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Em um ato de campanha realizado no último fim de semana, ambulantes montaram pontos de venda improvisados e comercializaram chapéus com a marca do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao preço de R$ 50 cada. A cena, comum em eventos políticos, chamou a atenção pelo volume de vendas e pela rápida absorção dos produtos pelos participantes, evidenciando um microcosmo da economia informal que se intensifica em períodos eleitorais.
**Contexto**
A venda de itens personalizados com símbolos de candidatos é uma prática consolidada no Brasil. Durante a campanha de 2022, bonés, camisetas e bandeiras já eram comercializados por ambulantes em comícios e passeatas. Agora, com a aproximação de novas eleições, o fenômeno se repete. Os chapéus, confeccionados em tecido leve e estampados com o nome e o rosto de Lula, foram oferecidos a R$ 50 — valor que, segundo relatos de participantes, estava acima da média de outros souvenirs políticos, mas ainda assim encontrou compradores dispostos.
A economia informal brasileira movimenta bilhões de reais anualmente, e eventos de grande concentração popular funcionam como catalisadores para esse mercado. Ambulantes aproveitam a alta demanda por produtos que simbolizam adesão política, muitas vezes adquirindo os itens de pequenos fabricantes locais ou produzindo artesanalmente. No caso dos chapéus, a margem de lucro estimada por vendedores ouvidos informalmente gira em torno de 30% a 50%, considerando o custo de produção e a logística de transporte até o local do ato.
A escolha do chapéu como item de destaque não é aleatória. Acessórios de cabeça têm forte apelo visual e são facilmente identificáveis em meio a multidões, funcionando como uma declaração pública de apoio. Além disso, o preço de R$ 50 posiciona o produto em uma faixa intermediária: não tão barato a ponto de ser descartável, nem tão caro que exclua a maioria dos apoiadores. Essa estratégia de precificação reflete um cálculo econômico típico do comércio de rua, onde o vendedor ajusta o valor com base na percepção de valor do público e na concorrência local.
**Análise**
A venda dos chapéus a R$ 50 em um ato para Lula revela mais do que uma simples transação comercial. Trata-se de um indicador da força da marca do ex-presidente entre seus seguidores. Em termos de marketing político, a disposição de pagar um valor acima da média por um item personalizado sinaliza alto engajamento e identificação com a figura pública. Esse tipo de consumo simbólico é estudado por economistas comportamentais como uma forma de expressão de identidade, onde o bem adquirido não é apenas um objeto, mas um veículo de pertencimento.
Do ponto de vista da economia informal, o episódio demonstra a capacidade de adaptação dos ambulantes às oportunidades sazonais. Em períodos eleitorais, a demanda por souvenirs políticos pode aumentar significativamente, gerando renda extra para milhares de trabalhadores que atuam à margem do sistema formal. No entanto, essa atividade também levanta questões sobre direitos de imagem e propriedade intelectual, uma vez que o uso da marca de um candidato sem autorização pode gerar conflitos legais. Até o momento, não há registro de ações judiciais relacionadas a esses produtos, mas o tema é recorrente em campanhas anteriores.
Outro aspecto relevante é o impacto na percepção pública da campanha. A presença de ambulantes vendendo itens oficiais ou não oficiais pode ser interpretada como um sinal de popularidade e capilaridade do movimento. Por outro lado, a precificação elevada em relação a outros itens similares pode gerar críticas sobre elitização do acesso a símbolos partidários. Em geral, a economia dos atos políticos funciona como um termômetro do entusiasmo popular, e a disposição para gastar R$ 50 em um chapéu sugere um nível de comprometimento financeiro que vai além do mero apoio retórico.
**Fontes**
Relatos de ambulantes e participantes do ato de campanha; análise de mercado informal baseada em observações de campo; estudos sobre economia comportamental e consumo simbólico em contextos eleitorais; dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre trabalho informal (sem citação numérica específica).
Por Renan Filho · 2026-10-03