**Lead**
A precariedade do sistema de transporte no Brasil é apontada como a principal dificuldade de infraestrutura por três em cada quatro empresários industriais do país. É o que revela a mais recente Sondagem Especial sobre Infraestrutura, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O levantamento, realizado entre os meses de agosto e setembro, ouviu dirigentes de empresas de todos os portes e setores, e aponta que o gargalo logístico supera, de longe, outros problemas estruturais como o custo da energia elétrica e a qualidade das telecomunicações.
**Contexto**
A pesquisa da CNI, que é uma das mais tradicionais do setor produtivo brasileiro, mostra que a insatisfação com o transporte não é um fenômeno novo, mas se agravou nos últimos anos. Entre os entrevistados, a maioria absoluta citou as rodovias como o modal mais crítico, seguidas por ferrovias e portos. O estudo indica que a falta de manutenção, a baixa capacidade de escoamento e os custos logísticos elevados são os principais fatores que levam os empresários a classificar o transporte como o maior entrave.
A CNI destaca que o Brasil possui uma matriz de transporte historicamente concentrada no modal rodoviário, que responde por cerca de 60% do deslocamento de cargas. No entanto, a malha pavimentada é insuficiente e, em muitos trechos, encontra-se em condições precárias. A Confederação estima que o custo logístico no Brasil representa cerca de 12% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto em países desenvolvidos esse percentual fica entre 6% e 8%. A diferença, segundo a entidade, é um dos fatores que reduz a competitividade da indústria nacional.
A sondagem também revela que, para os empresários, a situação é particularmente grave nas regiões Norte e Nordeste, onde a infraestrutura de transporte é ainda mais deficiente. No Sudeste e Sul, os problemas se concentram na saturação de portos e na falta de integração entre modais. A CNI ressalta que, sem investimentos robustos e contínuos, o Brasil continuará perdendo oportunidades de crescimento e de inserção no comércio global.
**Análise**
A percepção dos empresários reflete um diagnóstico que há décadas é apontado por especialistas em logística e economia: o Brasil investe abaixo do necessário em infraestrutura de transporte. Dados do Banco Mundial e do Fórum Econômico Mundial, citados em estudos da CNI, mostram que o país ocupa posições baixas em rankings globais de qualidade de estradas, ferrovias e portos. A falta de um planejamento de longo prazo e a descontinuidade de obras são apontadas como causas estruturais.
O impacto desse gargalo vai além do custo para as empresas. Ele afeta diretamente o preço final dos produtos para o consumidor, a capacidade de exportação e a geração de empregos. Quando o transporte é caro e ineficiente, a indústria perde competitividade, e o país deixa de atrair investimentos que poderiam gerar desenvolvimento regional. A CNI defende que a solução passa por um programa nacional de concessões e parcerias público-privadas (PPPs), aliado a um aumento do investimento público direto.
**Fontes**
Confederação Nacional da Indústria (CNI) – Sondagem Especial sobre Infraestrutura, divulgada em novembro de 2026. Dados e análises disponíveis no site oficial da entidade (www.portaldaindustria.com.br). Estudos complementares do Banco Mundial e do Fórum Econômico Mundial sobre competitividade e infraestrutura logística.
Por Renan Filho · 2026-11-05