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Internacional

Conmebol enfrenta prejuízo de R$ 76 milhões após colapso do Ueno Bank no Paraguai

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-11-06

A crise financeira do Ueno Bank, no Paraguai, atingiu a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), que perdeu R$ 76 milhões em investimentos e depósitos. O caso expõe a fragilidade de entidades esportivas diante de turbulências bancárias regionais.

**Lead**

A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) sofreu uma perda estimada em R$ 76 milhões como consequência direta da crise financeira do Ueno Bank, instituição paraguaia que entrou em colapso nas últimas semanas. O montante representa uma parcela significativa das reservas financeiras da entidade, que mantinha investimentos e depósitos no banco como parte de sua estratégia de gestão de ativos. O caso expõe a vulnerabilidade de entidades esportivas a crises bancárias regionais e levanta questões sobre a governança financeira da Conmebol.

**Contexto**

O Ueno Bank, com sede em Assunção, Paraguai, enfrentou uma crise de liquidez agravada por uma série de empréstimos inadimplentes e exposição a ativos de risco. Em outubro de 2026, o banco foi intervencionado pelo Banco Central do Paraguai após não conseguir cumprir exigências de capital mínimo. A quebra gerou um efeito dominó, arrastando investidores institucionais que mantinham recursos na instituição.

A Conmebol, que administra os recursos provenientes das competições continentais como a Copa Libertadores e a Copa Sul-Americana, tinha uma relação financeira de longa data com o Ueno Bank. Segundo registros financeiros da entidade, os valores depositados no banco paraguaio correspondiam a aproximadamente 8% do fundo de reserva total da confederação. A perda de R$ 76 milhões equivale a quase um terço do orçamento anual da Conmebol para projetos de desenvolvimento do futebol na região.

A crise não se limita à Conmebol. Outras federações nacionais, clubes e fornecedores de serviços relacionados ao futebol sul-americano também mantinham exposição ao Ueno Bank. O Banco Central do Paraguai estima que o passivo total do banco ultrapasse US$ 400 milhões, com credores espalhados por Brasil, Argentina, Uruguai e Chile.

**Análise**

O impacto financeiro para a Conmebol vai além do valor imediato perdido. A entidade terá que reavaliar sua política de investimentos e diversificação de riscos. Especialistas em finanças esportivas apontam que a confederação dependia excessivamente de um único banco regional, sem a devida proteção cambial ou contratual. A perda pode comprometer o calendário de repasses a federações nacionais e premiações de torneios, embora a Conmebol tenha afirmado que os fundos operacionais não foram afetados.

Para o cenário mais amplo, a crise do Ueno Bank evidencia a interconexão entre o futebol profissional e o sistema financeiro latino-americano. Grandes entidades esportivas frequentemente mantêm recursos em bancos locais para facilitar transações e obter taxas de juros competitivas. No entanto, a falta de regulação específica para depósitos de entidades esportivas transfere riscos que poderiam ser mitigados com seguros ou garantias soberanas. O episódio também pode acelerar a adoção de mecanismos de proteção, como fundos garantidores regionais ou exigências de diversificação bancária para confederações esportivas.

**Fontes**

As informações foram baseadas em comunicados oficiais do Banco Central do Paraguai, demonstrações financeiras da Conmebol referentes ao exercício de 2025, e reportagens veiculadas pela imprensa paraguaia e brasileira especializada em economia e esportes. Nenhuma declaração direta de dirigentes foi utilizada.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.