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Economia

Em meio a ajuste fiscal, Chile enfrenta queda do PIB enquanto Brasil registra alta no desemprego

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-23

A economia chilena sente os efeitos do aperto fiscal, com retração do Produto Interno Bruto, ao mesmo tempo que o mercado de trabalho brasileiro apresenta aumento da taxa de desemprego, segundo dados preliminares de bancos centrais e institutos de estatística.

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Em meio a um agressivo ajuste fiscal para conter o déficit público, o Chile registrou uma queda no Produto Interno Bruto (PIB) no último trimestre, segundo estimativas oficiais. Paralelamente, o Brasil divulgou dados que apontam elevação na taxa de desemprego, sinalizando desafios no mercado de trabalho da maior economia latino-americana. Os dois indicadores, embora de naturezas distintas, refletem um cenário de desaceleração econômica regional, influenciado por fatores domésticos e externos.

**Contexto**

O governo chileno iniciou um programa de contenção de gastos após os expressivos estímulos fiscais adotados durante a pandemia de covid-19. O objetivo é reduzir o déficit orçamentário e estabilizar a dívida pública, que cresceu substancialmente nos últimos anos. No entanto, as medidas de corte de investimentos e aumento de impostos têm pressionado a atividade econômica, levando a uma contração do PIB em setores como construção civil e comércio. O Banco Central do Chile, em seus relatórios de política monetária, já havia sinalizado riscos de crescimento negativo, mas a magnitude da retração surpreendeu analistas.

Ao mesmo tempo, o Brasil enfrenta uma deterioração no mercado de trabalho. Após um período de recuperação pós-pandemia, com queda consistente da taxa de desemprego, novos números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam uma reversão da tendência. A alta é atribuída, em parte, ao enfraquecimento da atividade industrial e à redução dos investimentos privados, em um contexto de juros ainda elevados e incertezas sobre as perspectivas fiscais do país. Embora o governo brasileiro tenha implementado programas de transferência de renda, o efeito sobre a geração de empregos formais tem sido limitado.

A conjuntura internacional também contribui para o cenário adverso. A desaceleração da economia chinesa, principal parceira comercial do Chile, reduziu a demanda por cobre, afetando as exportações chilenas. Já o Brasil, dependente de commodities agrícolas e minerais, sente o impacto da queda nos preços internacionais e das taxas de juros elevadas nos Estados Unidos, que encarecem o crédito global e inibem investimentos.

**Análise**

A queda do PIB chileno em meio ao ajuste fiscal reaviva o debate sobre a velocidade e a intensidade desse tipo de política. Economistas alertam que um aperto muito severo pode aprofundar a recessão e atrasar a recuperação, enquanto a ausência de equilíbrio fiscal pode gerar desconfiança nos mercados financeiros. O Chile, que por décadas foi exemplo de gestão econômica na América Latina, precisa encontrar um ponto de equilíbrio entre as metas de austeridade e a manutenção do crescimento. O impacto sobre o emprego e a renda das famílias é uma preocupação real, sobretudo em um país que ainda enfrenta desigualdades estruturais.

Para o Brasil, o aumento do desemprego representa um revés político e social. O mercado de trabalho é um termômetro da economia real, e a reversão da queda da taxa de desemprego pode reduzir o consumo das famílias e pressionar a arrecadação tributária. Além disso, a alta do desemprego tende a gerar pressões por mais gastos sociais, o que pode entrar em conflito com a busca por responsabilidade fiscal. As autoridades econômicas brasileiras monitoram os dados com atenção, mas as ferramentas de política monetária e fiscal disponíveis são limitadas, dado o patamar inflacionário ainda elevado e o espaço restrito para novos estímulos. A interligação das economias latino-americanas significa que um desempenho fraco do Chile e do Brasil pode afetar toda a região, reduzindo o comércio bilateral e os fluxos de investimento estrangeiro direto. Organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial têm recomendado cautela na calibragem de políticas domésticas, sugerindo que ajustes fiscais, quando necessários, sejam graduais e acompanhados de medidas para proteger o emprego e o crescimento.

**Fontes**

Banco Central do Chile – Relatório de Política Monetária e divulgações de contas nacionais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). Fundo Monetário Internacional (FMI) – Perspectivas Econômicas Regionais para a América Latina e o Caribe. Banco Mundial – Relatórios de desenvolvimento econômico para a América Latina.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.