FORTIS
← FORTIS
Esportes

No Z-4 há quatro rodadas, Corinthians vê risco de rebaixamento disparar para 66%

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-27

Matemática aponta que time alvinegro tem dois terços de chance de cair para a Série B; cenário é o pior entre os clubes da zona de rebaixamento do Brasileirão.

**Lead**

O Corinthians acendeu o alerta máximo no Campeonato Brasileiro. Após empatar fora de casa contra o Fortaleza e ver os adversários diretos somarem pontos, o clube paulista estacionou na 18ª posição da tabela e, segundo projeções de institutos de matemática especializados em estatísticas esportivas, viu sua probabilidade de rebaixamento saltar para 66%. O número representa o maior risco entre todos os times que hoje ocupam a zona da degola, que inclui Athletico-PR, Cuiabá e Atlético-GO.

**Contexto**

Há quatro rodadas, o Corinthians ocupava a 14ª posição, com uma margem de segurança de cinco pontos para o Z-4. Desde então, a equipe comandada pelo técnico Vanderlei Luxemburgo — que assumiu o cargo em maio com a missão de afastar o time da crise — somou apenas dois pontos em quatro partidas, com dois empates e duas derrotas. O desempenho ofensivo é o pior entre os 20 clubes da Série A: média de 0,9 gol por jogo, com destaque negativo para a falta de produção do centroavante Yuri Alberto, que não marca há seis jogos.

A situação se agrava quando se analisa o calendário corintiano. Nas próximas cinco rodadas, o time enfrentará três adversários que brigam na parte de cima da tabela (Grêmio, Flamengo e Red Bull Bragantino) e dois que estão na mesma luta contra a queda (Bahia, hoje em 15º, e Vasco, em 16º). Os confrontos diretos serão decisivos. O Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais aponta que, se o Corinthians perder para Bahia e Vasco, o risco ultrapassa os 90%.

O cenário do clube paulista é agravado por questões extracampo. A instabilidade na diretoria, com a indefinição sobre a permanência do presidente Duilio Monteiro Alves após as eleições de novembro, gerou ruídos no vestiário. Além disso, a torcida organizada tem protestado contra a gestão e contra o desempenho do time, o que culminou em atos de vandalismo na Neo Química Arena no último domingo.

**Análise**

Por que o risco de 66% é um número digno de atenção? Primeiro, porque ele reflete não apenas a posição atual, mas a tendência de resultados. Modelos estatísticos como os usados pela UFMG e pelo site Chance de Gol incorporam variáveis como força do adversário, fator casa/fora, histórico de desempenho em jogos decisivos e até lesões de jogadores-chave. No caso corintiano, o fato de o elenco não contar com um meia criador de referência — após a saída de Renato Augusto no meio do ano — reduz a capacidade de reação em partidas de pressão.

Segundo, a aritmética do rebaixamento no Brasileirão é impiedosa. Historicamente, times que chegam à 30ª rodada com menos de 35 pontos têm mais de 80% de chance de queda. O Corinthians, neste momento, soma 32 pontos. Para alcançar a pontuação considerada a “salvação” (45 pontos, em média), precisaria vencer pelo menos quatro dos oito jogos restantes — um aproveitamento de 50%. O time não atingiu esse aproveitamento em nenhum recorte de oito partidas na competição até agora.

Há também um fator psicológico relevante. O Corinthians é o clube com a maior torcida do Brasil e o quarto maior faturamento entre os clubes nacionais. Um rebaixamento teria consequências financeiras brutais: queda drástica nas cotas de TV, perda de receitas de bilheteria e impossibilidade de disputar competições internacionais por pelo menos dois anos. O orçamento de 2026 já havia sido aprovado com base na permanência na Série A, e o clube corre o risco de ter de renegociar contratos com patrocinadores.

**Chances dos demais times na briga contra a queda**

Entre os clubes que hoje ocupam as posições mais baixas, o risco de rebaixamento se distribui de forma heterogênea:

- **Athletico-PR** (17º, 33 pontos): risco de 45%. Time tem um jogo a menos e depende de resultados na Arena da Baixada, onde costuma ser forte. - **Cuiabá** (19º, 29 pontos): risco de 88%. A equipe mato-grossense tem o pior ataque da competição e sequência de jogos contra times do G-4. - **Atlético-GO** (20º, 24 pontos): risco de 99%. Matematicamente, a situação é irreversível — precisaria vencer todos os jogos e torcer por combinação de resultados improvável.

**Fontes**

- Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), projeções do Campeonato Brasileiro Série A 2026. - Site especializado Chance de Gol, modelo probabilístico atualizado semanalmente. - Tabela oficial do Campeonato Brasileiro Série A, divulgada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). - Reportagens do portal ge.com (Globo Esporte), setor de esportes do UOL e do jornal O Estado de S. Paulo sobre desempenho do Corinthians.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.