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“Nosso compromisso é aprovar fim da escala 6X1 na quarta”, diz Camilo Santana

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-11

Ministro da Educação reafirma cronograma para votação de projeto que altera jornada de trabalho, defendendo a medida como essencial para a segurança e saúde do trabalhador brasileiro.

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O governo federal voltou a sinalizar nesta segunda-feira que o fim da escala 6x1 — seis dias consecutivos de trabalho seguidos de apenas um de descanso — pode ser aprovado já na próxima quarta-feira. A afirmação foi feita pelo ministro da Educação, Camilo Santana, durante entrevista a jornalistas em Brasília. Segundo o ministro, o Palácio do Planalto considera a proposta uma prioridade e entende que a modificação na jornada de trabalho representa não apenas um ganho social, mas uma medida indispensável para a segurança do trabalhador.

**Contexto**

A escala 6x1 é uma das mais antigas e desgastantes formas de organização do trabalho no Brasil. Prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), ela se tornou alvo de críticas de sindicatos, especialistas em saúde ocupacional e movimentos sociais que apontam o aumento do risco de acidentes, doenças cardiovasculares e transtornos mentais entre trabalhadores submetidos a esse regime. Estudos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que jornadas excessivas e a falta de descanso adequado estão diretamente relacionadas ao crescimento de lesões por esforço repetitivo, distúrbios do sono e estresse crônico.

A discussão sobre a extinção da escala 6x1 ganhou força no Congresso Nacional com a apresentação de um projeto de lei de autoria de parlamentares da base governista. A proposta prevê a redução gradual da jornada máxima semanal e a eliminação do modelo que impõe um único dia de folga. Camilo Santana, embora esteja à frente da pasta da Educação, tem atuado como interlocutor do governo em pautas trabalhistas, especialmente aquelas que afetam profissionais da educação, como professores e auxiliares que frequentemente atuam em jornadas exaustivas.

O ministro lembrou que a medida está em sintonia com convenções internacionais das quais o Brasil é signatário, como a Convenção 155 da OIT sobre segurança e saúde dos trabalhadores. “Não é apenas uma questão de qualidade de vida; é uma questão de sobrevivência no ambiente de trabalho. Quando um trabalhador adoece por excesso de jornada, toda a sociedade paga a conta, seja pelo sistema público de saúde, seja pela perda de produtividade”, afirmou Santana.

**Análise**

A aprovação do fim da escala 6x1 pode representar um marco na política de segurança do trabalho brasileira. Diferentemente de pautas puramente econômicas, a proposta toca diretamente na saúde física e mental de milhões de brasileiros. Dados divulgados por entidades de classe indicam que setores como comércio, serviços e indústria de transformação concentram o maior número de trabalhadores submetidos a esse regime. Sem um dia de descanso adequado para recuperação, o corpo humano fica mais vulnerável a lesões e doenças ocupacionais, além de aumentar a propensão a erros que podem resultar em acidentes graves.

O posicionamento de Camilo Santana também reflete uma estratégia do governo de ampliar o debate para além das centrais sindicais. Ao vincular a jornada de trabalho à segurança, a administração federal busca construir uma narrativa que una direitos trabalhistas e saúde pública. A iniciativa encontra eco em experiências internacionais: diversos países da Europa já adotaram jornadas de quatro ou cinco dias semanais, com resultados positivos na redução de afastamentos médicos e na melhoria do bem-estar dos trabalhadores.

Por outro lado, o caminho político não é simples. A bancada empresarial no Congresso resiste à mudança, argumentando que a flexibilização das jornadas pode aumentar custos operacionais e exigir readequações logísticas. Para superar essa oposição, o governo terá de negociar compensações e prazos de adaptação. O compromisso anunciado por Santana de votar a matéria na quarta-feira indica uma aposta na mobilização da base aliada e na pressão da opinião pública.

Se aprovado, o fim da escala 6x1 deverá ser implementado de forma escalonada, com mudanças graduais nos contratos de trabalho. Especialistas em segurança do trabalho avaliam que a transição é necessária para que empresas possam reorganizar escalas e evitar sobrecarga de funcionários em outros turnos. Ainda assim, o impacto positivo esperado na redução dos índices de absenteísmo e de acidentes de trabalho já é visto como um argumento forte para acelerar o processo.

**Fontes**

- Declaração do ministro da Educação, Camilo Santana, em coletiva de imprensa em Brasília (data da declaração). - Projeto de Lei em tramitação na Câmara dos Deputados sobre alteração da jornada de trabalho e eliminação da escala 6x1. - Organização Internacional do Trabalho (OIT) – Convenção 155 e estudos sobre jornada de trabalho e saúde ocupacional. - Entidades sindicais e associações de saúde do trabalhador que acompanham o debate.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.