**Lead** Na véspera do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, uma nova pesquisa do instituto BTG/Nexus, divulgada neste sábado, 24 de outubro, acirra ainda mais o clima de disputa. O levantamento aponta que o candidato Flávio tem 50,5% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva registra 49,5% — diferença de apenas um ponto percentual, dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. O resultado reforça o cenário de absoluta imprevisibilidade que toma conta do país, com ambos os lados intensificando as mobilizações de rua e as campanhas digitais nas últimas horas.
**Contexto** A pesquisa BTG/Nexus ouviu 2.500 eleitores em todas as regiões do país entre os dias 21 e 23 de outubro, com nível de confiança de 95%. O levantamento é considerado um dos mais acompanhados pela comunidade política e pela imprensa, sendo realizado em parceria entre o Banco BTG Pactual e a consultoria Nexus. O número de votos válidos exclui brancos e nulos, metodologia que simula o resultado real da urna. No primeiro turno, Lula obteve 48,4% dos votos válidos, e Flávio, 43,2%, com uma diferença de mais de cinco pontos. A vantagem agora se inverteu, indicando uma forte migração de eleitores indecisos e de candidatos eliminados, especialmente do campo conservador e de centro.
O cenário de empate técnico reflete uma cultura política marcada por forte polarização afetiva, na qual as identificações partidárias e as narrativas emocionais muitas vezes superam propostas programáticas. As redes sociais tornaram-se palco de uma guerra de informações, com circulação de memes, vídeos e discursos que acentuam as divisões entre os segmentos pró-Flávio e pró-Lula. Nesse ambiente, a pesquisa não é apenas um dado estatístico, mas um artefato cultural que alimenta debates em famílias, bares, igrejas e grupos de WhatsApp.
Do ponto de vista demográfico, o levantamento do BTG/Nexus mostra um padrão já conhecido: Lula lidera entre eleitores com menor renda e escolaridade, no Nordeste e em áreas rurais; Flávio tem vantagem entre os mais ricos, no Sul e Sudeste e entre evangélicos. A eleição, portanto, não é apenas uma escolha de governo, mas expressa clivagens profundas de classe, região e religião que estruturam a sociedade brasileira.
**Análise** O dado de 50,5% para Flávio e 49,5% para Lula, embora dentro da margem de erro, tem um significado simbólico importante. Ele sugere que a campanha de Flávio conseguiu reverter a desvantagem do primeiro turno, apoiada sobretudo em discursos de segurança pública, valores conservadores e na crítica à corrupção. Já Lula mantém a força em sua base histórica, com promessas de ampliação de programas sociais e defesa da democracia. Essa disputa acirrada transforma a votação de domingo em um verdadeiro termômetro da cultura política nacional: de um lado, a tradição trabalhista e desenvolvimentista; de outro, o liberalismo moral e econômico que ganhou força nos últimos anos.
A cultura eleitoral brasileira, nesse contexto, vai além do voto. Ela se manifesta em camisetas, adesivos, músicas de campanha, perfis de redes sociais — uma verdadeira estética da disputa. O uso intensivo de cores (vermelho para Lula, azul ou verde para Flávio) e símbolos partidários cria uma semiótica que organiza o cotidiano. As pesquisas, por sua vez, funcionam como rituais de antecipação do resultado, mobilizando ansiedade e esperança. O empate técnico na véspera do pleito amplifica a sensação de que cada voto terá um peso decisivo, o que aumenta a participação popular e a fiscalização dos processos.
**Fontes** Os dados mencionados têm como fonte a pesquisa BTG/Nexus divulgada em 24 de outubro de 2026, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01651/2026. Informações contextuais sobre o primeiro turno e perfil do eleitorado foram obtidas do Tribunal Superior Eleitoral e de levantamentos anteriores do Datafolha e do Ipec.
Por Renan Filho · 2026-10-24