O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) decidiu, em sessão realizada nesta quinta-feira, manter o subprocurador Paulo Gonet como relator do caso Master, por maioria de votos. A mesma reunião, no entanto, resultou em um empate de 3 a 3 sobre a abertura de investigação contra o procurador-geral da República (PGR) por supostas irregularidades na condução do caso. O placar dividido deixou a demanda sem desfecho, adiando qualquer medida concreta.
O caso Master envolve denúncias de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro em contratos de obras públicas no Nordeste, com ramificações que atingem políticos de diferentes partidos. Gonet, que atua como relator há dois anos, é acusado por setores do próprio MPF de ter agido com parcialidade ao favorecer investigados ligados ao governo federal. A maioria dos conselheiros, porém, entendeu que não há elementos para afastá-lo.
A votação sobre a investigação do PGR foi mais acirrada. Três conselheiros votaram a favor da abertura de um procedimento para apurar se o procurador-geral tentou influenciar o andamento do caso Master, enquanto outros três votaram contra, argumentando falta de provas mínimas. O regimento interno do CSMPF exige maioria simples para aprovar investigações contra membros da cúpula, mas o empate impede a continuidade.
Segundo fontes do Conselho, a decisão de não investigar o PGR foi recebida com alívio nos gabinetes da alta cúpula do MPF, mas gerou críticas entre procuradores mais jovens, que veem o resultado como um sinal de corporativismo. “Não se pode ter um chefe da instituição imune a questionamentos”, afirmou um membro do MPF que pediu anonimato, em conversa com a FORTIS.
Por que isso importa? O caso Master é um dos maiores escândalos de corrupção em obras públicas da última década, envolvendo mais de R$ 2 bilhões em contratos suspeitos. A manutenção de Gonet como relator garante continuidade nas investigações, mas a recusa em examinar a conduta do PGR levanta dúvidas sobre a independência do órgão. Em um país onde o Estado historicamente gasta mal e tributa demais, a sociedade precisa de instituições que fiscalizem sem medo de atingir os poderosos.
Análise FORTIS: A decisão do Conselho reflete o dilema clássico do Ministério Público brasileiro: ser um agente de controle ou um aparelho de Estado. Ao preservar Gonet, a maioria optou por evitar a interrupção de um trabalho já em curso, o que pode ser positivo para a celeridade processual. No entanto, o empate sobre investigar o PGR é um péssimo sinal. Se a própria cúpula do MPF se recusa a se autocorrigir, como cobrar transparência dos outros Poderes? O liberal-conservadorismo defende instituições fortes e independentes, mas também exige que elas prestem contas. O resultado de hoje aponta que o MPF ainda está longe desse ideal.
Contraponto: É preciso reconhecer que abrir uma investigação contra o PGR sem indícios robustos poderia politizar ainda mais o caso, transformando o Conselho em arena de disputas partidárias. Três conselheiros consideraram que as denúncias apresentadas eram frágeis, baseadas em recortes de mensagens e relatos não confirmados. Para eles, o empate foi a saída correta para evitar um desgaste desnecessário.
Por Renan Filho · 2026-09-25