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O segundo turno da eleição presidencial de 2026 consolidou o Rio de Janeiro como um dos maiores colégios eleitorais do país. Com quase 100% das urnas apuradas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o candidato Flávio Bolsonaro (PL) no estado por uma diferença de aproximadamente 10 pontos percentuais, reunindo cerca de 55% dos votos válidos contra 45% do adversário. Na capital fluminense, a vantagem de Lula foi ainda maior, ultrapassando 62% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro teve cerca de 38%. O resultado reflete a polarização entre as regiões metropolitanas e o interior do estado.
**Contexto**
O Rio de Janeiro, segundo maior colégio eleitoral do Brasil, foi tratado pelas duas campanhas como prioridade no segundo turno. A disputa no estado ganhou contornos próprios pela presença do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio e principal cabo eleitoral da candidatura do filho. A família Bolsonaro tem raízes políticas no estado, onde o clã construiu parte da trajetória pública e onde o atual candidato foi eleito senador em 2018 e deputado federal em 2022, antes de assumir o mandato no Senado. Lula, por sua vez, buscou reforçar a aliança com o governador do estado e com lideranças do PT fluminense, além de destacar pautas como segurança pública e investimentos federais.
Nas pesquisas de intenção de voto divulgadas na reta final, o ex-presidente aparecia à frente do adversário no estado, mas dentro da margem de erro em algumas regiões. A apuração confirmou a tendência, com vitória de Lula em cidades da região metropolitana e em áreas de maior concentração de eleitores jovens e de baixa renda. Já Flávio Bolsonaro venceu na maioria dos municípios do interior, especialmente no norte e noroeste fluminense, onde o agronegócio e as pautas conservadoras têm mais força. Em cidades como Campos dos Goytacazes, Macaé e Itaperuna, o candidato do PL registrou vantagem sólida, com mais de 60% dos votos válidos em algumas localidades.
A capital do Rio de Janeiro concentrou a maior parte da vantagem de Lula. Bairros da zona sul e da zona norte apresentaram resultados distintos, mas a votação nas áreas periféricas e na zona oeste, historicamente decisivas, puxou o placar final. Nos municípios de Niterói, Duque de Caxias, São Gonçalo e Belford Roxo, Lula também venceu com folga, reforçando a tese de que a região metropolitana fluminense se manteve fiel ao petismo, mesma tendência observada nas eleições de 2022. Naquele ano, Lula venceu no estado com cerca de 54% dos votos válidos, contra 46% de Jair Bolsonaro, resultado similar ao registrado agora contra Flávio.
**Análise**
O resultado no Rio de Janeiro consolida o estado como um dos principais bastiões eleitorais do campo lulista no Sudeste, ao lado de Minas Gerais. A votação expressiva na capital e na periferia fluminense indica que a coalizão de Lula, formada por partidos de esquerda e centro-esquerda, manteve a capacidade de mobilização nos grandes centros urbanos. O desempenho de Flávio Bolsonaro no interior, porém, mostra que o bolsonarismo segue forte em áreas menos urbanizadas e em segmentos ligados à segurança pública, à família e à pauta anticorrupção. A divisão do estado reproduz, em escala regional, o mapa da polarização nacional entre os dois projetos políticos.
Para Flávio Bolsonaro, o segundo turno no Rio de Janeiro representou um desafio extra pela herança política do pai, que venceu no estado no segundo turno de 2018 contra Fernando Haddad, mas perdeu para Lula em 2022. A transferência de votos de outros candidatos derrotados no primeiro turno, como o governador e representantes do centro político, não foi suficiente para reverter a vantagem petista. Já para Lula, a vitória no Rio de Janeiro dá fôlego à governabilidade e sinaliza que o estado deve continuar tendo protagonismo na distribuição de ministérios e emendas, além de justificar uma atenção especial para os problemas crônicos de segurança pública e infraestrutura urbana, temas explorados pela campanha.
**Fontes**
A apuração oficial dos votos foi divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelos portais de transparência eleitoral, com dados consolidados das zonas eleitorais do estado. As informações sobre o perfil da votação por município foram baseadas nos boletins oficiais de cada cidade e na totalização divulgada pela Justiça Eleitoral, sem divulgação de pesquisas privadas não verificadas. O FORTIS NEWS consultou ainda informes oficiais das campanhas e reportagens de veículos de imprensa como g1, UOL e O Globo, que acompanharam a apuração em tempo real e entrevistaram eleitores em várias regiões do estado.
Por Renan Filho · 2026-10-27