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Ciencia

Presidente da Faesp critica aprovação do fim da escala 6×1 e alerta para riscos ao agronegócio

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-15

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo manifestou preocupação com a extinção da jornada 6×1, argumentando que a medida pode aumentar custos e reduzir a competitividade do setor agropecuário brasileiro, com impactos na produtividade científica e tecnológica do campo.

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O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) criticou publicamente a aprovação do fim da escala de trabalho 6×1, durante evento realizado nesta semana na capital paulista. A medida, que altera a jornada de trabalho de seis dias consecutivos seguidos de um de descanso para um modelo mais flexível, foi apontada pelo dirigente como uma ameaça direta à produtividade do agronegócio brasileiro. Segundo ele, a mudança pode elevar significativamente os custos operacionais e comprometer a capacidade do setor de investir em inovação e pesquisa científica no campo.

**Contexto**

A escala 6×1 é amplamente adotada em atividades rurais e em diversas cadeias produtivas do agronegócio, especialmente naquelas que exigem continuidade operacional, como a pecuária leiteira, a avicultura e a produção de hortifrútis. A proposta de extinção desse modelo foi aprovada em comissão especial da Câmara dos Deputados na última semana, gerando reações imediatas de entidades representativas do setor. A Faesp, que congrega mais de 200 sindicatos rurais paulistas, tem se posicionado de forma contrária à mudança, argumentando que ela não leva em conta as particularidades do trabalho no campo.

O agronegócio brasileiro é um dos pilares da economia nacional, responsável por cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) e por parcela expressiva das exportações. A atividade agrícola e pecuária depende de ciclos biológicos e sazonais que muitas vezes não se adaptam a jornadas de trabalho padronizadas. A escala 6×1, embora criticada por movimentos trabalhistas, é defendida por produtores como uma ferramenta que permite maior flexibilidade para atender picos de demanda, como colheitas e plantios. A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo alerta que a aprovação da medida sem um debate aprofundado pode levar ao aumento do desemprego no setor e à informalidade.

A discussão ganhou contornos científicos quando especialistas em ergonomia e produtividade do trabalho rural passaram a ser consultados. Pesquisas da área de ciências agrárias indicam que a jornada contínua de seis dias pode ser mais adequada para atividades que exigem concentração de esforços em períodos críticos, desde que acompanhada de pausas adequadas. No entanto, os estudos também mostram que a fadiga acumulada pode reduzir a eficiência a longo prazo. A Faesp, por sua vez, critica a falta de embasamento técnico na decisão e defende que qualquer alteração na legislação trabalhista deve ser precedida de estudos de impacto setorial.

**Análise**

A crítica do presidente da Faesp não se limita a aspectos econômicos. Ela toca em um ponto crucial para o futuro do agronegócio brasileiro: a capacidade de manter a produtividade científica e tecnológica. O setor agropecuário brasileiro é reconhecido mundialmente por seus avanços em pesquisa, como o desenvolvimento de variedades resistentes a pragas e sistemas integrados de produção. Esses avanços dependem de mão de obra especializada e de condições de trabalho que permitam a continuidade das operações experimentais. Uma mudança abrupta na escala de trabalho pode desorganizar cronogramas de pesquisa, especialmente em centros de inovação vinculados a universidades e empresas privadas.

Além disso, a medida pode afetar a adoção de tecnologias como a agricultura de precisão e a automação, que exigem equipes treinadas e disponíveis em horários específicos. O presidente da Faesp argumentou que, sem a flexibilidade da escala 6×1, muitos produtores rurais podem optar por reduzir investimentos em tecnologia, prejudicando a chamada agricultura 4.0. Essa tendência, se confirmada, representaria um retrocesso na aplicação de conhecimentos científicos no campo, justamente em um momento em que o Brasil busca se consolidar como potência agroambiental.

Por outro lado, defensores do fim da escala 6×1 apontam para a necessidade de garantir direitos trabalhistas e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores rurais. Eles citam evidências de que jornadas excessivas podem aumentar os acidentes de trabalho e reduzir a produtividade no longo prazo. A ciência do trabalho, no entanto, ainda não chegou a um consenso sobre o modelo ideal para o setor agropecuário. O que se observa é que a decisão política tomada sem ampla consulta aos atores envolvidos pode gerar consequências imprevisíveis.

**Fontes**

As informações foram baseadas em declarações públicas do presidente da Faesp, Tirso Meirelles, registradas em eventos oficiais e veiculadas por canais de comunicação do setor agropecuário. Dados sobre a participação do agronegócio no PIB são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Estudos sobre produtividade e ergonomia no trabalho rural foram referenciados em publicações da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo e da Associação Brasileira de Engenharia Agrícola. Nenhuma fonte do FORTIS NEWS foi utilizada na elaboração desta notícia.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.