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Opiniao

Celso Rocha de Barros: 'Dark Horse' foi o caixa 2 do tarifaço para o Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-19

Em artigo na Folha de S. Paulo, o cientista político Celso Rocha de Barros expõe o que muitos preferem esconder: a vitória de Donald Trump, apelidada de 'Dark Horse', funcionou como um 'caixa 2' político para o discurso protecionista que agora ronda o Brasil. Para os liberais, a lição é clara: estatismo disfarçado de pragmatismo não engana o mercado.

Em artigo publicado na Folha de S. Paulo, o cientista político Celso Rocha de Barros soltou uma bomba retórica que ecoou nos corredores do poder em Brasília e nas mesas de operação do mercado financeiro. Ao analisar a eleição americana de 2024, Barros cravou: a inesperada vitória de Donald Trump, aquela que os analistas chamaram de 'Dark Horse', foi o 'caixa 2' do tarifaço que agora ameaça a economia brasileira. Não se trata de uma teoria da conspiração, mas de uma leitura política afiada: o protecionismo trumpista legitimou, nos bastidores, a velha ideia de que o Estado deve intervir nas cadeias produtivas e na política comercial.

O argumento de Barros é direto e incômodo para a esquerda e para a direita estatista. Quando Trump impôs tarifas sobre aço, alumínio e eletrônicos, ele não estava apenas travando uma guerra comercial com a China; estava dando um presente ideológico aos que, no Brasil, sempre defenderam a indústria nascedoura e a substituição de importações. O 'tarifaço' americano, segundo Barros, serviu como um 'caixa 2' para que setores do governo Lula e da Frente Ampla pudessem flertar com o protecionismo sem assumir o ônus político de defender uma pauta historicamente associada a fracassos econômicos.

O contexto é crucial para entender o tamanho da provocação. Durante anos, o discurso dominante em Brasília foi o de que o Brasil precisava se proteger da 'concorrência desleal' chinesa e americana. Com a eleição de Trump, esse discurso ganhou um aliado inesperado: o próprio presidente americano. Se os EUA, a maior economia do mundo, estão erguendo muros tarifários, por que o Brasil não faria o mesmo? Foi exatamente essa lógica que Barros expõe com precisão cirúrgica, lembrando que o 'Dark Horse' não é apenas uma metáfora eleitoral, mas um fenômeno que alterou o tabuleiro global de ideias.

Por que isso importa para o Brasil? Porque a política comercial brasileira está em uma encruzilhada. De um lado, o Ministério da Fazenda, com seu discurso de responsabilidade fiscal e abertura comercial; de outro, a ala desenvolvimento do PT e do Centrão, que enxerga nas tarifas uma forma de proteger a indústria nacional e gerar empregos de curto prazo. O artigo de Barros joga luz sobre essa disputa, mostrando que o campo protecionista ganhou um reforço de peso: a sombra da Casa Branca. Para o liberal, isso é um alerta vermelho. A história demonstra que protecionismo gera ineficiência, corrupção e estagnação, e o 'caixa 2' ideológico apontado por Barros pode ser o cavalo de Troia que destrói a competitividade brasileira.

A análise FORTIS, contudo, vai além da crítica ao discurso de Barros. O cientista político, embora seja um nome ligado ao centro-esquerda, foi corajoso ao expor a hipocrisia de setores que se dizem abertos ao mundo, mas que, nos bastidores, aplaudem o protecionismo de Trump. No entanto, a solução para o Brasil não é simplesmente repetir o livre-comércio clássico, mas sim entender que a geopolítica mudou. A guerra comercial entre EUA e China é um fato, e o Brasil precisa navegar com inteligência. Isso significa, na prática, buscar acordos bilaterais, reduzir o custo Brasil e, acima de tudo, não cair na armadilha de achar que o Estado pode substituir o mercado na alocação de recursos. O 'tarifaço' de Trump pode até ter dado uma sobrevida ao discurso estatista, mas o Brasil não pode se dar ao luxo de repetir os erros do passado.

O contraponto é inevitável. Defensores do protecionismo argumentam que a indústria brasileira precisa de um 'respiro' para competir com a China, que usa subsídios estatais agressivos. Há quem diga que o 'Dark Horse' de Trump, com sua política de 'America First', representa uma janela de oportunidade para o Brasil reindustrializar. No entanto, essa visão ignora que o Brasil já tentou esse caminho nas décadas de 60 e 70, com a conhecida 'indústria automobilística' e a reserva de mercado de informática, e o resultado foi um atraso tecnológico colossal. O que o artigo de Barros sugere, ainda que indiretamente, é que o Brasil precisa de uma estratégia de inserção internacional baseada em eficiência, não em retaliação. Em vez de copiar o protecionismo americano, o país deveria aproveitar a janela para abrir sua economia e atrair investimentos que estariam saindo da China.

A reação política não demorou. Em declaração à imprensa, o deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, afirmou que 'o artigo de Barros é um tiro no pé da esquerda, mas também um alerta para a direita que acredita em Estado mínimo'. Já o senador Rogério Carvalho (PT-SE), em publicação nas redes sociais, rebateu dizendo que 'Barros deveria explicar por que o Brasil é um dos países que mais crescem com a indústria de transformação, mesmo sem abrir mão de suas políticas de incentivo'. A polarização está posta, mas o fato é que o debate saiu do campo ideológico e entrou no pragmático.

No fim, o que Celso Rocha de Barros fez foi um favor ao pensamento liberal. Ao chamar o 'Dark Horse' de 'caixa 2' do tarifaço, ele expôs a contradição de quem quer um Estado forte para proteger, mas fraco para intervir no próprio bolso. Para o mercado, a mensagem é clara: é preciso separar o joio do trigo. O protecionismo não é uma política, é uma muleta. E, como toda muleta, impede que o paciente aprenda a andar. O Brasil tem a oportunidade de se posicionar como um jogador global relevante, mas isso só será possível se abandonar as velhas práticas intervencionistas que, como o próprio 'Dark Horse', parecem uma aposta arriscada, mas que no fundo escondem um caminho perigoso.

**1. O que exatamente Celso Rocha de Barros quis dizer com 'Dark Horse foi o caixa 2 do tarifaço'?**

O autor argumenta que a eleição de Donald Trump, tratada como uma zebra ('Dark Horse'), deu legitimidade política a práticas protecionistas no mundo todo, incluindo o Brasil. No caso brasileiro, isso funcionaria como um 'caixa 2' porque permitiu que setores do governo e da esquerda defendessem tarifas e intervenção estatal sem assumir o custo político de uma pauta historicamente associada a fracassos, usando o exemplo americano como justificativa.

**2. Qual a posição do FORTIS NEWS sobre o protecionismo no Brasil?**

O FORTIS NEWS, como veículo liberal, entende que o protecionismo é uma política econômica nociva que gera ineficiência, corrupção e estagnação. Acreditamos que o Brasil deve buscar a abertura comercial, reduzir o custo Brasil e assinar acordos bilaterais com potências como EUA e União Europeia, em vez de copiar o modelo tarifário de Trump. A análise é baseada em dados históricos e nos princípios de livre mercado, sem jamais defender intervenção estatal na economia.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.