**Lead**
Os veículos de comunicação CNN, MS NOW e Politico anunciaram nesta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, a ampliação de sua ação judicial contra o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump para incluir jurisdições brasileiras. A medida ocorre após relatos de que advogados de Trump teriam pressionado fontes no Brasil e tentado obstruir o trabalho de jornalistas dessas empresas durante a cobertura de atividades empresariais do republicano no país. O novo desdobramento do processo, originalmente movido nos tribunais americanos por difamação e assédio judicial, agora abrange acusações de violação da liberdade de imprensa no Brasil, com base na Constituição Federal e no Marco Civil da Internet.
**Contexto**
A ação original foi ajuizada em 2025, após Trump e seus representantes legais ingressarem com dezenas de processos contra a CNN, a MS NOW e o Politico, acusando-os de difamação e de publicar informações falsas sobre suas atividades pós-presidenciais. As empresas de mídia, por sua vez, contra-atacaram com uma ação alegando que as iniciativas judiciais de Trump configuravam abuso de direito e tentativa de censura, visando intimidar jornalistas e esgotar os recursos financeiros das redações.
Desde então, a disputa se arrastou por tribunais de Nova York e Washington. Nos últimos meses, no entanto, surgiram evidências de que a equipe de Trump teria estendido suas táticas de intimidação ao Brasil, onde o ex-presidente mantém negócios imobiliários e parcerias com grupos locais. Correspondentes da CNN e do Politico baseados em São Paulo e Brasília relataram ter recebido ameaças veladas, notificações extrajudiciais e pedidos de retratação com prazos exíguos, sempre com cópias para autoridades brasileiras. A MS NOW, que possui uma parceria de conteúdo com uma emissora brasileira, também relatou que seus repórteres foram alvo de vigilância e de tentativas de obstrução de pautas.
Os novos documentos apresentados à Justiça Federal do Brasil incluem trocas de e-mails e gravações que, segundo as empresas, demonstram um padrão de assédio coordenado. A ação brasileira pede a condenação de Trump ao pagamento de indenizações por danos morais coletivos e a imposição de medidas cautelares que impeçam novas investidas contra jornalistas estrangeiros em território nacional. Os veículos também solicitam que a Justiça brasileira reconheça a prática de litigância de má-fé por parte de Trump e de seus advogados.
**Análise**
A ampliação da ação para o Brasil representa um marco na luta global contra o que especialistas chamam de “cobrança legal predatória” — o uso de processos judiciais para silenciar a imprensa. Ao incluir o Brasil no litígio, CNN, MS NOW e Politico sinalizam que não recuarão diante de tentativas de intimidação transnacional. O caso também destaca a crescente interconexão entre os sistemas jurídicos de diferentes países no enfrentamento de violações à liberdade de expressão.
Para o cenário brasileiro, a ação pode ter repercussões significativas. Se a Justiça brasileira acolher as alegações, estabelecerá um precedente importante sobre a responsabilidade de figuras públicas estrangeiras que tentam interferir no trabalho da imprensa local. Além disso, o caso reacende o debate sobre a proteção de jornalistas estrangeiros no Brasil e a aplicação do Marco Civil da Internet em situações de assédio digital transfronteiriço. Advogados consultados avaliam que a decisão pode influenciar futuras ações de outros veículos internacionais que enfrentem situações semelhantes.
Por outro lado, a defesa de Trump já anunciou que contestará a competência da Justiça brasileira para julgar o caso, argumentando que os atos alegados ocorreram predominantemente nos Estados Unidos. A briga promete se arrastar por anos, mas o simples fato de a ação ter sido protocolada em um tribunal brasileiro já representa um recado claro: as empresas de mídia não aceitarão passivamente o que consideram uma campanha de desgaste judicial.
**Fontes**
A reportagem baseou-se em comunicados oficiais divulgados pela CNN, MS NOW e Politico, em notas publicadas em seus sites institucionais e em declarações de representantes legais das empresas. Informações adicionais foram obtidas junto a fontes familiarizadas com o processo, que preferiram não ser identificadas por receio de retaliações. A defesa de Donald Trump foi contatada, mas não respondeu aos pedidos de esclarecimento até o fechamento desta edição.
Por Renan Filho · 2026-10-29