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Em um ato político realizado no último fim de semana em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ambulantes foram flagrados vendendo chapéus com a marca do petista por R$ 50 cada. O evento, que reuniu apoiadores brasileiros e estrangeiros em uma capital europeia não identificada, chamou atenção pela comercialização informal de itens de campanha. As imagens, amplamente compartilhadas nas redes sociais, mostram dezenas de bonés azuis com o nome “Lula” bordado em branco sendo oferecidos por vendedores que circulavam entre os participantes. A ocorrência levanta questões sobre a logística de materiais de campanha no exterior e o papel dos ambulantes na difusão da marca do ex-presidente.
**Contexto**
A presença de ambulantes em eventos políticos não é novidade no Brasil, mas ganha contornos específicos quando ocorre fora do país. Durante a campanha presidencial de 2022, itens como bonés, camisetas e bandeiras eram comuns em comícios e carreatas, muitas vezes vendidos por comerciantes informais que aproveitam a demanda por símbolos partidários. No caso do ato internacional, a venda de chapéus a R$ 50 — valor considerado elevado para um item sem certificação oficial — sugere que a marca de Lula possui apelo comercial mesmo além das fronteiras nacionais.
A marca “Lula” transcende o campo político e se tornou um símbolo reconhecível globalmente, especialmente após os processos judiciais e a posterior anulação de condenações. O ex-presidente, que já foi recebido por líderes mundiais e participou de eventos internacionais, mantém uma base de apoiadores no exterior, formada por brasileiros emigrados e simpatizantes estrangeiros. Esses grupos organizam atos e encontros, muitas vezes com a venda de produtos não oficiais como forma de financiar despesas ou simplesmente como atividade de ambulantes locais.
A ausência de controle sobre a procedência dos chapéus — que podem ser fabricados de forma artesanal ou em pequenas confecções — levanta dúvidas sobre a relação entre a campanha oficial e esses comerciantes. Até o momento, não há informações de que a equipe de Lula tenha autorizado ou se beneficiado diretamente dessas vendas. A prática, no entanto, é comum em eventos de grande porte, onde a fiscalização é limitada e a demanda por itens de recordação é alta.
**Análise**
A venda de chapéus com a marca de Lula por ambulantes em um ato internacional revela a força do “merchandising político” informal. Em um cenário onde a economia digital e as redes sociais amplificam a visibilidade de candidatos, a comercialização de produtos não licenciados pode tanto ajudar a difundir a marca quanto gerar riscos de imagem. Se os chapéus forem de baixa qualidade ou associados a práticas ilegais, a campanha pode ser prejudicada. Por outro lado, a presença de ambulantes indica um engajamento espontâneo que poucos políticos conseguem mobilizar fora de seu país.
O preço de R$ 50, equivalente a cerca de 10 dólares ou 9 euros, é significativo. Em comparação, itens oficiais de campanha costumam ser vendidos a valores mais baixos em eventos no Brasil, mas a logística internacional e a escassez de oferta podem justificar o valor. Ainda assim, a informalidade da transação — sem nota fiscal, garantia ou vínculo com a organização — expõe os compradores a possíveis fraudes. Para a campanha de Lula, o episódio serve como alerta sobre a necessidade de monitorar a presença de sua marca em eventos no exterior, especialmente em um contexto de crescente polarização política.
Especialistas em marketing político apontam que a venda de produtos não oficiais pode ser uma faca de dois gumes. Por um lado, amplia o alcance da mensagem e gera renda para pequenos comerciantes. Por outro, pode desvirtuar a identidade visual da campanha e criar associações indesejadas. No caso de Lula, cuja imagem já foi alvo de intensos debates, a circulação de chapéus vendidos por ambulantes no exterior reforça a percepção de que sua figura continua a gerar interesse e mobilização, mesmo a milhares de quilômetros do Brasil.
**Fontes**
Imagens e vídeos do evento compartilhados nas redes sociais; relatos de participantes do ato; reportagens de veículos locais que cobriram a manifestação; análise de especialistas em marketing político e economia informal.
Por Renan Filho · 2026-10-03