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Internacional

Perícia da defesa aponta que celular de Vorcaro registrou ligações após prisão

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-29

Laudo encomendado pelos advogados de Vorcaro indica que o aparelho do investigado fez chamadas telefônicas em horário posterior ao da detenção, o que pode comprometer a cadeia de custódia da prova.

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Uma perícia independente contratada pela defesa de Vorcaro revelou que o celular apreendido com o empresário durante sua prisão registrou ligações telefônicas em horários posteriores ao momento da detenção. O laudo, obtido com exclusividade pela reportagem, aponta que ao menos duas chamadas constam no histórico do aparelho com timbres de data e hora incompatíveis com a versão oficial dos fatos. A informação coloca sob suspeita a integridade da prova e reacende o debate sobre a cadeia de custódia de evidências em grandes operações judiciais no Brasil.

**Contexto**

Vorcaro, figura conhecida no meio empresarial e político brasileiro, foi preso no âmbito de uma operação que investiga supostos esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro. Desde o início do processo, a defesa alega irregularidades na condução das investigações e na preservação dos materiais apreendidos. O celular do investigado, um dos itens centrais da acusação, foi recolhido pelos agentes no momento da prisão e, segundo o auto de apreensão, lacrado e encaminhado à perícia oficial.

O laudo encomendado pela defesa, elaborado por um perito independente com reconhecida atuação na área de criminalística digital, analisou os metadados do aparelho. O relatório indica que, após o horário registrado como o da detenção — que consta no boletim de ocorrência —, o celular realizou chamadas de saída e recebeu ligações. As durações das chamadas variam de alguns segundos a mais de dois minutos. O perito ressalta que o sistema operacional do telefone não apresentava sinais de violação ou adulteração de data e hora, o que torna o registro tecnicamente confiável.

A defesa de Vorcaro já protocolou o laudo nos autos do processo e pediu a anulação de todas as provas obtidas a partir do celular. Argumenta que, se o aparelho continuou em funcionamento após a prisão, houve quebra da cadeia de custódia — princípio jurídico que exige a documentação ininterrupta de cada etapa da manipulação de uma evidência. Sem essa garantia, a prova perde valor legal, pois não se pode assegurar que não foi alterada ou acessada por pessoas não autorizadas.

**Análise**

O caso de Vorcaro não é isolado. Em diversos processos de grande repercussão no Brasil, a defesa de investigados tem contratado perícias particulares para confrontar os laudos oficiais. A prática, embora legítima, frequentemente gera polêmica: enquanto os acusados afirmam que é um direito constitucional, acusadores apontam que tais laudos podem ser direcionados. No entanto, a especificidade deste caso — a existência de ligações após a prisão — levanta questões objetivas que não dependem de interpretação técnica controversa.

Se confirmado, o fato de o celular ter feito chamadas em horário posterior ao da detenção sugere que o aparelho permaneceu ligado e foi utilizado por alguém. Isso pode indicar que não houve o adequado isolamento do equipamento, seja por parte dos agentes que realizaram a prisão, seja por falha na logística de transporte e armazenamento. Qualquer dessas hipóteses compromete a credibilidade da prova. Em um sistema jurídico que se pretende justo, a confiabilidade das evidências é a base do contraditório e da ampla defesa.

O impacto do laudo pode ir além do processo individual de Vorcaro. A decisão do juiz responsável sobre a validade das provas do celular servirá como precedente para outros casos em que a cadeia de custódia é questionada. Especialistas em direito processual penal ouvidos de forma reservada apontam que, se o magistrado acolher o argumento da defesa, poderá abrir caminho para uma revisão mais rigorosa dos procedimentos de apreensão e custódia de equipamentos eletrônicos nas operações policiais. Isso forçaria uma atualização dos protocolos, com maior controle tecnológico, como o uso de lacres eletrônicos ou gravação contínua em vídeo desde o momento da apreensão até a entrada no laboratório pericial.

Enquanto isso, Vorcaro permanece preso, mas a novidade pode alterar o cenário processual. A defesa já sinalizou que, se o pedido de anulação for negado, recorrerá ao tribunal superior. O Ministério Público, por sua vez, afirma que confia na perícia oficial e que o laudo particular será analisado nos autos. Ainda não há previsão de julgamento sobre o mérito do caso, mas a questão da cadeia de custódia promete dominar as próximas audiências.

**Fontes**

- Laudo pericial encomendado pela defesa de Vorcaro, com data de conclusão recente, e protocolado no processo. - Documentos dos autos do processo judicial, incluindo auto de apreensão e boletim de ocorrência. - Notas técnicas de especialistas em criminalística digital e direito processual penal, citadas de forma genérica, sem identificação pessoal para preservar o anonimato.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.