**Lead**
O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) defendeu, em discurso no plenário do Senado Federal, a necessidade de fortalecer a cooperação internacional como ferramenta essencial para o combate ao crime organizado que opera sem respeitar fronteiras nacionais. A declaração ocorre em meio ao avanço de investigações que apontam a atuação de facções brasileiras em países da América do Sul, Europa e África, exigindo respostas coordenadas entre os Estados.
**Contexto**
O pronunciamento do senador se insere em um debate mais amplo sobre a eficácia dos instrumentos legais e operacionais disponíveis para o enfrentamento de organizações criminosas transnacionais. Dados de órgãos de segurança indicam que grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) expandiram suas operações para além das fronteiras brasileiras, estabelecendo rotas de tráfico de drogas, armas e até mesmo atuando em crimes ambientais na Amazônia Legal.
Nelsinho Trad, que preside a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado, destacou que a atuação desses grupos não se limita ao tráfico de entorpecentes. Eles também estão envolvidos em lavagem de dinheiro, tráfico de pessoas, mineração ilegal e grilagem de terras, atividades que muitas vezes se beneficiam de lacunas na legislação e da falta de integração entre os sistemas de inteligência dos países.
O senador citou exemplos concretos de operações recentes que demonstraram a necessidade de maior coordenação. A Operação Turfe, deflagrada pela Polícia Federal em parceria com a Interpol, revelou como o crime organizado utiliza empresas de fachada e paraísos fiscais para movimentar bilhões de reais. Outro caso emblemático foi a descoberta de rotas de cocaína que partem da Bolívia e do Peru, passam pelo Brasil e seguem para portos na Europa e na África, com a logística controlada por facções brasileiras.
**Análise**
A defesa de Nelsinho Trad por uma cooperação internacional mais robusta não é apenas uma questão de segurança pública, mas também de soberania e desenvolvimento científico. O combate ao crime organizado transnacional exige, cada vez mais, o uso de tecnologias avançadas de inteligência artificial, análise de big data e criptografia para rastrear comunicações e fluxos financeiros ilícitos. Nesse sentido, a pauta se conecta diretamente com a área de Ciência, Tecnologia e Inovação, uma vez que a modernização dos órgãos de investigação depende de investimentos em pesquisa e desenvolvimento.
Especialistas em segurança pública apontam que a falta de um sistema integrado de informações entre os países da América do Sul é um dos principais entraves para o desmantelamento das organizações criminosas. Enquanto os criminosos utilizam aplicativos de mensagens criptografadas e criptomoedas para ocultar suas transações, as forças policiais muitas vezes operam com sistemas defasados e sem compartilhamento de dados em tempo real.
O senador também ressaltou a importância de acordos bilaterais e multilaterais para a extradição de líderes de facções e para a recuperação de ativos desviados. Atualmente, o Brasil possui acordos de cooperação jurídica com dezenas de países, mas a burocracia e as diferenças nos sistemas legais tornam o processo lento e ineficaz. Trad defendeu a criação de um protocolo regional de combate ao crime organizado, nos moldes do que já existe na União Europeia, com a Europol.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir do pronunciamento oficial do senador Nelsinho Trad (PSD-MS) no plenário do Senado Federal, transmitido pela TV Senado e registrado nos anais da Casa. Dados complementares sobre a atuação transnacional de facções foram extraídos de relatórios públicos da Polícia Federal, do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Interpol. A análise sobre o uso de tecnologia no combate ao crime organizado baseia-se em estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e em artigos acadêmicos publicados em periódicos especializados em segurança internacional.
Por Renan Filho · 2026-10-23