**Lead**
O conselheiro sênior do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, Jason Miller, publicou nesta terça-feira (26) em suas redes sociais um vídeo com trechos do discurso do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) traduzidos para o inglês. A postagem, que inclui legendas em português, foi direcionada explicitamente ao público brasileiro e ocorre em meio à intensificação da campanha eleitoral municipal no Brasil, onde Bolsonaro e Trump buscam fortalecer a aliança entre suas bases conservadoras.
**Contexto**
Jason Miller é uma figura central no círculo político de Trump, tendo atuado como diretor de comunicação de sua campanha presidencial em 2016 e 2020, e atualmente como conselheiro sênior. Sua postagem no X (antigo Twitter) e no Truth Social mostra Flávio Bolsonaro discursando em um evento do Partido Liberal no Rio de Janeiro, no último fim de semana. No vídeo, o senador critica o que chama de “perseguição política” contra seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e defende a pauta conservadora nos mesmos moldes da agenda trumpista.
A tradução para o inglês não é casual. Ela busca atingir dois públicos simultaneamente: a comunidade conservadora internacional, que acompanha a trajetória de Bolsonaro como aliado de Trump, e os brasileiros que consomem conteúdo político em inglês, especialmente nas comunidades de expatriados e nas redes de direita. A publicação inclui a hashtag #Brazil e #Trump2024, indicando a tentativa de conectar as eleições municipais brasileiras à campanha presidencial americana.
A relação entre as famílias Bolsonaro e Trump é antiga. Jair Bolsonaro foi um dos primeiros líderes mundiais a parabenizar Trump pela vitória em 2016, e os dois mantiveram uma relação próxima durante os mandatos. Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem buscado se posicionar como herdeiro político do pai e como ponte entre o bolsonarismo e o trumpismo. Em setembro, ele participou de um evento da Conservative Political Action Conference (CPAC) no Brasil, onde discursou ao lado de figuras como o próprio Jason Miller.
**Análise**
A ação de Miller representa uma estratégia de comunicação política transnacional que vem se consolidando nos últimos anos. Ao traduzir e republicar o discurso de Flávio, o conselheiro de Trump não apenas amplifica a mensagem do senador, mas também sinaliza aos eleitores brasileiros que a aliança entre as duas lideranças conservadoras continua ativa e relevante. Isso pode ter impacto direto nas eleições municipais de 2024, especialmente em cidades onde candidatos apoiados por Bolsonaro disputam votos.
Para o público brasileiro, ver um assessor direto de Trump endossando o discurso de Flávio Bolsonaro pode ser interpretado como um selo de legitimidade internacional. A estratégia é particularmente eficaz entre eleitores que veem Trump como um modelo de liderança e que acreditam na narrativa de “perseguição política” contra a direita no Brasil. A postagem também serve para reforçar a imagem de Flávio como um político com conexões globais, algo que pode ser usado em sua eventual candidatura ao governo do Rio de Janeiro ou ao Senado em 2026.
Do ponto de vista geopolítico, a movimentação de Miller insere o Brasil em um contexto mais amplo de polarização global. A aliança entre trumpistas e bolsonaristas não é apenas simbólica: ela se traduz em compartilhamento de estratégias de comunicação, financiamento de think tanks e coordenação de narrativas. A divulgação do discurso em inglês é um passo nessa direção, buscando criar uma base de apoio internacional que possa influenciar a opinião pública brasileira.
**Fontes**
A informação foi obtida a partir de postagens verificadas de Jason Miller em suas contas oficiais no X (antigo Twitter) e no Truth Social, datadas de 26 de outubro de 2026. O conteúdo do discurso de Flávio Bolsonaro foi registrado em vídeo durante evento do Partido Liberal no Rio de Janeiro, no dia 24 de outubro de 2026, e amplamente divulgado pela imprensa brasileira, incluindo reportagens da CNN Brasil e do portal UOL. A relação entre as famílias Bolsonaro e Trump é documentada por arquivos de mídia e declarações públicas de ambos os lados desde 2018.
Por Renan Filho · 2026-10-26