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Economia

Ceará tem menos dinheiro por habitante do país, mas avança em áreas essenciais; gestão fiscal é o desafio

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-22

Levantamento do IBGE coloca o Ceará na lanterna nacional em receita per capita, mas indicadores de educação e saúde mostram progresso. Especialistas apontam necessidade de reformas estruturais para sustentar o desenvolvimento.

O Ceará vive um paradoxo que merece atenção de gestores públicos e da iniciativa privada. De um lado, a arrecadação por habitante é a menor do Brasil, segundo dados do IBGE referentes a 2024, consolidando uma posição incômoda no ranking nacional. De outro, o estado conseguiu registrar avanços em áreas consideradas fundamentais para o desenvolvimento humano, como educação básica e atenção primária à saúde, o que sugere que o problema não está na capacidade de entregar serviços, mas na estrutura fiscal que limita investimentos.

A receita corrente per capita cearense ficou em R$ 3.842,00, bem abaixo da média nacional de R$ 5.214,00 e do vizinho Piauí, que ocupa a penúltima posição com R$ 4.101,00. O dado, extraído do Sistema de Informações Contábeis Fiscais do Setor Público Brasileiro (SICONFI) e divulgado pelo IBGE, evidencia uma realidade que se arrasta há décadas: a dependência de transferências constitucionais e a baixa atividade econômica interna.

Apesar da escassez de recursos, o Ceará apresentou melhorias significativas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) de 2023, último ano com dados consolidados. O estado alcançou nota 5,8 nos anos iniciais do ensino fundamental, superando a meta projetada e reduzindo a distância para a média nacional. Na saúde, a cobertura da Estratégia Saúde da Família (ESF) atingiu 92% da população, segundo o Ministério da Saúde, um dos maiores índices do Nordeste, com reflexos na queda da mortalidade infantil.

Por que isso importa? Porque o caso cearense demonstra que eficiência na gestão pública pode render frutos mesmo com orçamento apertado. O estado conseguiu priorizar programas estruturantes, como o Pacto pela Aprendizagem, que monitora indicadores escolares em tempo real, e a expansão de policlínicas regionais, que desafogaram hospitais de alta complexidade. No entanto, a sustentabilidade desses avanços depende de uma equação fiscal que hoje não fecha.

A análise FORTIS, alinhada aos princípios de livre mercado, aponta que o caminho para o Ceará não passa apenas pelo aumento de repasses federais, mas pela criação de um ambiente de negócios mais dinâmico. A reforma tributária em discussão no Congresso, por exemplo, pode ser uma oportunidade para o estado simplificar sua legislação e atrair investimentos em setores como energias renováveis e turismo, que têm potencial comprovado na região. No entanto, sem um choque de gestão que reduza a máquina pública e incentive a formalização, o estado continuará refém da baixa arrecadação.

Contraponto: críticos argumentam que comparar receita per capita sem considerar o custo de vida local e as desigualdades regionais pode levar a conclusões precipitadas. O professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), José Menezes, em entrevista à Rádio O POVO CBN, ponderou que "o Ceará tem uma base de arrecadação própria limitada, mas o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB) e o SUS garantem um piso de investimentos que explicam parte dos avanços". Para ele, a solução não é simplesmente gastar mais, mas qualificar o gasto e diversificar a economia.

A realidade é que o Ceará precisa de uma agenda de médio e longo prazo que una responsabilidade fiscal e inovação. A recente aprovação do novo marco do gás natural no estado, que promete reduzir custos de energia para o setor produtivo, é um passo na direção certa, mas ainda insuficiente para transformar a matriz econômica local. Enquanto isso, a população cearense segue cobrando melhorias na segurança pública e na infraestrutura, áreas que exigem vultosos investimentos.

O FORTIS NEWS entende que o caso cearense é um laboratório para o Brasil: se um estado com poucos recursos consegue avançar em indicadores sociais, o problema nacional não é falta de dinheiro, mas de prioridades e eficiência. A discussão sobre o pacto federativo, que redistribui as receitas da União, é urgente e deve considerar não apenas o tamanho da população, mas a capacidade de cada ente em gerar riqueza. O Ceará, com sua vocação para a economia criativa e o agronegócio irrigado, pode surpreender se receber as condições adequadas.

Aos liberais, fica o alerta: é preciso apoiar políticas que aumentem a competitividade do estado, como a reforma administrativa e a desburocratização, sem perder de vista a proteção social que já conquistou. O equilíbrio entre eficiência econômica e inclusão é o desafio que o Ceará impõe, e o Brasil inteiro observa com atenção.

**1. Por que o Ceará tem a menor receita per capita do Brasil?** A combinação de baixa atividade econômica, alta informalidade e dependência de transferências federais explica o resultado. O estado arrecada pouco com ICMS e outros tributos próprios, o que reduz o montante disponível por habitante, mesmo com o repasse do FUNDEB e do SUS.

**2. Quais avanços o Ceará conseguiu alcançar com menos dinheiro?** Os principais avanços estão na educação, com o aumento do IDEB, e na saúde, com a alta cobertura da Estratégia Saúde da Família. Esses resultados são atribuídos a programas de gestão focados em metas e ao uso de tecnologia, como o sistema de monitoramento escolar, e não a um aumento real de investimentos.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.