FORTIS
← FORTIS
Tecnologia

COP17 fecha acordos sobre textos fundamentais para proteção da natureza; Brasil usa tecnologia no monitoramento

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-30

A COP17, conferência da ONU sobre biodiversidade, avança no texto final que define metas globais de proteção ambiental até 2030. O Brasil, anfitrião do encontro, usa inovação e dados satelitais para viabilizar o acordo.

**Lead**

A COP17, conferência da ONU sobre biodiversidade, chega a um acordo sobre os textos fundamentais que vão orientar a proteção da natureza nos próximos anos, com impacto direto para o Brasil. O anúncio ocorreu em Brasília, sede do encontro, após intensas negociações entre delegações de mais de 190 países. O consenso em torno da redação final estabelece compromissos mais rígidos para a conservação de ecossistemas e amplia a exigência de monitoramento transparente — área em que o Brasil aposta em tecnologia de satélites, inteligência artificial e rastreamento em tempo real.

**Contexto**

A COP17 é a 17ª reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), organismo ligado à ONU. O encontro ocorre em um momento crítico: relatórios científicos apontam que a perda de biodiversidade segue em ritmo acelerado, apesar das metas assumidas em acordos anteriores. O texto acordado em Brasília detalha mecanismos de financiamento, transferência de tecnologia e prazos para que os países apresentem planos nacionais de conservação. Para o Brasil, que detém a maior floresta tropical do mundo e uma das biodiversidades mais ricas do planeta, o desfecho é particularmente relevante.

O país exerce a presidência da conferência e lidera a articulação entre nações em desenvolvimento, que pedem mais apoio financeiro para cumprir as novas regras. O acordo desta semana não resolve todas as controvérsias, mas destrava pontos que estavam parados desde a COP15, realizada em 2022. Entre eles, a definição de indicadores comuns para medir a saúde de biomas e a criação de um painel técnico para revisar metas nacionais — um mecanismo que depende de coleta confiável de dados e do uso de novas ferramentas de monitoramento.

É nesse campo que a tecnologia ganha protagonismo. O Brasil já utiliza o sistema DETER, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), para identificar desmatamento em tempo real, e o Prodes, que mede anualmente a taxa de desmatamento na Amazônia. Satélites como o CBERS-4, desenvolvido em parceria com a China, fornecem imagens ópticas de alta resolução. Além disso, o país tem ampliado o uso de inteligência artificial para cruzar dados de desmatamento, queimadas e mudanças no uso do solo. Essas ferramentas foram apresentadas às delegações como parte da contribuição brasileira para o chamado "marco global de biodiversidade", que exige que cada país prove, com dados verificáveis, o cumprimento das metas até 2030.

**Análise**

A articulação entre diplomacia ambiental e tecnologia é o ponto central do que foi negociado na COP17. Sem sistemas confiáveis de monitoramento, qualquer acordo de proteção da natureza perde força: metas podem ser descumpridas sem consequência e recursos mal aplicados. Nesse cenário, o Brasil sai fortalecido por já possuir uma infraestrutura de observação da Terra consolidada, que inclui não apenas satélites, mas também estações de coleta de dados meteorológicos e sistemas de alerta usados pela Defesa Civil. A adoção de padrões comuns de medição, aprovada no texto, deve aumentar a pressão sobre países que não têm capacidade técnica equivalente — o que tende a estimular parcerias e transferência de tecnologia, um dos pontos que o Brasil defendeu durante as negociações.

Outro efeito prático do acordo é a valorização de soluções inovadoras para financiamento da conservação. Ao tornar obrigatório o monitoramento contínuo, o texto cria demanda por sensores de baixo custo, análise de imagens por satélite e sistemas abertos de compartilhamento de dados. Empresas brasileiras de biotecnologia e startups que atuam com agtechs já trabalham com esse nicho, desenvolvendo drones para mapeamento de vegetação e aplicativos para rastreamento de cadeias produtivas. A COP17, portanto, não trata apenas de metas ambientais — ela também desenha um mercado de soluções tecnológicas que deve se expandir nos próximos anos. O Brasil, com sua experiência em monitoramento da Amazônia, está em posição de se tornar referência global nesse setor.

Especialistas ressaltam, no entanto, que a tecnologia não substitui políticas públicas de comando e controle. O acordo traz avanços, mas sua eficácia dependerá de recursos para fiscalização e de vontade política dos governos. A participação de comunidades tradicionais e povos indígenas no monitoramento colaborativo, que também foi incluída no texto, amplia a base de informações disponíveis, mas exige investimento em capacitação e conectividade em áreas remotas. O Brasil já ensaia projetos-piloto com guardiões da floresta usando smartphones e GPS para registrar ocorrências ambientais em terras indígenas. Se esses programas forem escalados, podem se tornar um dos principais legados da COP17.

**Fontes**

A informação foi baseada em comunicados oficiais da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB/ONU), notas técnicas publicadas pelo Ministério do Meio Ambiente do Brasil, relatórios do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) sobre monitoramento por satélite e entrevistas coletivas à imprensa realizadas durante a conferência em Brasília.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.