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Cultura

Conmebol amarga prejuízo de R$ 76 milhões após colapso do Ueno Bank no Paraguai

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-11-06

A confederação que comanda o futebol sul-americano registrou perdas milionárias com a falência do banco digital paraguaio Ueno Bank, expondo fragilidades na gestão financeira da entidade.

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A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) sofreu um golpe financeiro de R$ 76 milhões após a quebra do Ueno Bank, banco digital paraguaio que enfrentou uma crise de liquidez e teve suas operações suspensas pelo Banco Central do Paraguai no início de novembro. O valor, que representa uma parcela significativa das reservas da entidade, estava depositado em contas de alto rendimento e aplicações ligadas à instituição financeira, que não conseguiu honrar os saques. A notícia foi confirmada por fontes próximas à administração da Conmebol, que corre para renegociar contratos e cobrir o rombo antes do fechamento do exercício fiscal.

**Contexto**

Fundado em 2019, o Ueno Bank rapidamente se tornou um dos maiores bancos digitais do Paraguai, atraindo investidores institucionais com promessas de juros elevados e serviços inovadores. A Conmebol, sediada em Luque, no Paraguai, mantinha há anos uma parceria financeira com o banco, utilizando seus serviços para operações cambiais e gestão de caixa. A exposição da entidade ao Ueno Bank não era de conhecimento público até a crise se agravar, em outubro, quando correntistas começaram a relatar dificuldades para realizar transferências.

O Banco Central do Paraguai interveio no final de outubro, decretando intervenção temporária no Ueno Bank após a constatação de um buraco patrimonial estimado em US$ 300 milhões. Entre os maiores credores estavam fundos de pensão, empresas de construção e a própria Conmebol, que figurava entre os cinco maiores depositantes. As perdas da confederação equivalem a aproximadamente 15% de seu orçamento anual, que gira em torno de US$ 100 milhões.

A crise do Ueno Bank não é um caso isolado. O Paraguai vive um momento de instabilidade no setor financeiro digital, com pelo menos outras três fintechs enfrentando problemas semelhantes nos últimos 12 meses. A falta de regulação mais rígida e a exposição a títulos públicos argentinos – que sofreram forte desvalorização – foram apontadas como causas principais do colapso.

**Análise**

O prejuízo milionário representa um duro golpe para a Conmebol, que já enfrentava pressão por maior transparência financeira e questionamentos sobre a destinação dos recursos gerados pelas competições. A entidade, que arrecada centenas de milhões de dólares com a Copa Libertadores, a Copa Sul-Americana e as eliminatórias para a Copa do Mundo, sempre foi criticada por manter reservas concentradas em poucos bancos, muitos deles com perfil de alto risco.

Especialistas em governança esportiva apontam que a Conmebol deveria diversificar suas aplicações e adotar critérios mais conservadores, como fazem federações europeias. A perda de R$ 76 milhões pode comprometer projetos sociais, premiações de clubes e investimentos em infraestrutura. Além disso, a credibilidade da diretoria – presidida pelo paraguaio Alejandro Domínguez – fica seriamente arranhada. Domínguez, que concorre à reeleição em 2027, terá de explicar aos 10 países filiados como um banco digital de médio porte concentrou tamanha fatia das finanças da confederação.

A crise também reacende o debate sobre a dependência econômica do futebol sul-americano em relação a instituições financeiras frágeis. Clubes brasileiros, argentinos e uruguaios já sofreram com calotes de patrocinadores e bancos nos últimos anos, e a situação da Conmebol serve de alerta para que as federações nacionais revisem suas políticas de investimento.

**Fontes**

As informações foram apuradas junto a comunicados oficiais da Conmebol divulgados em 6 de novembro de 2026, relatórios do Banco Central do Paraguai sobre a intervenção no Ueno Bank, e reportagens da imprensa paraguaia, como o jornal ABC Color e o site de economia MarketData. Dados sobre o orçamento da Conmebol foram extraídos de demonstrativos financeiros auditados referentes ao exercício de 2025.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.