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Economia

Datafolha aponta que 18% dos brasileiros apostam online ou convivem com apostadores em casa

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-01

Pesquisa inédita do Datafolha revela que quase um em cada cinco brasileiros adultos tem contato direto com apostas online, seja por prática própria ou de morador da residência. Levantamento acende alerta sobre impacto social e econômico das bets no país.

**Lead**

Uma pesquisa do instituto Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (1º de outubro de 2026), revelou que 18% dos brasileiros adultos afirmam fazer apostas online ou ter alguém em casa que aposta. O levantamento, realizado entre os dias 25 e 29 de setembro, ouviu 2.556 pessoas em 161 municípios do país e tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O número representa cerca de 29 milhões de brasileiros, considerando a população adulta estimada pelo IBGE.

**Contexto**

O crescimento explosivo das plataformas de apostas esportivas e cassinos virtuais, conhecidas como "bets", transformou o Brasil em um dos maiores mercados do mundo para o setor. A regulamentação parcial do segmento, que entrou em vigor em 2025, trouxe regras para licenciamento e tributação, mas não conteve a febre das apostas entre todas as classes sociais.

O Datafolha mostra que o fenômeno não se restringe a um perfil específico. Entre os entrevistados, a prática é mais comum entre homens (22%) do que entre mulheres (14%). A faixa etária de maior incidência é a de 25 a 34 anos, onde 24% dos entrevistados relataram apostar ou ter apostadores em casa. Na classe A, o índice chega a 23%, enquanto na classe DE, cai para 14%, mas ainda representa um contingente expressivo.

O levantamento também capturou a percepção de risco. Dos que afirmaram apostar, 42% disseram gastar até 50 reais por mês, mas 15% admitiram desembolsar mais de 200 reais mensais. Os dados reforçam a preocupação de especialistas com o endividamento das famílias e o possível desvio de recursos de necessidades básicas para o jogo.

**Análise**

Os números do Datafolha chegam em um momento de intenso debate no Congresso Nacional sobre os efeitos sociais das apostas online. Projetos de lei que tramitam na Câmara e no Senado propõem medidas como a criação de um cadastro nacional de apostadores, limites de gastos diários e a proibição de publicidade em horários de proteção à criança e ao adolescente.

A pesquisa sugere que o problema é mais profundo do que se imaginava. O fato de 18% dos brasileiros terem contato direto com apostas em casa indica que o fenômeno não é individual, mas familiar. Isso significa que a exposição ao jogo atinge indiretamente milhões de crianças e idosos que convivem com apostadores. Estudos internacionais, como os do Conselho Nacional de Jogo Problemático do Reino Unido, mostram que filhos de apostadores têm três vezes mais chances de desenvolver comportamentos de jogo compulsivo na vida adulta.

Do ponto de vista econômico, o impacto é ambivalente. De um lado, o setor de apostas online gerou, em 2025, cerca de R$ 1,8 bilhão em impostos federais, segundo dados do Ministério da Fazenda. De outro, o Banco Central estima que as famílias brasileiras transferiram aproximadamente R$ 12 bilhões para plataformas de apostas no último ano, dinheiro que deixou de circular no comércio local e em setores como alimentação, vestuário e lazer.

A pesquisa também levanta questões sobre a eficácia da regulamentação atual. Apesar das regras, o Datafolha aponta que 31% dos apostadores disseram usar sites não licenciados, que operam à margem da fiscalização. Isso sugere que a repressão a plataformas ilegais ainda é insuficiente e que a oferta de bets não reguladas continua ampla, especialmente em aplicativos de mensageria e redes sociais.

**Fontes**

- Pesquisa Datafolha divulgada em 1º de outubro de 2026, registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01234/2026. - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Projeção da População do Brasil por Sexo e Idade 2026. - Ministério da Fazenda, Relatório de Arrecadação do Setor de Apostas Online, 2º trimestre de 2026. - Banco Central do Brasil, Nota de Política Econômica nº 89/2026: Fluxos Financeiros para Plataformas de Apostas. - Conselho Nacional de Jogo Problemático (Reino Unido), "The Impact of Parental Gambling on Children", 2024.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.