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Internacional

Pesquisa Datafolha aponta que 68% dos brasileiros apoiam oferta gratuita de canetas emagrecedoras pelo SUS

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-01

Levantamento inédito revela apoio majoritário da população à incorporação de medicamentos contra obesidade no sistema público de saúde; debate envolve impactos orçamentários e eficácia clínica.

**Lead**

Uma pesquisa Datafolha divulgada na última semana indica que 68% da população brasileira é favorável à oferta gratuita de canetas emagrecedoras, como os análogos do GLP-1 (semaglutida e liraglutida), pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O levantamento ouviu 2.000 pessoas em 130 municípios entre os dias 20 e 25 de setembro de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais. A notícia ganhou repercussão internacional por colocar o Brasil na vanguarda do debate sobre acesso público a medicamentos para obesidade, uma epidemia global.

**Contexto**

Os medicamentos chamados de “canetas emagrecedoras” – originalmente desenvolvidos para diabetes tipo 2 – tornaram-se um fenômeno de consumo nos últimos anos, impulsionados por celebridades e pela alta eficácia na perda de peso. No Brasil, o alto custo (entre R$ 800 e R$ 1.500 por mês) limita o acesso a classes mais abastadas. O SUS, que já oferece cirurgia bariátrica e acompanhamento nutricional, nunca incorporou esses fármacos em sua lista de medicamentos essenciais.

A pesquisa Datafolha ocorre em meio a uma campanha de entidades médicas e associações de pacientes que pressionam o Ministério da Saúde a incluir os análogos do GLP-1 no protocolo de tratamento da obesidade grave. Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 25% dos brasileiros adultos vivem com obesidade (IMC acima de 30), número que pode ultrapassar 30% em 2030. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) está avaliando o pedido desde julho, e uma decisão é esperada para o primeiro trimestre de 2027.

A favor do acesso público, argumenta-se que a obesidade é uma doença crônica reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e que o tratamento medicamentoso reduz complicações como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares, gerando economia futura para o sistema. Contra, pesam o elevado custo estimado – cálculos preliminares do Instituto de Economia da Saúde indicam impacto anual entre R$ 4 bilhões e R$ 7 bilhões – e a necessidade de acompanhamento médico rigoroso para evitar uso indiscriminado.

**Análise**

O resultado da pesquisa Datafolha reflete uma mudança cultural significativa: a população brasileira, que historicamente enxerga a obesidade como questão estética ou de força de vontade, passa a tratá-la como condição de saúde que merece intervenção pública. A aprovação de 68% supera a de outros temas de saúde pública, como a ampliação da vacinação obrigatória (que costuma girar em torno de 55-60%), indicando forte capital político para a medida.

Para além do Brasil, a discussão toca em um dilema global. Países como Reino Unido e Alemanha já incorporaram a semaglutida em seus sistemas públicos, mas com critérios restritivos (IMC acima de 35 ou comorbidades). O Brasil, com o SUS universal e gratuito, seria um teste decisivo para a viabilidade de larga escala. A indústria farmacêutica, que fatura bilhões com vendas privadas, observa com atenção: uma eventual inclusão no SUS poderia reconfigurar o mercado latino-americano.

Por outro lado, especialistas em economia da saúde alertam que o custo pode comprometer outros programas, como a distribuição de medicamentos para hipertensão e diabetes. “O SUS já enfrenta subfinanciamento; incorporar um fármaco tão caro sem um plano de contenção de gastos pode gerar desabastecimento em outras áreas”, afirmou, em nota, a Associação Brasileira de Economia da Saúde (ABrES). A pressão sobre a Conitec será intensa nos próximos meses.

**Fontes**

Pesquisa Datafolha, edição de setembro de 2026 (encomendada pelo jornal Folha de S.Paulo). Dados do Ministério da Saúde sobre prevalência de obesidade (Vigitel 2025). Estudo de custo-efetividade do Instituto de Economia da Saúde (IES), publicado em agosto de 2026. Nota pública da Associação Brasileira de Economia da Saúde (ABrES), setembro de 2026. Relatório da Conitec sobre medicamentos antidiabéticos (julho de 2026). Organização Mundial da Saúde – Classificação Internacional de Doenças (CID-11).

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.