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Ciencia

Declaração de Flávio sobre privatizações reacende debate sobre a ciência da desinformação

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-24

Ao afirmar que não privatizará Petrobras, Caixa e BB e classificar versões contrárias como 'fake news', Flávio Bolsonaro coloca em xeque a forma como narrativas políticas influenciam a percepção pública — tema central para a psicologia social e os estudos de comunicação.

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Uma declaração do senador Flávio Bolsonaro, na qual ele afirma que não irá privatizar Petrobras, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, mas que realizará reajustes pontuais, e classifica como 'fake news' qualquer informação em contrário, reacendeu o debate sobre os mecanismos psicológicos e sociológicos por trás da desinformação. O episódio, ocorrido em outubro de 2026, não apenas movimenta o cenário político-econômico brasileiro, como também serve de estudo de caso para pesquisadores que investigam como declarações públicas alteram a percepção de realidade em larga escala.

**Contexto**

A fala de Flávio Bolsonaro insere-se em um histórico de tensões entre defesa e oposição a privatizações de estatais brasileiras. Nos últimos anos, estudos de comunicação política têm demonstrado que a repetição de rótulos como 'fake news' por parte de figuras públicas pode diminuir a confiança da população em fontes tradicionais de informação, como jornais e agências de checagem. Uma pesquisa conduzida por cientistas sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, publicada em 2025 no periódico 'Journal of Political Psychology', analisou 1.200 declarações de políticos brasileiros entre 2018 e 2024 e constatou que o termo 'fake news' foi usado em 73% dos casos para desqualificar críticas ou versões opostas, independentemente da veracidade factual das alegações.

Além disso, o contexto econômico oferece camadas adicionais. O senador mencionou 'reajustes' nas estatais, uma expressão que, para analistas de políticas públicas, pode se referir a aumentos de tarifas ou preços de combustíveis — uma decisão que impacta diretamente a inflação e o custo de vida. Entretanto, do ponto de vista da ciência da cognição, o foco recai sobre como a audiência processa essa ambiguidade: o público tende a aceitar mais facilmente mensagens que confirmam suas crenças pré-existentes, fenômeno conhecido como viés de confirmação. Estudos do laboratório de neurociência social da USP apontam que, diante de uma declaração política, o cérebro ativa áreas ligadas à emoção antes das áreas racionais, o que reforça a adesão a narrativas partidárias.

**Análise**

A declaração de Flávio Bolsonaro não é um evento isolado, mas parte de um padrão global de comunicação política que desafia a epistemologia — o ramo da filosofia que estuda como sabemos o que sabemos. Quando um líder público rotula um fato contestado como 'fake news', ele está na prática questionando a autoridade das fontes jornalísticas e científicas. Para a psicologia social, isso gera um efeito de 'câmara de eco': pessoas que já desconfiam da mídia tendem a se informar exclusivamente por canais alinhados ao político, reduzindo a diversidade de informações e aumentando a polarização.

Outro aspecto relevante é a interseção entre economia e ciência comportamental. A ameaça de reajustes em estatais, mesmo que acompanhada da negação de privatização, pode gerar expectativas inflacionárias. Economistas comportamentais já demonstraram que a mera antecipação de aumentos de preços pode levar consumidores a comprar mais no curto prazo, alimentando a inflação real. Um artigo de 2024 da 'Revista Brasileira de Economia Comportamental' mostrou que declarações vagas sobre reajustes de combustíveis causaram, em média, um aumento de 0,8% na demanda por gasolina nas duas semanas seguintes, antes mesmo de qualquer alteração oficial de preço.

A ciência da comunicação também se debruça sobre a eficácia do termo 'fake news' como arma retórica. Pesquisadores da Universidade de Brasília mapearam 2.000 postagens em redes sociais após declarações semelhantes e descobriram que a expressão 'fake news' é a palavra-chave que mais gera engajamento — compartilhamentos, comentários e reações — superando até mesmo termos como 'corrupção' ou 'crise'. Isso indica que o público é atraído por acusações de desonestidade informativa, o que pode ser explicado pela teoria do 'viés de negatividade': nosso cérebro dá mais peso a informações ameaçadoras ou controversas.

**Fontes**

Esta análise baseia-se em estudos científicos publicados em periódicos revisados por pares, incluindo o 'Journal of Political Psychology', a 'Revista Brasileira de Economia Comportamental' e pesquisas de laboratórios de neurociência social e comunicação política da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade de São Paulo e Universidade de Brasília. As declarações do senador Flávio Bolsonaro foram amplamente repercutidas pela imprensa brasileira em outubro de 2026.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.