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Uma nova pesquisa do instituto Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (8 de outubro de 2026), aponta que 25% dos eleitores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declaram que a principal motivação para votar nele é derrotar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento, realizado entre os dias 5 e 7 de outubro com 2.500 eleitores em 130 municípios brasileiros, tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O dado reforça a tese de que a eleição presidencial de 2026 se consolida como um plebiscito sobre o legado petista e a rejeição ao ex-presidente, com o antipetismo funcionando como principal combustível da candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
**Contexto**
A pesquisa Datafolha ouviu eleitores de todos os principais candidatos à Presidência da República. No caso de Flávio Bolsonaro, que disputa o Planalto pela primeira vez como cabeça de chapa, o instituto perguntou: “Qual o principal motivo para você votar em Flávio Bolsonaro?”. As respostas foram agrupadas em categorias como “concordo com as propostas”, “é o menos pior”, “para derrotar Lula”, “porque é filho de Jair Bolsonaro” e “outros”. O percentual de 25% que citou “derrotar Lula” é o segundo maior entre os motivos apontados, atrás apenas de “concordo com as propostas”, que somou 32%. Entre os eleitores de Lula, o principal motivo citado foi “concordo com as propostas” (41%), seguido de “para derrotar Flávio Bolsonaro” (18%).
O levantamento ocorre em um momento de acirramento da polarização política. Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro desde 2019, herdou parte significativa do eleitorado do pai, Jair Bolsonaro, que está inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ex-presidente foi condenado por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante a campanha de 2022. Desde então, Flávio busca consolidar seu nome como herdeiro político do bolsonarismo, enfrentando resistências internas no PL e críticas de setores do centrão, que veem sua candidatura como arriscada diante da alta rejeição ao sobrenome Bolsonaro em parte do eleitorado.
A pesquisa também mostra que a rejeição a Lula segue elevada: 48% dos entrevistados afirmam que não votariam nele de jeito nenhum. Entre os eleitores de Flávio, esse índice sobe para 92%. O antipetismo, portanto, não é apenas um sentimento difuso, mas um fator estruturante da escolha eleitoral. Para os analistas políticos, o dado de que um em cada quatro eleitores do senador vota menos por convicção programática e mais por oposição ao PT revela a fragilidade da construção de uma candidatura positiva, baseada em propostas concretas.
**Análise**
O percentual de 25% de eleitores que escolhem Flávio Bolsonaro exclusivamente para derrotar Lula é um sinal de alerta para a campanha do senador. Em uma democracia madura, espera-se que o voto seja orientado por projetos de governo, propostas para áreas como economia, saúde, educação e segurança pública. Quando um quarto do eleitorado declara que o principal motor é a rejeição ao adversário, a campanha se torna refém do antipetismo e perde capacidade de dialogar com temas positivos. Isso pode ser um problema em um eventual segundo turno, quando o candidato precisa ampliar seu arco de alianças e conquistar eleitores que não são movidos apenas pela rejeição a Lula.
Por outro lado, o dado também mostra a força do antipetismo como ferramenta de mobilização. Em 2022, Jair Bolsonaro obteve 49,1% dos votos válidos no segundo turno contra Lula, mesmo com uma gestão marcada por crises sanitária, econômica e institucional. A rejeição ao PT foi o principal ativo da campanha bolsonarista. Flávio Bolsonaro tenta replicar essa estratégia, mas enfrenta o desafio de não ter o mesmo carisma e a mesma exposição nacional do pai. Além disso, o eleitor que vota “contra” tende a ser menos fiel e mais suscetível a mudanças de última hora, especialmente se o cenário econômico melhorar ou se surgirem denúncias contra o candidato.
A pesquisa também levanta questões sobre a qualidade do debate público. Quando o voto é definido mais pela rejeição a um nome do que pela adesão a um projeto, o espaço para propostas concretas se reduz. Os candidatos tendem a radicalizar o discurso, atacar o adversário pessoalmente e evitar compromissos programáticos detalhados. Isso empobrece a democracia e dificulta a formação de consensos mínimos para governar. O Brasil já viveu esse fenômeno em 2018, 2022 e agora em 2026, com a polarização entre bolsonarismo e petismo dominando o debate.
**Fontes**
- Pesquisa Datafolha, realizada entre 5 e 7 de outubro de 2026, com 2.500 eleitores em 130 municípios. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Nível de confiança: 95%. Registro no TSE: BR-01234/2026. - Dados de rejeição e intenção de voto divulgados pelo instituto Datafolha em 8 de outubro de 2026. - Informações sobre a inelegibilidade de Jair Bolsonaro: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decisão de junho de 2023. - Histórico de votações: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), resultados do segundo turno de 2022.
Por Renan Filho · 2026-10-08