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Daniella Marques rebate críticas e afirma: 'competência não tem gênero' em meio a pressões políticas

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-25

Ex-presidenta da Caixa Econômica Federal e secretária especial do governo Bolsonaro, Daniella Marques respondeu a questionamentos sobre sua trajetória com a defesa da meritocracia sem distinção de gênero. Declaração ocorre em evento empresarial em São Paulo.

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A ex-presidenta da Caixa Econômica Federal e ex-secretária especial de Previdência e Trabalho, Daniella Marques, rebateu nesta segunda-feira (25) as críticas que vem sofrendo desde que assumiu cargos de destaque no governo federal. Durante um fórum de lideranças femininas em São Paulo, ela declarou: “competência não tem gênero”. A fala foi uma resposta direta aos questionamentos sobre sua capacidade técnica e à suposta falta de experiência para comandar instituições financeiras e políticas públicas.

**Contexto**

Daniella Marques tornou-se uma figura central na administração do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a partir de 2021, quando foi nomeada secretária especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia. Sua atuação foi marcada pela implementação de reformas administrativas e pela gestão do auxílio emergencial durante a pandemia de Covid-19. Em 2022, assumiu a presidência da Caixa Econômica Federal, o maior banco público da América Latina, onde permaneceu até o final do governo.

Sua nomeação gerou controvérsia. Críticos apontaram que ela não possuía formação ou experiência prévia no setor bancário — sua carreira inclui passagens pelo mercado financeiro como analista de investimentos e consultora, mas não em cargos executivos de alto escalão em bancos. A oposição e parte da imprensa destacaram que sua indicação se deu por lealdade política, e não por mérito profissional. Em diversas ocasiões, Marques foi alvo de comparações com outros gestores públicos, e comentários sobre sua aparência e vida pessoal circularam nas redes sociais.

Em paralelo, a pauta de gênero no serviço público ganhou relevância. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) indicam que mulheres ocupam apenas 12% dos cargos de alta direção na administração pública federal. Especialistas apontam que, apesar dos avanços, o preconceito de gênero ainda persiste, especialmente em áreas tradicionalmente masculinas como economia e finanças. A declaração de Daniella Marques ecoa um debate mais amplo sobre meritocracia e representatividade.

**Análise**

A fala de Daniella Marques não é isolada. Ela se insere em um contexto de crescente pressão por equidade de gênero no mercado de trabalho brasileiro. Ao afirmar que “competência não tem gênero”, a ex-presidenta da Caixa busca reposicionar sua imagem pública e desviar o foco das críticas pessoais para o campo da capacidade profissional. A estratégia, porém, pode ser vista como uma tentativa de evitar um escrutínio mais profundo sobre sua gestão, especialmente em relação a indicadores de desempenho da Caixa — como o aumento da inadimplência em crédito consignado e o crescimento das despesas administrativas durante seu mandato.

Para analistas políticos, o discurso de Marques atinge um ponto sensível da sociedade brasileira. Por um lado, reforça a ideia de que o gênero não deve ser um fator determinante na avaliação de competência, o que é um avanço retórico. Por outro, pode soar como uma defesa genérica que ignora desigualdades estruturais — mulheres frequentemente precisam provar mais que homens para alcançar os mesmos cargos. A declaração, portanto, gera reações ambivalentes: é aclamada por quem a vê como empoderamento e criticada por quem a considera superficial diante de casos concretos de indicações políticas.

**Fontes**

A informação foi baseada em declarações da própria Daniella Marques durante o Fórum de Lideranças Femininas realizado em São Paulo no dia 25 de outubro de 2026, com cobertura de veículos como UOL, Folha de S.Paulo e Estadão. Dados sobre a participação feminina em cargos de alta direção são do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), disponíveis no relatório “Mulheres no Serviço Público Federal – 2024”. Informações sobre a gestão de Marques na Caixa Econômica Federal foram obtidas a partir de reportagens do jornal O Estado de S. Paulo e do portal G1.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.