “máquina do governo” refere-se ao conjunto de recursos administrativos, financeiros e de comunicação que o ocupante do Palácio do Planalto pode mobilizar durante o período eleitoral, dentro dos limites legais. Isso inclui a realização de inaugurações, a distribuição de benefícios sociais e a utilização da estrutura pública para propaganda institucional. Especialistas em ciência política apontam que, historicamente, esse fator tende a beneficiar o candidato à reeleição ou o herdeiro político do governo.
O termo “guerra santa” tem sido utilizado por analistas para descrever a crescente polarização religiosa na campanha. Lideranças evangélicas e católicas conservadoras têm se posicionado de forma explícita, influenciando suas bases. A pauta de costumes, como aborto, casamento igualitário e liberdade religiosa, ganhou destaque nos debates. Pesquisas acadêmicas indicam que o voto religioso no Brasil é um dos mais estáveis e mobilizados, capaz de transferir blocos inteiros de eleitores de um candidato para outro.
Já a “memória de 2022” remete ao pleito anterior, marcado por acusações de fraudes, tentativas de contestação do resultado e eventos como os ataques às sedes dos Três Poderes em janeiro de 2023. Para muitos eleitores, a lembrança desses episódios ainda influencia a escolha, seja por rejeição ao que consideram uma ameaça à democracia, seja por simpatia àqueles que questionaram o sistema eleitoral. O Datafolha observa que esse fator tem peso especial entre eleitores mais jovens e nas regiões onde a polarização foi mais intensa.
**Análise**
A convergência desses três elementos cria um cenário de alta volatilidade nas pesquisas de intenção de voto. Do ponto de vista da ciência política, a máquina do governo atua como um “impulso institucional” — candidatos incumbentes ou apoiados pelo governo tendem a ganhar alguns pontos percentuais na reta final, especialmente em regiões onde programas sociais têm forte penetração. No entanto, esse efeito pode ser neutralizado ou até revertido quando a “guerra santa” entra em cena, pois segmentos religiosos podem se sentir mais atraídos por candidatos que defendem pautas conservadoras, independentemente do partido.
A memória de 2022, por sua vez, funciona como um “freio” ou “acelerador” dependendo do eleitor. Para aqueles que veem as eleições anteriores como legítimas, a lembrança pode reforçar o voto em candidatos que defendem a normalidade democrática. Para os que acreditam em fraudes, a mesma memória pode impulsionar candidatos que prometem “limpar” o sistema. O Datafolha sugere que esse fator tem sido subestimado em análises anteriores, mas agora se mostra crucial para explicar movimentos de última hora.
Outro ponto relevante é a interação entre esses fatores. Por exemplo, a máquina do governo pode ser usada para acenar a líderes religiosos, liberando recursos para projetos sociais vinculados a igrejas. Ao mesmo tempo, a memória de 2022 pode ser instrumentalizada por ambos os lados para mobilizar a base. A análise do instituto, baseada em séries históricas e modelos estatísticos, indica que a combinação desses vetores pode alterar o resultado em estados-chave, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
**Fontes**
A análise aqui descrita fundamenta-se em informações divulgadas pelo Instituto Datafolha em seu relatório periódico de campanha, bem como em estudos acadêmicos de cientistas políticos brasileiros publicados em revistas especializadas, como a Revista Brasileira de Ciência Política e a Dados. Também foram consultadas reportagens de veículos como Folha de S.Paulo e O Globo, que repercutiram os achados do instituto. Não foram utilizadas declarações não verificadas ou fontes anônimas.
Por Renan Filho · 2026-10-02