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O Congresso Nacional do Paraguai suspendeu, nesta quinta-feira, a análise do pedido de renúncia do presidente Santiago Peña, que teria como objetivo assumir um cargo no governo do Brasil. A decisão foi tomada em sessão extraordinária, após horas de debates entre parlamentares da base governista e da oposição. A suspensão ocorre em um momento de tensão política no país, com especulações sobre os reais motivos da possível saída do mandatário.
**Contexto**
Santiago Peña, do Partido Colorado, assumiu a presidência do Paraguai em agosto de 2023, sucedendo Mario Abdo Benítez. Desde então, seu governo enfrenta desafios econômicos, como a inflação e a desaceleração do agronegócio, além de uma crise de credibilidade devido a denúncias de corrupção envolvendo aliados próximos. Nos últimos meses, circularam rumores de que Peña estaria negociando uma saída antecipada do cargo para ocupar uma posição de destaque no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, possivelmente em uma agência multilateral ou em um cargo diplomático de alto nível.
A imprensa paraguaia noticiou que o pedido de renúncia foi protocolado no Congresso há duas semanas, mas a análise foi adiada por manobras regimentais. O presidente do Congresso, Silvio Ovelar, também do Partido Colorado, teria tentado acelerar a votação, mas encontrou resistência da oposição, que exige esclarecimentos sobre os termos da eventual transição. A suspensão da análise foi aprovada por maioria simples, com 42 votos a favor e 38 contra, segundo relatos de parlamentares presentes.
O vice-presidente Pedro Alliana, que assumiria o cargo em caso de renúncia, tem se mantido em silêncio público, mas aliados afirmam que ele já prepara uma equipe de transição. Alliana é visto como uma figura de consenso dentro do Partido Colorado, mas sua gestão poderia enfrentar resistência de setores mais conservadores.
**Análise**
A suspensão da análise do pedido de renúncia de Peña revela a fragilidade do atual governo e a falta de coesão dentro da própria base aliada. O Partido Colorado, que governa o Paraguai há décadas, está dividido entre os que apoiam a saída de Peña para evitar um desgaste maior e os que temem que uma transição prematura abra espaço para a oposição nas eleições de 2028. Para o Brasil, a eventual ida de Peña para um cargo no governo Lula poderia fortalecer a integração bilateral, especialmente em áreas como energia (Itaipu) e infraestrutura, mas também geraria críticas internas no Paraguai, onde setores nacionalistas veem com desconfiança a influência brasileira.
A decisão do Congresso também reflete o momento de instabilidade política na região. O Paraguai vive um período de baixa popularidade do presidente, com pesquisas indicando aprovação em torno de 30% — embora números exatos não possam ser confirmados sem fontes oficiais. A oposição, liderada pelo Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), tem capitalizado o desgaste e pressionado por eleições antecipadas. A suspensão da análise pode ser uma tentativa de ganhar tempo para que o governo negocie uma saída negociada, evitando uma crise institucional.
Especialistas apontam que, se a renúncia for confirmada, o Paraguai enfrentará um período de transição delicado. O vice-presidente Alliana teria que formar um novo gabinete e lidar com a pauta econômica, incluindo a renegociação da dívida externa e a atração de investimentos. Para o Brasil, a presença de Peña em Brasília poderia ser vista como um trunfo diplomático, mas também como uma interferência na política interna paraguaia. O Itamaraty, por enquanto, não se pronunciou oficialmente sobre o caso.
**Fontes**
Agências de notícias internacionais (Reuters, Associated Press), imprensa paraguaia (ABC Color, Última Hora, La Nación), comunicados oficiais do Congresso Nacional do Paraguai e declarações de parlamentares registradas pela mídia local.
Por Renan Filho · 2026-11-05