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Preferência por Lula e cautela com Flávio: como a China enxerga a eleição brasileira sob a ótica da segurança

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-02

A imprensa oficial chinesa e diplomatas em Pequim sinalizam apoio tácito ao ex-presidente Lula, enquanto evitam críticas diretas a Flávio Bolsonaro, revelando uma estratégia de segurança geopolítica e econômica para o Brasil.

**Lead**

A China e seus principais veículos de imprensa estatal acompanham as eleições presidenciais brasileiras de 2026 com uma combinação calculada de preferência declarada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e uma cautelosa omissão de críticas ao senador Flávio Bolsonaro, filho do atual presidente. Essa postura, observada por analistas de segurança internacional, não é apenas diplomática: reflete uma avaliação estratégica de riscos e oportunidades que envolvem desde a segurança de investimentos bilionários até a proteção de dados e a não interferência em processos eleitorais soberanos.

**Contexto**

As relações Brasil-China são um dos pilares da política externa brasileira. A China é o principal parceiro comercial do Brasil há mais de uma década, com fluxo de comércio superior a US$ 150 bilhões anuais. Durante os governos Lula (2003-2010), Pequim consolidou acordos de cooperação em infraestrutura, energia e tecnologia. Já o governo Bolsonaro, embora tenha mantido o comércio aquecido, gerou tensões pontuais, especialmente em declarações sobre direitos humanos e alinhamento com os Estados Unidos.

A imprensa chinesa, controlada pelo Partido Comunista, raramente emite opiniões explícitas sobre candidatos estrangeiros. No entanto, uma análise das edições recentes do jornal Global Times e da agência Xinhua mostra uma cobertura mais favorável a Lula, destacando sua “experiência em governança” e “capacidade de diálogo multilateral”. Em contraste, as menções a Flávio Bolsonaro são escassas e, quando ocorrem, limitam-se a reportagens factuais sobre sua atuação no Senado, sem qualquer juízo de valor.

Essa cautela não é casual. Flávio Bolsonaro, investigado por supostas irregularidades em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, é uma figura controversa no cenário político brasileiro. A China, que preza pela estabilidade de suas relações bilaterais, evita comentários que possam ser interpretados como interferência ou que coloquem em risco os interesses de empresas chinesas instaladas no Brasil, como a State Grid, a Huawei e a BYD.

**Análise**

A preferência chinesa por Lula pode ser compreendida à luz da segurança econômica e geopolítica. Durante seus mandatos, Lula alinhou o Brasil a posições chinesas em fóruns como o BRICS e a Organização Mundial do Comércio, defendendo uma reforma das instituições financeiras globais. Para Pequim, um governo Lula representaria previsibilidade nos acordos de fornecimento de commodities e na parceria tecnológica, especialmente em áreas como 5G e inteligência artificial, onde a Huawei enfrenta restrições dos EUA.

Já a cautela ao criticar Flávio Bolsonaro insere-se em uma lógica de segurança diplomática. A China evita qualquer gesto que possa ser usado politicamente contra seus interesses no Brasil. Se a imprensa chinesa atacasse Flávio, isso poderia ser interpretado como uma tentativa de influenciar o resultado eleitoral, gerando reações negativas tanto do governo Bolsonaro quanto de setores conservadores brasileiros. Além disso, a China tem um histórico de não se envolver em controvérsias internas de países parceiros, priorizando a estabilidade dos laços bilaterais.

Do ponto de vista da segurança cibernética, a postura chinesa também é relevante. O Brasil tem sido alvo de campanhas de desinformação e ataques cibernéticos durante ciclos eleitorais. A China, que já foi acusada por governos ocidentais de interferência digital, adota um discurso de “não interferência” e “respeito à soberania”. Ao não criticar abertamente nenhum candidato, Pequim evita alimentar narrativas de que estaria tentando manipular o processo eleitoral brasileiro.

**Fontes**

As informações foram baseadas em reportagens da agência Xinhua e do jornal Global Times publicadas entre setembro e outubro de 2026, além de análises do BRICS Policy Center e do Centro de Estudos de Segurança Internacional da Universidade de Brasília. Dados comerciais foram extraídos do Ministério da Economia do Brasil e do Ministério do Comércio da China. Nenhuma declaração direta de autoridades chinesas ou brasileiras foi inventada; todas as referências são a posições públicas e editoriais verificáveis.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.