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Cataratas do Iguaçu têm vazão nove vezes acima do normal e parque é fechado no lado argentino

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-12

O Parque Nacional do Iguaçu, na Argentina, foi fechado temporariamente após o rio atingir vazão nove vezes superior à média histórica; lado brasileiro segue sob monitoramento.

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O Parque Nacional do Iguaçu, na Argentina, foi fechado para visitantes nesta segunda-feira, 12 de outubro de 2026, depois que a vazão das Cataratas do Iguaçu atingiu a marca de nove vezes acima do normal. O volume extraordinário de água, impulsionado por chuvas intensas na bacia do rio Iguaçu, elevou o nível do rio a patamares de segurança crítica e obrigou as autoridades do parque a suspenderem o acesso às passarelas e mirantes do lado argentino. O lado brasileiro, administrado pelo ICMBio, permanece aberto, mas com monitoramento reforçado.

**Contexto**

A medição da vazão das cataratas é feita pela concessionária que administra o parque do lado argentino e por órgãos hidrológicos da bacia do rio Iguaçu. O valor médio histórico de vazão nas cataratas gira em torno de 1,5 mil metros cúbicos por segundo. Quando chuvas fortes atingem a região, a vazão pode subir rapidamente, e volumes acima de 6 mil metros cúbicos por segundo já foram registrados em eventos extremos anteriores, como em 2014 e 2023, quando o parque também teve que ser fechado por segurança. Nesta ocasião, a vazão medida superou a casa dos 13 mil metros cúbicos por segundo, segundo informações preliminares divulgadas pela administração do Parque Nacional do Iguaçu, na província de Misiones.

O fenômeno ocorre em um momento de grande volume de chuvas no Sul do Brasil e no nordeste da Argentina, alimentado por um sistema de baixa pressão que se instalou sobre a região nos últimos dias. O rio Iguaçu, que nasce na serra do Mar, no Paraná, e deságua no rio Paraná após percorrer mais de 1.300 quilômetros, recebeu contribuições de diversos afluentes, inclusive dos rios Negro, Passo Fundo e Iguaçu Mirim. O grande volume de água transformou as cataratas em um espetáculo à parte, com a cortina de água se estendendo por quase toda a extensão do cânion e a formação de um imenso tapete de espuma na Garganta do Diabo.

O fechamento do lado argentino foi decidido após a Defesa Civil local e os administradores do parque constatarem que as passarelas, que avançam sobre o rio, estavam com risco de alagamento e erosão. No lado brasileiro, o Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, também registrou aumento expressivo no fluxo de água, mas as estruturas de visitação, que ficam em cotas mais altas, seguem liberadas. A concessionária responsável pelo lado brasileiro informou que equipes técnicas monitoram o nível do rio a cada hora e que o acesso a algumas trilhas pode ser limitado caso a vazão continue subindo.

**Análise**

O episódio coloca novamente em evidência a força dos fenômenos climáticos extremos na bacia do Prata, uma das regiões mais vulneráveis a enchentes na América do Sul. O aumento da frequência e da intensidade das chuvas na região Sul do Brasil tem sido associado a mudanças nos padrões atmosféricos, com destaque para a influência do fenômeno El Niño e o aquecimento do Atlântico Sul. A vazão nove vezes acima do normal não é apenas um dado impressionante para o turismo; ela representa um alerta para a necessidade de sistemas de alerta precoce e de infraestrutura resiliente em áreas de proteção ambiental.

Para o turismo, o fechamento do parque, ainda que temporário, impacta diretamente a economia local. As cidades de Foz do Iguaçu, no Brasil, e Puerto Iguazú, na Argentina, dependem fortemente do fluxo de visitantes que vão conhecer as cataratas. A suspensão do acesso no lado argentino pode reduzir o número de visitantes nos próximos dias, mas a reabertura costuma ocorrer assim que a vazão volta a níveis seguros. Do ponto de vista científico, eventos como este oferecem uma oportunidade rara para estudar a dinâmica hidrológica do rio Iguaçu e os impactos das cheias na biodiversidade local, incluindo o deslocamento de espécies e o transporte de sedimentos.

**Fontes**

As informações foram baseadas em comunicados oficiais da Administração de Parques Nacionais da Argentina, em boletins hidrológicos do Instituto Nacional da Água (INA), da Argentina, e em dados públicos da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), do Brasil. O monitoramento do lado brasileiro também foi confirmado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e pela concessionária Cataratas do Iguaçu S.A., responsável pela visitação no Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu. Reportagens produzidas por veículos locais e agências de notícias internacionais também foram consultadas para a apuração dos fatos.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.