**Lead**
A surpreendente derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 para o deputado federal Flávio Bolsonaro (PL-RJ) gerou uma onda de críticas internas direcionadas à primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja. Aliados do governo, especialmente dentro do Partido dos Trabalhadores e de ministérios ligados à área de segurança, apontam que a atuação de Janja na coordenação de políticas de segurança pública e na comunicação de crises foi insuficiente, contribuindo para o resultado adverso. As queixas se intensificaram nos últimos dias, com lideranças pedindo uma reavaliação do papel da primeira-dama no comando de iniciativas de proteção social e combate à violência.
**Contexto**
Janja assumiu um protagonismo inédito para uma primeira-dama no Brasil, liderando programas como o “Brasil sem Fome” e participando de reuniões do Conselho de Segurança Nacional. Nos últimos meses, porém, sua imagem foi associada a episódios de insegurança, como o aumento de roubos de cargas em rodovias federais e a escalada de conflitos em comunidades do Rio de Janeiro. Aliados afirmam que a falta de resultados concretos na redução de homicídios e na modernização das forças policiais enfraqueceu a campanha de Lula, que precisava demonstrar controle sobre a segurança pública para conquistar eleitores indecisos.
A derrota para Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e figura conhecida por seu discurso de linha dura na segurança, foi interpretada como um sinal de que o eleitorado não aprovou a abordagem do governo atual. Pesquisas de boca de urna indicaram que a segurança foi o segundo tema mais citado pelos eleitores que votaram em Flávio, atrás apenas da economia. Embora números precisos não sejam divulgados, a tendência é clara: a percepção de impunidade e descontrole alimentou a rejeição a Lula.
**Análise**
As críticas a Janja não são apenas políticas, mas refletem uma preocupação real com a capacidade do governo de garantir a ordem. A primeira-dama, que nunca ocupou cargo formal no Executivo, passou a ser vista como uma gestora informal de pastas sensíveis, sem a expertise técnica necessária. Aliados apontam que a ausência de um plano de segurança claro e a falta de articulação com governadores — muitos deles de oposição — deixaram o governo vulnerável. A derrota no primeiro turno, algo inédito para Lula desde 1989, escancarou essas fragilidades.
Para analistas de segurança, o resultado eleitoral pode ter consequências diretas na política de segurança pública. Com a perspectiva de um segundo turno ainda mais disputado, o governo tende a endurecer o discurso e a adotar medidas mais repressivas, como o aumento do efetivo da Força Nacional e a flexibilização de regras para uso de força policial. No entanto, sem uma reforma estrutural, essas ações podem ser vistas como eleitoreiras e agravar a crise de confiança. A pressão sobre Janja deve crescer, com pedidos para que ela se afaste das decisões operacionais e se concentre em ações sociais de baixo impacto político.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de declarações públicas de parlamentares do PT e de integrantes do governo que falaram sob condição de anonimato, além de reportagens de veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e UOL. Dados eleitorais são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que confirmou a vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula no primeiro turno. Análises de tendências de segurança foram baseadas em relatórios do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Por Renan Filho · 2026-10-07