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Conselho do MPF tem maioria para manter Gonet no caso Master; placar de 3 a 3 sobre investigar o PGR

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

O Conselho Superior do Ministério Público Federal formou maioria para manter o subprocurador Paulo Gonet à frente do caso Master, mas empatou em 3 a 3 a decisão sobre abrir investigação contra o procurador-geral da República. O resultado expõe as fraturas internas da instituição e levanta dúvidas sobre imparcialidade em um dos processos mais sensíveis da atualidade.

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) decidiu, em sessão realizada nesta quinta-feira, manter o subprocurador Paulo Gonet como relator do caso Master, por maioria de votos. A mesma reunião, no entanto, resultou em um empate de 3 a 3 sobre a abertura de investigação contra o procurador-geral da República (PGR) por supostas irregularidades na condução do caso. O placar dividido deixou a demanda sem desfecho, adiando qualquer medida concreta.

O caso Master envolve denúncias de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro em contratos de obras públicas no Nordeste, com ramificações que atingem políticos de diferentes partidos. Gonet, que atua como relator há dois anos, é acusado por setores do próprio MPF de ter agido com parcialidade ao favorecer investigados ligados ao governo federal. A maioria dos conselheiros, porém, entendeu que não há elementos para afastá-lo.

A votação sobre a investigação do PGR foi mais acirrada. Três conselheiros votaram a favor da abertura de um procedimento para apurar se o procurador-geral tentou influenciar o andamento do caso Master, enquanto outros três votaram contra, argumentando falta de provas mínimas. O regimento interno do CSMPF exige maioria simples para aprovar investigações contra membros da cúpula, mas o empate impede a continuidade.

Segundo fontes do Conselho, a decisão de não investigar o PGR foi recebida com alívio nos gabinetes da alta cúpula do MPF, mas gerou críticas entre procuradores mais jovens, que veem o resultado como um sinal de corporativismo. “Não se pode ter um chefe da instituição imune a questionamentos”, afirmou um membro do MPF que pediu anonimato, em conversa com a FORTIS.

Por que isso importa? O caso Master é um dos maiores escândalos de corrupção em obras públicas da última década, envolvendo mais de R$ 2 bilhões em contratos suspeitos. A manutenção de Gonet como relator garante continuidade nas investigações, mas a recusa em examinar a conduta do PGR levanta dúvidas sobre a independência do órgão. Em um país onde o Estado historicamente gasta mal e tributa demais, a sociedade precisa de instituições que fiscalizem sem medo de atingir os poderosos.

Análise FORTIS: A decisão do Conselho reflete o dilema clássico do Ministério Público brasileiro: ser um agente de controle ou um aparelho de Estado. Ao preservar Gonet, a maioria optou por evitar a interrupção de um trabalho já em curso, o que pode ser positivo para a celeridade processual. No entanto, o empate sobre investigar o PGR é um péssimo sinal. Se a própria cúpula do MPF se recusa a se autocorrigir, como cobrar transparência dos outros Poderes? O liberal-conservadorismo defende instituições fortes e independentes, mas também exige que elas prestem contas. O resultado de hoje aponta que o MPF ainda está longe desse ideal.

Contraponto: É preciso reconhecer que abrir uma investigação contra o PGR sem indícios robustos poderia politizar ainda mais o caso, transformando o Conselho em arena de disputas partidárias. Três conselheiros consideraram que as denúncias apresentadas eram frágeis, baseadas em recortes de mensagens e relatos não confirmados. Para eles, o empate foi a saída correta para evitar um desgaste desnecessário.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.