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Internacional

Cataratas do Iguaçu têm vazão nove vezes acima do normal e parque é fechado na Argentina para o Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-12

A vazão das Cataratas do Iguaçu atingiu nível crítico, levando ao fechamento do Parque Nacional do Iguaçu, na Argentina, para visitantes que seguem ao Brasil. Defesa Civil monitora o volume do rio.

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O Parque Nacional do Iguaçu, na Argentina, foi fechado para visitantes que seguem em direção ao Brasil nesta segunda-feira, 12 de outubro de 2026, depois que a vazão das Cataratas do Iguaçu chegou a cerca de nove vezes o nível considerado normal. A medida foi tomada pelas autoridades argentinas após o monitoramento do rio Iguaçu registrar um volume extremo, elevando o risco para a segurança de turistas e funcionários nas passarelas do parque. O forte volume de água, alimentado por chuvas intensas na bacia hidrográfica, transformou a paisagem das cataratas em um espetáculo violento, mas também acendeu o alerta para enchentes nas cidades próximas.

**Contexto**

A vazão normal das Cataratas do Iguaçu fica em torno de 1.500 metros cúbicos por segundo, mas o nível observado ultrapassou a marca de 13.000 metros cúbicos por segundo — nove vezes acima do padrão histórico. O número, embora impressionante, não é inédito: em 2014, o parque também foi fechado após uma cheia histórica que chegou a atingir níveis ainda maiores. O fenômeno ocorre quando temporais persistentes se formam sobre o planalto do Paraná e de Santa Catarina, concentrando grande quantidade de água nos afluentes do rio Iguaçu antes de ele desaguar nas cataratas.

As passarelas do lado argentino, conhecidas como Garganta do Diabo, são as mais expostas à força das águas. O fechamento preventivo afetou turistas que cruzavam a fronteira entre Argentina e Brasil pela Ponte Tancredo Neves, um dos principais acessos ao Parque Nacional do Iguaçu do lado brasileiro. As autoridades dos dois países reforçaram a orientação para que visitantes evitem caminhadas nas trilhas mais próximas aos desfiladeiros e sigam somente as áreas liberadas. A concessionária responsável pela estrutura brasileira, o Parque Nacional do Iguaçu, manteve o atendimento parcial, com restrições em setores de maior risco.

O volume extremo também tem impacto direto na operação da usina hidrelétrica de Itaipu, localizada mais abaixo no rio Paraná. As comportas da usina foram abertas para aliviar a pressão sobre a barragem, e o reservatório opera em nível elevado. Embora a usina tenha capacidade de lidar com grandes cheias, o excesso de água reforça a necessidade de coordenação entre os comitês de monitoramento do Brasil e do Paraguai.

**Análise**

A cheia das Cataratas do Iguaçu é um lembrete do poder da natureza sobre uma das paisagens mais visitadas da América do Sul. O fechamento do parque na Argentina para quem segue ao Brasil não é apenas uma medida de segurança, mas um reflexo da complexidade de gerir um ativo turístico e um ecossistema em uma região de fortes variações climáticas. Eventos como esse tendem a se tornar mais frequentes em um cenário de mudanças climáticas, com chuvas concentradas em intervalos curtos e volumes cada vez maiores. A ciência aponta que o aumento da temperatura global contribui para a intensificação de eventos meteorológicos extremos, o que exige planos de adaptação mais robustos das administrações dos parques.

Do ponto de vista econômico, o fechamento temporário das passarelas gera impactos imediatos no turismo local, que movimenta a economia de Foz do Iguaçu e das cidades vizinhas da Argentina e do Paraguai. Hotéis, restaurantes e agências de turismo dependem do fluxo diário de visitantes, e o episódio ocorre em uma época de alta temporada no hemisfério sul. Embora o espetáculo das águas em volumes extremos possa atrair curiosos, os riscos de acidentes e a necessidade de evacuação tornam a prudência indispensável. Autoridades brasileiras avaliam que a medida adotada do lado argentino pode se estender caso o nível do rio continue subindo, e recomendam que turistas acompanhem os comunicados oficiais antes de planejar a visita.

**Fontes**

As informações sobre o fechamento do parque e a vazão foram divulgadas pela Administração de Parques Nacionais da Argentina, em conjunto com a Prefeitura de Puerto Iguazú, e confirmadas por comunicados da concessionária Cataratas do Iguaçu, do lado brasileiro. O monitoramento da vazão é realizado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico do Brasil. Dados sobre o nível do rio e a operação da usina foram reportados pela Itaipu Binacional, que mantém atualizações periódicas em seus canais oficiais.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.