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Tecnologia

Crime organizado atravessa fronteiras e exige cooperação internacional, defende Nelsinho Trad

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-23

Em debate sobre segurança pública, senador defende integração entre países para enfrentar facções transnacionais e pede modernização do Estado brasileiro.

**Lead**

O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) defendeu, em pronunciamento no Senado, que o enfrentamento ao crime organizado no Brasil exige obrigatoriamente uma estratégia internacional coordenada, com uso intensivo de tecnologia e inteligência. Para o parlamentar, as organizações criminosas já operam em rede global — financiando, recrutando e expandindo atividades por vários países — enquanto o Estado ainda age de forma fragmentada. A declaração ocorre em meio ao avanço de investigações sobre lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e armas, com repercussão direta nas fronteiras brasileiras, especialmente na Faixa de Fronteira com Paraguai e Bolívia.

**Contexto**

O pronunciamento de Nelsinho Trad se insere em um cenário de crescente preocupação com a atuação transnacional de facções brasileiras. Nos últimos anos, investigações da Polícia Federal e do Ministério Público identificaram células de organizações criminosas nacionais em países vizinhos e até na Europa, movimentando bilhões de reais em ativos ilícitos. O tráfico de drogas, o contrabando de armas e o garimpo ilegal são apontados como as principais fontes de receita desses grupos, que também exploram rotas cada vez mais sofisticadas para driblar a fiscalização. O senador defende que o Brasil amplie acordos bilaterais e multilaterais, compartilhando dados de inteligência em tempo real com outros países — especialmente por meio de sistemas integrados de rastreamento financeiro e digital.

O debate ganhou força após operações recentes que revelaram a capilaridade internacional das facções. Relatórios de órgãos de segurança apontam que o uso de criptomoedas e de aplicativos de mensagens criptografadas se tornou padrão entre lideranças criminosas, o que exige novas ferramentas de investigação. Nesse contexto, Nelsinho Trad destaca que a tecnologia deve ser aliada do Estado, tanto no monitoramento de fronteiras quanto na análise de grandes volumes de dados financeiros. A integração entre polícias, sistemas judiciais e unidades de inteligência financeira de diversos países é, segundo o senador, o único caminho viável para desarticular estruturas que não respeitam limites territoriais. Ele também defendeu que a cooperação não pode se limitar a acordos formais, mas precisa se traduzir em ações práticas de treinamento, equipamento e compartilhamento de informações.

**Análise**

O posicionamento de Nelsinho Trad reflete uma preocupação que vai além da segurança pública tradicional: é um reconhecimento de que o crime organizado se modernizou mais rápido do que as instituições. A globalização econômica e digital, que facilitou o comércio legal, também serviu de catalisador para operações ilegais sofisticadas, com contas offshore, empresas de fachada e lavagem de ativos via ativos virtuais. Graças a essa estrutura, as organizações criminosas não dependem mais de uma base territorial fixa — elas atuam em várias jurisdições ao mesmo tempo, aproveitando brechas legais e diferenças entre os sistemas de justiça. A proposta do senador de uma cooperação internacional efetiva enfrenta, porém, desafios práticos. Entre eles, estão o baixo intercâmbio automatizado de dados, as assimetrias jurídicas entre países e a necessidade de equilibrar segurança e proteção de dados pessoais.

Outro ponto relevante é a dimensão econômica do combate ao crime. A atuação transnacional das facções movimenta uma economia paralela que corrompe agentes públicos, financia a violência e dificulta o desenvolvimento de regiões inteiras. Nesse cenário, a cooperação internacional defendida por Nelsinho Trad não é apenas uma pauta policial ou judicial, mas também uma agenda econômica e diplomática. Para que o Brasil avance, será essencial que a integração entre países ocorra em camadas: acordos de extradição e assistência jurídica, operações conjuntas em regiões de fronteira, troca de inteligência financeira e padronização de regras para o rastreamento de ativos virtuais. O Senado, como casa responsável pela aprovação de tratados internacionais, tem papel central nesse processo — e a defesa do parlamentar contribui para manter o tema na agenda legislativa.

**Fontes**

A notícia foi produzida com base no pronunciamento do senador Nelsinho Trad (PSD-MS) no plenário do Senado Federal, com informações complementares de relatos institucionais sobre cooperação internacional e segurança pública. Dados específicos sobre operações e investigações não foram citados em detalhe por limitação de acesso às fontes primárias no momento da publicação. Recomenda-se acompanhamento dos canais oficiais do Senado Federal e da Polícia Federal para atualizações subsequentes.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.