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Datafolha: 64% aprovam e 31% são contra reajuste no Bolsa Família anunciado por Lula antes da eleição

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-01

Pesquisa Datafolha mostra que a maioria dos brasileiros apoia o aumento do Bolsa Família proposto pelo então candidato Lula, enquanto um terço se opõe. A medida, anunciada durante a campanha presidencial de 2022, reacende o debate sobre o papel do programa na segurança social e alimentar do país.

**Lead**

Uma nova pesquisa do Datafolha, divulgada nesta quinta-feira, aponta que 64% dos brasileiros aprovam o reajuste no Bolsa Família anunciado pelo então candidato Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha eleitoral de 2022. Apenas 31% se dizem contrários ao aumento, enquanto 5% não souberam ou não quiseram opinar. O levantamento ouviu 2.556 eleitores em 181 municípios entre os dias 25 e 27 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O resultado indica forte respaldo popular a uma das principais promessas de campanha de Lula, que já foi efetivada após sua posse, em janeiro de 2023, com o valor médio do benefício subindo de R$ 600 para R$ 678, além de um adicional de R$ 150 por criança de até seis anos.

**Contexto**

O Bolsa Família é o maior programa de transferência de renda do Brasil, atendendo cerca de 21 milhões de famílias em situação de pobreza e extrema pobreza. Criado em 2003, no primeiro governo Lula, o programa foi reformulado em 2021 pelo governo Bolsonaro, que o substituiu pelo Auxílio Brasil. Lula, ao retornar ao poder, recriou o Bolsa Família com novas regras e valores. O reajuste anunciado antes da eleição foi uma promessa central de sua campanha, visando recompor o poder de compra das famílias mais vulneráveis, que haviam sofrido com a inflação elevada. A medida foi implementada por meio de Medida Provisória logo no início do terceiro mandato de Lula, e posteriormente convertida em lei pelo Congresso Nacional.

A pesquisa Datafolha capta a opinião pública sobre esse reajuste específico, que foi um dos primeiros atos do novo governo. O alto índice de aprovação (64%) reflete a percepção de que o programa é essencial para a segurança alimentar e a estabilidade financeira de milhões de brasileiros. No entanto, os 31% de opositores representam uma parcela significativa da população, que questiona o impacto fiscal da medida e sua eficácia em reduzir a pobreza de forma sustentável. O levantamento também mostra que a aprovação é maior entre eleitores de Lula (cerca de 85%) e entre beneficiários do programa (acima de 90%), mas também atinge maioria entre aqueles que votaram em Jair Bolsonaro no segundo turno (aproximadamente 45% de aprovação entre esse grupo).

**Análise**

O resultado da pesquisa insere-se em um contexto mais amplo de debate sobre o papel do Estado na garantia de segurança social. O Bolsa Família, embora seja um programa de assistência, é frequentemente classificado como um instrumento de segurança alimentar e de renda mínima, diretamente ligado à proteção contra a fome e a miséria. A aprovação maciça sugere que a população valoriza essas funções de segurança básica, mesmo em um momento de restrições orçamentárias. O governo Lula tem defendido que o gasto social é um investimento na economia, pois o dinheiro injetado nas comunidades pobres gera consumo e movimenta o comércio local.

Por outro lado, a oposição de 31% dos entrevistados revela uma resistência que não pode ser ignorada. Críticos apontam que o reajuste, sem contrapartidas claras de geração de emprego e renda, pode criar uma dependência do programa e pressionar as contas públicas. O governo, por sua vez, argumenta que o Bolsa Família é um direito constitucional e que a segurança social é uma prioridade. A pesquisa Datafolha, ao mostrar uma aprovação de quase dois terços da população, dá ao governo um forte respaldo político para manter e até expandir o programa, mas também sinaliza a necessidade de diálogo com os setores que veem a medida com ceticismo.

Do ponto de vista da segurança pública, há estudos que correlacionam a redução da pobreza com a diminuição da criminalidade. Programas como o Bolsa Família, ao garantir uma renda mínima, podem contribuir para a estabilidade social e reduzir fatores de risco para a violência. Embora a pesquisa não aborde diretamente esse aspecto, o alto índice de aprovação indica que a população reconhece o programa como um elemento de segurança social ampla, que vai além do simples auxílio financeiro. O desafio para o governo será equilibrar a popularidade da medida com a sustentabilidade fiscal e a necessidade de políticas complementares de inclusão produtiva.

**Fontes**

- Datafolha: Pesquisa de opinião pública sobre o reajuste do Bolsa Família, realizada entre 25 e 27 de setembro de 2026, com 2.556 entrevistados em 181 municípios. Margem de erro de dois pontos percentuais. - Governo Federal: Dados oficiais sobre o valor do Bolsa Família e número de beneficiários. - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA): Estudos sobre impacto de programas de transferência de renda na segurança alimentar e social.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.