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Opiniao

A crise além do Supremo: Lara Mesquita escancara o colapso fiscal e a paralisia do Legislativo

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-20

Enquanto o Brasil concentra as atenções no ativismo do STF, a verdadeira crise se espalha pelo Congresso inerte, pelo Executivo perdulário e por uma máquina estatal que engole o setor produtivo. A analista liberal Lara Mesquita, em artigo recente, dissecou os nós que vão muito além da judicialização da política.

Para a maioria dos brasileiros, a crise institucional se resume aos embates entre o Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto. Mas, como argumenta a comentarista Lara Mesquita em análise publicada em seu blog pessoal no início deste mês, reduzir o debate a esse duelo é ignorar a podridão estrutural que corrói o país.

Segundo Mesquita, o Legislativo, que deveria ser o motor das reformas liberais, transformou-se em uma máquina de distribuição de emendas e cargos. A agenda de abertura comercial, desburocratização e responsabilidade fiscal simplesmente parou. Dados do Banco Central mostram que a dívida bruta do governo geral já ultrapassou 87% do PIB, e a trajetória é de alta, mesmo com a Selic em dois dígitos.

A analista destaca que o Executivo, independentemente de quem ocupe a cadeira, age como um gestor de curto prazo. O arcabouço fiscal aprovado em 2023, que prometia âncoras críveis, já foi furado duas vezes, conforme relatório do Tesouro Nacional divulgado em agosto. O resultado é a pressão inflacionária persistente, que corroi o poder de compra das famílias e inibe o investimento privado.

Por que isso importa? Porque o Brasil está perdendo a janela histórica de reorganização do Estado. Enquanto países como Argentina e Chile avançam com desregulamentações e cortes de gastos, o Brasil acumula medidas intervencionistas. Em declaração à Rádio CBN, o economista José Roberto Afonso afirmou que a carga tributária brasileira, já próxima de 35% do PIB, tende a crescer com a reforma tributária que tramita no Senado.

Lara Mesquita aponta que o verdadeiro “orçamento secreto” não está no STF, mas nas estatais e nos fundos públicos que consomem bilhões sem qualquer contrapartida. A Petrobras, por exemplo, mantém uma política de preços que onera o consumidor e distorce os mercados, como mostrou o relatório do Tribunal de Contas da União de 2025.

Análise FORTIS: A crise além do Supremo é, na verdade, a crise do modelo estatizante que sobrevive a todos os governos. O ativismo judicial é um sintoma, não a causa. A causa é a falta de limites ao crescimento do Estado, alimentada por um Congresso que legisla em causa própria e por um Executivo que prefere gastar a reformar. O liberalismo tem as respostas, mas falta vontade política para implementá-las.

Contraponto: Há quem defenda que o STF, com decisões como a descriminalização do porte de drogas ou a garantia de direitos indígenas, está cumprindo seu papel de contrapeso democrático. A própria Lara Mesquita reconhece, em seu texto, que a Corte tem função relevante na proteção de minorias. No entanto, ela pondera que o excesso de protagonismo judicial paralisa o Legislativo e gera insegurança jurídica para contratos e investimentos.

Em nota técnica enviada ao Congresso em julho, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) alertou que o Brasil perdeu, só em 2025, cerca de R$ 120 bilhões em investimentos estrangeiros diretos por causa da volatilidade regulatória. O dado corrobora a tese de Mesquita: o país não precisa de mais juízes salvadores, mas de instituições que respeitem contratos e a liberdade econômica.

A analista encerra sua análise com uma provocação: enquanto o debate público se concentra em saber se o ministro X ou Y deve ser afastado, o Brasil real — com 8 milhões de desempregados, juros reais de 8% ao ano e uma infraestrutura sucateada — continua esperando reformas que nunca chegam. O problema não é apenas o Supremo. O problema é um sistema que premia a inação e pune o empreendedor.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.