**Lead**
A ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, notificou extrajudicialmente a Central Única dos Trabalhadores (CUT) após um site que coordena a pressão pelo fim da escala de trabalho 6x1 expor seus contatos pessoais na internet. O caso, ocorrido nesta semana, levanta questões sobre os limites da atuação de movimentos trabalhistas e a proteção de dados pessoais de figuras públicas.
**Contexto**
A escala 6x1 — seis dias consecutivos de trabalho seguidos de um dia de folga — tem sido alvo de intensa mobilização nas redes sociais e em plataformas digitais. Um portal criado por ativistas e sindicalistas passou a reunir assinaturas e organizar ações para pressionar o Congresso Nacional a aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduza a jornada máxima para 36 horas semanais e elimine o modelo 6x1. O site, cujo nome não foi divulgado oficialmente, publicou uma lista com dados pessoais de parlamentares e autoridades que se posicionaram contra a proposta, incluindo Damares Alves.
Segundo a assessoria da ex-ministra, foram expostos seu número de telefone celular e seu endereço residencial, o que ela classificou como “violação grave da privacidade e incitação ao assédio”. Damares, que atualmente exerce mandato de deputada federal pelo Republicanos-DF, é uma das vozes contrárias à PEC, argumentando que a mudança pode prejudicar pequenos empresários e setores como comércio e serviços.
A notificação foi enviada à CUT na última segunda-feira, 5 de outubro, exigindo a remoção imediata do conteúdo e a identificação dos responsáveis pela publicação. A central sindical, por sua vez, afirmou em nota que não mantém vínculo formal com o site, mas reconheceu que a plataforma é utilizada por militantes ligados a movimentos trabalhistas. A CUT disse estar apurando os fatos e se colocou à disposição para colaborar com as autoridades.
**Análise**
O episódio expõe a tensão crescente entre o ativismo digital por direitos trabalhistas e a proteção de dados pessoais, especialmente de figuras públicas. Embora a exposição de contatos de políticos seja uma prática comum em campanhas de pressão popular, ela esbarra na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e no Código Penal, que tipificam a divulgação não autorizada de informações privadas. Damares, ao recorrer à via extrajudicial, sinaliza que pretende usar a legislação para coibir o que considera um excesso do movimento.
Por outro lado, a campanha pelo fim da 6x1 ganhou força nas últimas semanas, com milhares de adesões online e apoio de parlamentares da oposição. O site em questão tornou-se uma ferramenta de mobilização, mas a falta de controle sobre os dados publicados pode desgastar a causa. A notificação à CUT, mesmo que indireta, coloca a central sindical em uma posição delicada: apoiar a iniciativa sem assumir responsabilidade legal.
O caso também reacende o debate sobre os limites do ativismo digital. Enquanto defensores da PEC argumentam que a exposição de contatos é uma forma legítima de pressão democrática, críticos apontam que a prática pode configurar assédio e colocar em risco a segurança de autoridades. A decisão judicial que pode vir a ser tomada servirá de precedente para futuras ações desse tipo.
**Fontes**
Nota oficial da assessoria de imprensa da deputada Damares Alves, divulgada em 5 de outubro de 2026. Comunicado da Central Única dos Trabalhadores (CUT) publicado em seu site institucional. Reportagens dos portais UOL e G1 sobre o movimento pelo fim da escala 6x1 e a atuação do site de pressão.
Por Renan Filho · 2026-10-07