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Economia

Crise no Ueno Bank arrasta recursos de estatais paraguaias para o Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-11-06

Instabilidade no setor financeiro paraguaio leva empresas públicas a remeterem ativos para o mercado brasileiro, aumentando a pressão sobre o governo de Assunção.

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Uma crise de confiança no Banco Ueno, instituição financeira paraguaia com atuação crescente no setor digital, está levando empresas estatais do Paraguai a transferirem recursos para o Brasil. O movimento, identificado nos últimos dias por observadores do mercado, ocorre em meio a temores sobre a liquidez do banco e a segurança de depósitos de órgãos públicos. A migração de ativos envolve montantes expressivos e já provoca reações nos governos dos dois países.

**Contexto**

O Banco Ueno é uma das instituições mais dinâmicas do Paraguai, com forte apelo entre consumidores jovens e empresas de pequeno porte. Sua expansão foi acelerada nos últimos anos, mas também aumentou a exposição a riscos típicos de economias emergentes, como oscilações cambiais e inadimplência. A crise teria sido desencadeada por uma combinação de fatores: deterioração da carteira de crédito, redução de depósitos de clientes corporativos e rumores de intervenção regulatória por parte do Banco Central do Paraguai.

Estatais paraguaias, como a Administración Nacional de Electricidad (ANDE), a Petróleos Paraguayos (Petropar) e a Empresa de Servicios Sanitarios del Paraguay (Essap), mantêm historicamente contas em bancos locais para gerir receitas de serviços públicos. Esses recursos são essenciais para o funcionamento de setores estratégicos, como energia, combustíveis e saneamento. A possibilidade de perdas decorrentes da instabilidade bancária levou os gestores dessas empresas a buscar alternativas mais seguras no exterior, com destaque para o Brasil, que possui um sistema financeiro robusto e uma regulação considerada exemplar na região.

O Banco Ueno, apesar de seu porte médio, conquistou participação relevante no mercado de crédito ao consumidor e no financiamento de pequenas empresas. Sua base de clientes inclui funcionários públicos e aposentados, o que amplia o impacto social de uma eventual quebra. A exposição a esses segmentos torna a crise não apenas um problema financeiro, mas também uma questão social, com potencial para afetar o consumo e a arrecadação de impostos.

O Banco Central do Paraguai, responsável pela supervisão do sistema financeiro, está acompanhando a situação. Até o momento, não há comunicado oficial detalhando medidas de contenção, mas a expectativa é que a instituição atue para preservar a confiança no setor. No Brasil, o Banco Central monitora os fluxos de capital estrangeiro, mas não há indicação de que a entrada de recursos paraguaios represente risco à estabilidade doméstica.

**Análise**

A transferência de recursos de estatais para o Brasil tem implicações profundas para o Paraguai. Em primeiro lugar, a saída de capitais reduz a base de depósitos do sistema bancário local, o que pode contrair o crédito e elevar as taxas de juros. Em segundo lugar, a remessa de ativos para o exterior pressiona a taxa de câmbio do guarani, encarecendo importações e alimentando a inflação. Para um país que depende de receitas de hidrelétricas e de exportações agrícolas, a instabilidade financeira representa um risco adicional ao equilíbrio fiscal.

Para o Brasil, a chegada de recursos paraguaios pode ser vista como um sinal de confiança no mercado doméstico, mas também levanta questões sobre a assimetria regulatória entre os países. Enquanto o Paraguai enfrenta dificuldades para conter a crise, o Brasil se beneficia de sua posição de maior economia da América do Sul. A crise do Ueno Bank evidencia a necessidade de uma coordenação mais estreita entre os órgãos reguladores da região, especialmente no que diz respeito à supervisão de bancos com operações transfronteiriças.

A crise também reacende o debate sobre a integração financeira no Mercosul. O bloco, que já enfrenta dificuldades para harmonizar políticas comerciais, agora vê a necessidade de avançar em mecanismos de cooperação bancária. A falta de um fundo de garantia comum ou de um sistema de supervisão regional torna mais difícil responder a choques localizados. O episódio do Ueno Bank pode servir de alerta para outros países da região, que observam com atenção os desdobramentos.

A situação também expõe a fragilidade de bancos menores em economias emergentes, que muitas vezes crescem rapidamente sem uma base de capital proporcional aos riscos assumidos. A migração de recursos estatais para o Brasil, embora compreensível do ponto de vista da segurança, pode agravar a crise no Paraguai ao retirar liquidez do sistema. O governo paraguaio, por sua vez, enfrenta o desafio de restaurar a confiança sem recorrer a medidas que possam ser interpretadas como um resgate indiscriminado.

**Fontes**

As informações são baseadas em relatos da imprensa paraguaia, como ABC Color e Última Hora, além de comunicados oficiais do Banco Central do Paraguai e do Banco Central do Brasil. Dados adicionais foram obtidos por meio de relatórios de agências de classificação de risco e análises de consultorias econômicas especializadas em mercados emergentes.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.