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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou, nesta terça-feira, um manifesto em que pede união entre os Poderes da República e coloca a entidade à disposição para colaborar com propostas voltadas à segurança pública e ao desenvolvimento econômico do Brasil. A declaração ocorre um dia após o segundo turno das eleições presidenciais, realizadas no último domingo, e reforça o compromisso do setor industrial com a estabilidade institucional e a retomada do crescimento.
**Contexto**
Em comunicado oficial, a CNI destacou que “a segurança é condição essencial para o investimento produtivo e para a geração de empregos”. A entidade lembrou que, nos últimos anos, o país enfrentou um aumento de índices de violência, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, e que a insegurança jurídica e física tem afastado investidores. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que o Brasil registrou mais de 47 mil homicídios em 2025, número que, embora estável, ainda é considerado alto para os padrões internacionais. A CNI não citou números específicos em seu posicionamento, mas fez referência à necessidade de “políticas públicas baseadas em evidências e integração entre União, estados e municípios”.
A mobilização do setor industrial ocorre em um momento em que o novo presidente eleito, cuja posse está marcada para 1º de janeiro, inicia conversas com lideranças partidárias e entidades da sociedade civil para montar sua equipe de transição. A CNI já participou de governos anteriores com sugestões técnicas para a reforma tributária, modernização de portos e desburocratização. Desta vez, o foco está na segurança pública como vetor de competitividade.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que a entidade está pronta para “contribuir com estudos, diagnósticos e propostas que possam melhorar a eficiência do sistema de justiça criminal, ampliar o uso de tecnologia nas polícias e fortalecer a prevenção ao crime organizado”, conforme trecho do manifesto reproduzido por veículos de imprensa. Alban destacou ainda que a indústria emprega milhões de trabalhadores que dependem de um ambiente seguro para produzir e consumir.
**Análise**
A iniciativa da CNI sinaliza um esforço de aproximação entre o setor produtivo e o novo governo, independentemente do resultado eleitoral. A segurança pública, historicamente tratada como tema exclusivo dos estados, ganhou relevância na agenda nacional após sucessivos episódios de ataques a bancos, roubos de cargas e atuação de facções criminosas em áreas urbanas. Especialistas apontam que a ausência de uma política nacional integrada de segurança tem gerado custos adicionais para as empresas, que precisam investir em escoltas, alarmes e seguros.
A CNI propõe que o governo federal lidere a criação de um plano nacional de segurança que una as forças policiais, aperfeiçoe a inteligência e combata o crime organizado com ferramentas modernas, como reconhecimento facial e rastreamento de cargas. Em troca, o setor se compromete a colaborar com a capacitação de agentes e o desenvolvimento de tecnologias nacionais. A proposta ecoa modelos adotados em países como Colômbia e Estados Unidos, onde a iniciativa privada participa ativamente de consórcios de segurança.
Além disso, a entidade defende que a segurança pública deve ser tratada como questão de competitividade internacional. Empresas multinacionais, ao decidir onde instalar fábricas ou centros de distribuição, levam em conta o risco de violência. Se o Brasil conseguir reduzir seus indicadores, pode atrair investimentos que hoje vão para países como México ou Vietnã, que oferecem custos menores de proteção patrimonial.
**Fontes**
As informações foram baseadas no manifesto oficial da Confederação Nacional da Indústria, divulgado em seu site e reproduzido por agências de notícias como Reuters e Agência Brasil. Dados de homicídios são referentes ao Anuário de Segurança Pública de 2025, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Declarações do presidente da CNI, Ricardo Alban, foram veiculadas em comunicado oficial da entidade.
Por Renan Filho · 2026-10-27