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Economia

Eficiência ou maquiagem? O ranking da Folha que expõe o tamanho do Estado e o que os contribuintes devem exigir

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-21

A Folha de S.Paulo atualizou seu Ranking de Eficiência dos Estados, um raio-X da gestão pública que mistura indicadores objetivos e subjetivos. Para o liberal, o problema não é medir, mas o que se faz com a régua: gastar mais ou gastar melhor?

O Ranking de Eficiência dos Estados, publicado pela Folha de S.Paulo, tornou-se leitura obrigatória para quem quer separar o joio do trigo na administração pública. Em um país onde o setor público consome quase 40% do PIB, saber quais governos entregam saúde, educação e segurança com o dinheiro do contribuinte não é luxo: é necessidade de sobrevivência econômica. A cada nova edição, o levantamento reacende o debate sobre o tamanho do Estado e a qualidade do gasto.

A consulta é simples: o leitor acessa o site da Folha, encontra o ranking na editoria de Política ou no painel de dados, e pode ordenar os estados por nota geral, por área (segurança, saúde, educação, gestão fiscal) ou por indicadores específicos, como investimento por habitante. A metodologia usa dados oficiais do Tesouro Nacional, do IBGE e do Ministério da Saúde, com ponderações que tentam medir não apenas quanto se gasta, mas o retorno em serviços. No entanto, o diabo mora nos detalhes: critérios como 'qualidade do gasto' podem esconder distorções ideológicas, como punir estados que privatizam serviços ou que terceirizam a gestão.

Para o liberal, o ranking da Folha é uma faca de dois gumes. Por um lado, expõe que muitos estados do Norte e Nordeste, campeões de discurso estatista, amargam as piores colocações em eficiência, mesmo com altos repasses federais e aumento de endividamento. Por outro, a metodologia ainda premia o gasto social difuso, sem distinguir entre investimento produtivo e clientelismo disfarçado. Um estado que gasta muito em 'educação' com professores mal avaliados pode ter nota melhor do que aquele que, com menos recursos, adota vouchers e gestão por metas — simplesmente porque o ranking não mede a liberdade econômica ou a qualidade do capital humano.

Por que isso importa agora? Porque o governo federal, sob o discurso de 'reforma tributária', tenta centralizar ainda mais a arrecadação, enquanto estados eficientes — como o Paraná, que lidera em gestão fiscal — são punidos com menos repasses. O ranking da Folha, mesmo com suas limitações, serve de arma para o contribuinte cobrar resultados. Se um estado é ineficiente, a resposta não é aumentar impostos, mas cortar privilégios, privatizar estatais e abrir o mercado para a concorrência. A consulta ao ranking deve vir acompanhada de uma pergunta: o meu governador está no topo do ranking ou na lanterna? Se estiver na lanterna, por que ainda está no cargo?

A análise FORTIS é direta: o ranking é um espelho da doença estatal brasileira — a confusão entre meios e fins. Enquanto a Folha mede a eficiência com base em indicadores de insumo (quanto se gasta), o liberal deve ler nas entrelinhas a produtividade (o que se entrega). Um estado que gasta R$ 10 bilhões em segurança e reduz a criminalidade em 20% é mais eficiente do que um que gasta R$ 20 bilhões e mantém os índices estáveis, mas o ranking pode não captar isso se não ajustar os dados pela violência prévia. Por isso, a leitura correta do levantamento é menos importante do que a pressão pública por transparência: exigir que os dados sejam abertos, auditáveis e que incluam indicadores de liberdade econômica, como o tamanho do estado em relação ao PIB.

Contraponto necessário: críticos do ranking apontam que ele favorece estados ricos, que partem de bases maiores, e que a comparação é injusta com regiões de baixa renda. A objeção tem mérito, mas não invalida o uso do instrumento. Em vez de descartar a medição, a resposta é sofisticar a régua. O contribuinte pode usar o ranking como ponto de partida, não de chegada. Ao consultar os dados, deve cruzar com outros índices, como o Índice de Progresso Social (IPS) ou o ranking de liberdade econômica da Fraser Institute, para ter um panorama mais fiel. A eficiência não é um fim em si, mas um meio para o desenvolvimento. E desenvolvimento, em qualquer manual liberal, começa com a redução do Estado e a valorização do cidadão como cliente, não como súdito.

No fim, o que o ranking da Folha oferece é uma oportunidade rara: transformar dados em cobrança. Cada cidadão pode, com um clique, ver se seu estado está queimando dinheiro ou gerando valor. A pergunta que fica é: quantos vão usar essa ferramenta para exigir reformas estruturais, e quantos vão continuar acreditando que a solução é mais um imposto, mais uma taxa, mais um imposto sobre herança? Para o liberal, a resposta é óbvia. Mas a batalha começa na leitura dos números — e na coragem de chamar de ineficiência o que muitos chamam de 'política pública'.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.