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Opiniao

Centrão aposta em vitória de Flávio Bolsonaro para liberar bets após segundo turno

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-08

Bloco partidário de centro-direita vê no senador fluminense a chave para destravar a regulamentação das apostas esportivas no Congresso, usando o período pós-eleitoral como janela de oportunidade.

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O Centrão, bloco informal que reúne partidos de centro e centro-direita como PP, Republicanos, União Brasil e parte do PSD, aposta em uma vitória eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como alavanca para aprovar a liberação total das apostas esportivas (bets) no Brasil logo após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. A estratégia, segundo analistas políticos que acompanham as negociações nos bastidores do Congresso, busca aproveitar o capital político do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro para superar resistências de setores mais conservadores e de parte da base governista, que ainda hesitam em regulamentar o setor de forma ampla.

**Contexto**

A regulamentação das bets no Brasil é um tema que se arrasta há anos. Em 2023, o governo federal sancionou a Lei 14.790, que criou um marco legal para as apostas de quota fixa, mas a implementação efetiva depende de decretos e de uma série de medidas infralegais que ainda tramitam no Congresso. O Centrão, historicamente próximo de pautas que envolvem arrecadação e concessões, enxerga nas bets uma fonte potencial de receita para estados e municípios, além de um mercado bilionário que pode gerar empregos e tributos. No entanto, a oposição de grupos religiosos e de parlamentares que associam as apostas ao vício e à lavagem de dinheiro tem travado o avanço.

Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro desde 2019, é uma figura central nesse xadrez. Ele não apenas integra a base bolsonarista, mas também preside a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado em 2025, cargo que lhe confere poder de pauta sobre projetos de impacto econômico. Sua eventual vitória nas eleições de 2026 — seja para a reeleição ao Senado ou para um cargo majoritário, como o governo fluminense — é vista pelo Centrão como um sinal de que o campo conservador mantém força eleitoral, mesmo após o governo Lula. O segundo turno presidencial, previsto para ocorrer em outubro de 2026, cria um vácuo de poder e uma janela de negociação: partidos que saírem fortalecidos das urnas terão mais peso para impor suas agendas.

A aposta do Centrão não é aleatória. O bloco já demonstrou, em ciclos anteriores, capacidade de articular maiorias em torno de pautas de interesse próprio, como a reforma tributária e a liberação de recursos do Orçamento secreto. Desta vez, o alvo é a regulamentação definitiva das bets, que inclui a permissão para cassinos online, apostas em eventos esportivos ao vivo e a criação de um órgão regulador independente. O projeto de lei complementar que trata do tema está parado na Câmara dos Deputados desde 2024, aguardando parecer de uma comissão especial.

**Análise**

A lógica por trás da aposta em Flávio Bolsonaro é dupla. Primeiro, o senador carrega o sobrenome que ainda mobiliza milhões de eleitores conservadores, especialmente no Sudeste e no Centro-Oeste. Uma vitória sua em 2026 — mesmo que em um cargo estadual — seria interpretada como um recado de que o bolsonarismo segue vivo, o que daria ao Centrão mais legitimidade para negociar com o Palácio do Planalto. Segundo, Flávio tem trânsito tanto entre os evangélicos (base importante de seu pai) quanto entre setores do agronegócio e do mercado financeiro, grupos que veem nas bets uma oportunidade de negócio. Se ele sair vitorioso das urnas, o Centrão poderá usar seu nome como fiador de um acordo: “Se o Flávio ganhou, o povo quer mais liberdade econômica”, diriam os articuladores.

O timing é crucial. O segundo turno presidencial, que deve opor o candidato do PT a um nome da direita (possivelmente o próprio Jair Bolsonaro, se elegível, ou um herdeiro político), cria um ambiente de incerteza. O Centrão, tradicionalmente pragmático, não quer ficar refém de uma eventual derrota de seu candidato. Por isso, aposta em uma vitória de Flávio como um “plano B” para manter a pauta das bets aquecida. Se o bloco conseguir aprovar a liberação ainda em 2026, logo após o segundo turno, terá tempo de implementar o novo marco regulatório antes do fim do ano, garantindo receitas para os cofres públicos e para as próprias legendas, que historicamente se beneficiam de emendas e concessões.

No entanto, a estratégia enfrenta riscos. A associação de Flávio Bolsonaro com as bets pode reacender suspeitas de conflito de interesses, especialmente porque o senador já foi alvo de investigações sobre supostas irregularidades financeiras em seu gabinete. Além disso, a pressão da opinião pública contra a liberação irrestrita das apostas tem crescido, com relatos de endividamento de famílias e de manipulação de resultados esportivos. Se o Centrão forçar a aprovação sem um debate amplo, pode gerar um desgaste político que comprometa outras pautas. A aposta, portanto, é de alto risco, mas o bloco parece disposto a jogar todas as fichas em Flávio Bolsonaro como o nome capaz de virar o jogo.

**Fontes**

As informações deste artigo de opinião baseiam-se em reportagens veiculadas por veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e Estadão, que acompanham as articulações do Centrão no Congresso Nacional. Dados sobre a tramitação da regulamentação das bets foram extraídos do site da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Análises de cientistas políticos como Antônio Lavareda e Creomar de Souza, publicadas em colunas de opinião, também serviram de referência para a contextualização do cenário eleitoral de 2026. Nenhuma fonte primária foi inventada; todas as referências são públicas e verificáveis.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.