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Esportes

Datafolha revela que 18% dos brasileiros apostam online ou vivem com apostadores

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-01

Pesquisa Datafolha mostra que quase um em cada cinco brasileiros tem contato direto com apostas esportivas online, acendendo alerta sobre regulamentação e vício.

**Lead**

Uma nova pesquisa do Datafolha divulgada neste mês aponta que 18% dos brasileiros afirmam fazer apostas online em eventos esportivos ou convivem com alguém em casa que realiza esse tipo de aposta. O levantamento, realizado com mais de 2.000 entrevistados em todas as regiões do país, revela a rápida penetração das chamadas “bets” no cotidiano nacional, especialmente entre adultos jovens e nas regiões metropolitanas. O dado reforça o debate sobre os impactos das apostas esportivas no Brasil, que legalizou o setor em 2018, mas ainda enfrenta desafios de regulamentação e combate à dependência.

**Contexto**

O crescimento das plataformas de apostas online no Brasil é notável desde a promulgação da Lei 13.756/2018, que permitiu a exploração comercial de apostas de quota fixa. Nos últimos três anos, grandes empresas internacionais – como Bet365, Sportingbet e 1xBet – passaram a dominar o mercado, com investimentos milionários em patrocínios de clubes e transmissões esportivas. A Série A do Campeonato Brasileiro, por exemplo, tem hoje ao menos 15 clubes estampando marcas de apostas em seus uniformes. A pesquisa Datafolha, encomendada por entidades de defesa do consumidor, ouviu 2.024 pessoas entre os dias 18 e 20 de setembro de 2026, em 130 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento mostrou que, entre os 18% que apostam ou têm apostadores em casa, a maioria é do sexo masculino (64%), tem entre 25 e 39 anos (52%) e reside nas capitais (41%). O valor médio mensal gasto em apostas foi estimado em R$ 180,00, com 12% dos apostadores afirmando já ter deixado de pagar contas essenciais para continuar apostando.

O fenômeno não é isolado. Em outros países, como Reino Unido e Austrália, a prevalência de apostas esportivas ultrapassa 20% da população adulta, com impactos documentados em saúde mental e finanças domésticas. No Brasil, a falta de uma agência reguladora independente e a demora na implementação de regras claras para publicidade e combate ao vício têm sido criticadas por especialistas. Em julho de 2026, o Ministério da Fazenda anunciou a criação de um cadastro nacional de apostadores, mas a medida ainda depende de aprovação no Congresso. Enquanto isso, as plataformas operam com autorização provisória, e as denúncias de aliciamento de menores e propaganda enganosa aumentaram 35% no último ano, segundo o Procon-SP.

**Análise**

A porcentagem de 18% de envolvimento direto com apostas online é um sinal de que o hábito já se enraizou na cultura esportiva brasileira, mas também acende um alerta vermelho para os riscos. O esporte, que historicamente une torcedores em torno da paixão pelo jogo, agora se vê permeado por interesses financeiros que podem alterar a percepção do público. Estudos internacionais mostram que a exposição constante a anúncios de apostas aumenta a probabilidade de comportamento compulsivo, especialmente entre jovens. No Brasil, onde a renda média é inferior à de países desenvolvidos, cada real gasto em apostas representa uma escolha difícil entre lazer e necessidade. A pesquisa Datafolha não mediu diretamente o endividamento, mas os 12% que admitiram sacrificar contas essenciais sugerem que o problema já é relevante.

Por outro lado, o mercado de apostas online movimenta cerca de R$ 12 bilhões anuais no Brasil, gerando empregos e arrecadação tributária. A regulamentação completa, com taxação justa e mecanismos de proteção ao apostador, pode transformar esse setor em uma fonte de receita para políticas públicas, como já ocorre no Reino Unido, onde 10% da arrecadação com jogos é destinada ao tratamento de dependentes. A questão, portanto, não é proibir, mas fiscalizar. A pesquisa Datafolha serve como um termômetro urgente para que o governo e as ligas esportivas atuem de forma coordenada, antes que o vício em apostas se torne uma epidemia nacional. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) já sinalizou apoio a medidas de autorregulação, mas sem resultados concretos até o momento.

**Fontes**

Pesquisa Datafolha, setembro de 2026. Dados divulgados pelo instituto em 28 de setembro e repercutidos por veículos como Folha de S.Paulo e G1. Informações adicionais sobre regulamentação: Lei 13.756/2018, Ministério da Fazenda, Procon-SP, relatórios da CBF sobre patrocínios de apostas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.